Uesb: 40 anos transformando conhecimento em contribuição social

Por Patrick Moraes/ Ascom Uesb

 

Perceber um problema, definir um objetivo, traçar um plano de ação e envolver medidas governamentais para que, no fim das contas, o resultado seja um: a melhoria de vida da população. Em poucas palavras, as políticas públicas funcionam dessa forma, mas são movidas por profissionais engajados em fazer do seu trabalho um verdadeiro mecanismo de contribuição social.

Instituição pública de Ensino Superior, a Uesb forma, há quatro décadas, profissionais com a missão de tornar conhecimento em força motriz da transformação social. Nessa longa história, está a advogada e defensora pública Kaliany Gonzaga, formada na primeira turma do curso de Direito, em 2004.

Entusiasta de políticas públicas capazes de gerar inclusão e oportunidades, Kaliany ingressou na Defensoria Pública do Estado da Bahia em 2006. Lá, despertou seu olhar para um grupo de trabalhadores que, muitas vezes, são esquecidos e não têm seus direitos assegurados: os catadores autônomos de materiais recicláveis. Com o problema percebido e apoio de outros colegas, Kaliany idealizou o projeto “Mãos que Reciclam”, que, a princípio, se propôs criar uma associação para esses catadores.

A missão inicial foi cumprida, mas outro desafio estava posto: montar um programa mais duradouro e que contribuísse, efetivamente, com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Por meio da educação informal, o Programa implantou a coleta seletiva solidária e, assim, trabalha com vertentes que se complementam. “De um lado, visa impulsionar os agentes sociais (cidadãos, sociedade civil, sociedades empresárias, entidades públicas ou privadas etc.) a desencadearem processos capazes de alcançar a eficaz gestão dos resíduos sólidos; de outro, no que diz respeito às famílias que laboram com a coleta de materiais recicláveis, condições mais dignas de trabalho podem ser atingidas, por meio da sua emancipação econômica, e, sobretudo, respeito aos direitos fundamentais e sociais”, explica a defensora.

Atualmente, o Programa assiste 350 famílias em Vitória da Conquista, mas já expandiu sua atuação para municípios como Itapetinga, Itabuna e Amargosa. “Acredito que os alunos advindos do ensino público possuem uma dívida pública. A sociedade espera nossa contraprestação, então, que nossos esforços diários não sejam egoístas ou quietistas. Façamos a nossa parte”, opina.

Desde a graduação, Michael Farias vem trabalhando com a Política de Direitos Humanos da Crianças e do Adolescentes. Foto: Acervo Pessoal.

 

Dois anos após a formação de Kaliany, o curso de Direito tornava Michael Farias um bacharel na área. Mas a história de atuação com políticas públicas para o atual advogado começou ainda na graduação, quando teve a oportunidade de integrar o projeto inicial do que hoje é o Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente da Uesb. “Foi ali que se deu a primeira experiência no campo da extensão e que acabou me levando a ter esse contato direito com as políticas públicas, me despertando o olhar e o desejo por continuar estudando a Política de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente”, conta Michael.

De graduando para profissional, Michael integrou a equipe do Núcleo por mais de 10 anos, chegando a gerenciar as ações multidisciplinares de assistência especializada promovidas pelo Núcleo para crianças, adolescentes, familiares e/ou responsáveis. “A minha história profissional e a história da Uesb se encontram. A Uesb me garantiu uma formação que me permite olhar de forma crítica e de maneira participativa para espaços de construção das políticas públicas”, conta.

Em 2016, deu início a uma nova jornada, na qual a contribuição social por meio de políticas governamentais continuava presente. Agora, Michael passava a atuar na Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Vitória da Conquista, onde veio a se tornar secretário. “A influência da minha formação na Uesb me fortalece na militância pela garantia de direitos das pessoas que estão inseridas em contextos de vulnerabilidades e riscos sociais”, avalia.

 

Atualmente, Michael do Carmo coordena a política de regionalização da saúde. Foto: Acervo Pessoal.

Políticas de Saúde – No campo da Saúde, a garantia de direitos da população e de estratégias eficientes também é o foco dos profissionais formados na Uesb. Em 2014, Michael do Carmo se tornava bacharel em Enfermagem, no campus de Jequié. Como ele mesmo conta, “a atuação profissional no setor público iniciou, imediatamente, após minha formação”. Um mês depois da sonhada colação de grau, o enfermeiro já começou a atuar em uma Unidade Básica de Saúde, no município de Maracás, interior da Bahia. Foi no mesmo município que Michael assumiu a direção do Hospital Municipal Dr. Álvaro Bezerra.

Em 2017, a atuação para a melhoria na saúde no interior baiano ganharia uma nova dimensão na carreira de Michael ao ser convidado para trabalhar na Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Foi lá onde ele se tornou coordenador estadual de Gestão de Unidades Consorciadas, ou seja, atua diretamente na política de regionalização da saúde do Governo do Estado, por meio das Policlínicas Regionais. “[Essa] é uma moderna e eficiente modalidade de gestão. O objetivo é garantir os serviços que nem o Estado nem os Municípios conseguem custear sozinhos. Dessa forma, ocorre a união desses entes para a garantia da oferta desses serviços”, explica o atual coordenador.

O desejo de atuar com políticas públicas vem desde a graduação e não importava em qual parte do processo: seja na gestão ou na assistência. “Sou um ativista do Sistema Público de Saúde e, extremamente, orgulhoso por fazer parte dele. O que me motiva é saber que as minhas ações refletem na melhoria de vida de milhares de pessoas”, declara. Quando o assunto é o lugar que lhe preparou, Michael não se intimida em dizer: “a Uesb foi fundamental para o caminho que trilhei. Ser egresso da Uesb é sinônimo de portas abertas. O mercado de trabalho lhe vê com respeito”.

 

Foto de Capa: Acervo Pessoal.

Jornal do Sudoeste

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