120 toneladas de café da agricultura familiar da Bahia serão exportados para a China

É a primeira vez que uma cooperativa de agricultores familiares da Bahia consegue fechar negócio com os chineses para exportação de café

Por: Ascom Barra do Choça

 

A China, principal parceiro comercial do Brasil, receberá até o final deste ano o primeiro lote de café oriundo da agricultura familiar da Bahia, um fato inédito para o estado que é o quarto maior produtor do grão no país, com 218.200 toneladas.

O fornecimento total de 120 toneladas de café (20 toneladas por mês) aos chineses será por conta da Cooperbac (Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores de Barra do Choça e Região), que fechou contrato de venda pelo período de 6 meses.

De acordo com Joara Oliveira, presidente da cooperativa que reúne 324 agricultores familiares (297 dele cafeicultores), o primeiro contêiner com o café da agricultura familiar da Bahia será enviado para a China entre outubro e novembro deste ano.

O negócio foi fechado com a Câmara Chinesa de Comércio no Brasil, com quem ficou acertado que o preço do café será o da cotação do dia, o que é menos arriscado para os agricultores, ao invés de contrato com preço fixo na saca de 60 kg do café, atualmente cotada a R$ 1.100 na Bahia.

Para Joara Oliveira, a exportação de café para os chineses representa um marco para a cafeicultura do Planalto da Conquista, onde está localizada a cidade de Barra do Choça, que tem se destacado no mercado nacional pela qualidade do café produzido.

“E o melhor é que esse café sai das propriedades de agricultores familiares que há anos vêm se desenvolvendo na cafeicultura, com o aperfeiçoamento contínuo da produção”, disse Joara Oliveira.

De acordo com dados da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2019 (a mais recente), Barra do Choça é o maior produtor individual de café arábica do Norte e Nordeste do Brasil, com 13.700 toneladas/ano.

Com 31.800 habitantes (IBGE-2021), Barra do Choça tem o 18º Valor da Produção Agrícola da Bahia (o maior da região Sudoeste da Bahia), com quase R$ 130 milhões, devido a produção de café arábica e banana da prata, nanica e da terra. A economia do município é basicamente oriunda da agricultura familiar.

 

Joara Oliveira mostra o novo café dos cooperados: o Cooperbac Premium

 

Recentemente, os cooperados da Cooperbac lançaram o café gourmet Cooperbac Premium, fato considerado por Joara Oliveira como a realização de um sonho.

O novo produto foi possível por meio da qualificação da Cooperbac e de seus cooperados, o que pode ser comprovado pelo Laboratório de Classificação Sensorial do Café, inaugurado em março deste ano.

A estrutura foi construída com apoio do Projeto Bahia Produtiva, da CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional), ligada ao Governo da Bahia, que já investiu mais de R$ 5,4 milhões em intervenções na base de produção (aquisição de estufas, equipamentos e assistência técnica) e na unidade de processamento e torrefação de café (embalagens, rótulos, acesso a mercados).

O laboratório serve como uma espécie de ponte entre os produtores e o mercado consumidor da bebida, que tem sua qualidade atestada por meio de laudos técnicos.

Segundo a Cooperbac, dos 125 cafeicultores barrachocenses, 80 produzem cafés que se enquadram nos requisitos de café gourmet.

“Esse é um café produzido para atender aos paladares mais exigentes. Quem gosta de um café mais delicado. Sua pontuação varia de 76 a 82 pontos”, explica a presidente da cooperativa.

O café premium da Cooperbac, ao lado de outros cafés da cooperativa

A embalagem do Cooperbac Premium vem com QR Code que direciona o consumidor para a página do Ministério do Desenvolvimento Agrário, onde estão disponíveis os dados da cooperativa, numa ala destinada a produtos da agricultura familiar.

Degustador profissional do Laboratório de Classificação Sensorial do Café, Matheus Tavares explica que o Cooperbac Premium é “100% arábica, com leve doçura, caramelado, cultivado a 900/1.100 metros de altitude e rico em sabor e aroma”.

Os dados da cooperativa mostram que o ponto de torra do café garante a degustação de uma bebida única e sustentável, própria do trabalho artesanal de agricultores familiares.

A embalagem do Cooperbac Premium atende a todos os requisitos necessários para a circulação internacional, com informações em português e inglês. Conta ainda com certificado da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercialização.

Com o café gourmet, a cooperativa pretende vender a saca por até R$ 1.600. A unidade de beneficiamento de café da Cooperbac tem capacidade de processamento de 12 toneladas por dia. A cooperativa produz e comercializa grãos crus e torrados e café a vácuo.

Com o Cooperbac Premium, agora são quatro marcas de café. As demais são o Tia Rege (mais popular), o Cooperbac (de sabor mais diferenciado) e o Frutos da Terra (mistura de arábica e conilon).

Diversificação na agricultura familiar

Os agricultores familiares de Barra do Choça e região estarão reunidos entre os dias 29 e 30 de setembro de 2021 no 1º Encontro de Diversificação para a Agricultura Familiar.

A ideia é apresentar aos produtores, por meio de palestras com especialistas, estratégias para ampliar suas produções com técnicas inovadoras, agricultura de precisão e tecnologias digitais de baixo custo.

O evento será realizado pela Prefeitura Municipal de Barra do Choça, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semagri), com apoio do Governo da Bahia, por meio da CAR.

Dentre as culturas a serem otimizadas, estão incluídas o citros, o morango e cafés especiais. A inserção da pecuária de leite também será pauta de discussão.

O município de Barra do Choça tem a base da sua economia agrícola, com a cafeicultura responsável por 75% da produção, realizada em pequenas e médias propriedades.

“Nossa ideia é incentivar outras produções e preparar os agricultores para saberem lidar com essas novas culturas, desde o plantio até a comercialização de forma rentável e com sustentabilidade ambiental”, disse o secretário Crésio Oliveira, da Semagri.

 

 

Foto de capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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