Criado pela atriz Rachel Ripani e outras ativistas, o movimento nasceu em dezembro de 2025 de forma espontânea nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, crescendo rapidamente para uma articulação nacional. Com o lema “Mulheres vivas!”, os atos promovidos pelo Levante se tornaram uma das maiores mobilizações recentes contra a violência de gênero no país.
POR DOUGLAS PICCHETTI (douglas@pombocorreio.art.br)
| Forte expressão nacional da geração Z digital, orgânica e voluntária no Brasil, o Levante Mulheres Vivas mobilizou, em 7 de dezembro de 2025, manifestações simultâneas em 21 estados e mais de 100 cidades brasileiras, reunindo milhares de pessoas contra o avanço do feminicídio. Marcaram presença no ato de São Paulo personalidades públicas como Luísa Sonza, Samara Felippo, Mônica Martelli, Alessandra Negrini, Milly Lacombe, Thalma de Freitas, Preta Rara, Claudia Campolina, Lea Maria, Carol Sardá, Anaterra Oliveira, entre outras, além das parlamentares Erika Hilton, Sâmia Bomfim e outras lideranças. Em menos de uma semana, o movimento ultrapassou 100 mil seguidores e 10 milhões de impressões nas redes sociais. O conceito do Mulheres Vivas parte da mobilização acolhedora e propositiva, trazendo para o evento presencial um potencial de esperança e possibilidades. A próxima ação do Levante está prevista para acontecer no dia 25 de abril, a partir das 14h, em mais de 13 cidades brasileiras, com o objetivo de pressionar a Câmara dos Deputados para a aprovação do PL 896/23, que criminaliza a misoginia. Em São Paulo, a manifestação vai acontecer em frente ao MASP, a partir das 14h. “Já foi aprovado no Senado — mas segue parado na Câmara dos Deputados. Para avançar, precisa ser pautado pelo presidente da Casa, Hugo Motta. E sabemos: sem pressão popular, projetos que protegem mulheres não são prioridade.” comenta Rachel Ripani. Por isso, convocamos todas e todos a ocuparem as ruas no dia 25/04, em uma mobilização nacional. A história dos direitos das mulheres é feita de luta — nenhuma conquista veio sem pressão organizada. O Levante busca unir a sociedade civil em um chamado urgente pela vida das mulheres e pela implementação de medidas efetivas de proteção. O movimento defende, essencialmente, o fortalecimento das redes de atendimento, maior efetividade das medidas protetivas, aceleração de investigações e processos, campanhas educativas continuadas e políticas estruturais para enfrentamento da violência de gênero. Em 2026, o movimento começou em diferentes frentes de articulação. Durante o Carnaval de 2026, o movimento realizou uma ocupação cultural e educativa em blocos de rua, utilizando a festa popular como espaço de conscientização e prevenção da violência de gênero. Com marchinha original de Fernanda Maia, distribuiu cartazes e tatuagens temporárias em ações com a coordenação de Alice Ferreira e Anna Cecília Junqueira. As ações buscavam dialogar diretamente com o público presente nas ruas, ampliando a visibilidade do tema e incentivando a proteção coletiva de mulheres e crianças durante o período festivo. Outra frente importante do movimento é o programa Mulheres em Defesa, em conjunto com a academia Gracie Jiu-Jitsu Morumbi, que promove oficinas e treinamentos de defesa pessoal, prevenção à violência e consciência situacional, combinando técnicas práticas com formação sobre direitos, redes de apoio e protocolos de segurança. A iniciativa parte da premissa de que, enquanto políticas públicas estruturais são fundamentais, também é necessário fortalecer ferramentas imediatas de proteção e autoconfiança para mulheres e meninas em diferentes territórios. No campo da incidência internacional, a atriz e ativista Rachel Ripani participou como integrante da comitiva do governo brasileiro na Commission on the Status of Women (CSW70), realizada na sede da United Nations em Nova York. A participação integrou a estratégia de internacionalização da pauta do Levante, levando ao espaço multilateral o debate sobre o crescimento do feminicídio no Brasil e a necessidade de políticas públicas mais robustas de prevenção e proteção. A presença na CSW também possibilitou articulação com redes internacionais de direitos das mulheres, ampliando a visibilidade global da mobilização brasileira e fortalecendo alianças para o enfrentamento da violência de gênero. Na articulação política, o Levante Mulheres Vivas criou a campanha “Ações! Não palavras”, inspirada no lema sufragista criado por Emmeline Pankhurst em 1903, quando as mulheres, frustradas com as promessas dos políticos que prometiam direito ao voto, mas que não resultavam em ações concretas; assim, elas usaram a ação para exigir direitos para mulheres. No Brasil, o Levante Mulheres Vivas, com a marca criada nas cores do movimento com a arte de Bebel Abreu, da Bebel Books, pretende chamar a atenção dos três poderes para aprovação de leis e criação de novas proteções concretas através de ações. A campanha já foi mencionada pelo Instituto Sou da Paz, Senadora Damares Alves e outras personalidades, mostrando que a pauta interessa a toda a sociedade. Além desta campanha, o Levante Mulheres Vivas tem compartilhado material gráfico com frases de luta caligrafadas por Abreu, para veiculação em mídias sociais, cartazes e projeções urbanas. No fim de março, a cineasta Carla Camuratti fez da pré-estreia nacional de seu novo documentário ‘Raízes do Sagrado Feminino’ um evento exclusivo para membros do Levante Mulheres Vivas em São Paulo. ‘Recebi um convite para a manifestação do Levante Mulheres Vivas no Rio de Janeiro no dia em que finalizei meu filme, e para mim foi um sinal de que precisava apoiar o movimento’, disse Carla. O filme fala das cinco religiões com escrituras e de seu impacto em oprimir mulheres através da história da humanidade. Um dos principais focos do levante é pressionar pela conquista de leis que garantam às mulheres segurança e liberdade em sociedade. Dentro desta luta, oMulheres Vivas destaca a aprovação do PL 896/2023, da Senadora Ana Paula Lobato, que criminaliza a misoginia no Brasil. O projeto define misoginia como conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres com base na crença da supremacia masculina e busca incluí-la na Lei do Racismo. Para Rachel Ripani, o resultado na comissão demonstra a força da mobilização social em torno do tema. “Vencemos uma etapa importante. Muitas vezes as leis não morrem na votação final, mas nas brechas abertas durante o processo legislativo. Por isso, acompanhamos cada emenda e cada debate com muita atenção”, afirma. Segundo ela, a mobilização nas redes, o acompanhamento da tramitação e a pressão pública tiveram papel decisivo para que o projeto avançasse. Outra porta-voz do movimento, Irina Cezar, também destacou o papel do diálogo entre diferentes campos políticos. “Foi importante reconhecer a atuação das senadoras Augusta Brito e Damares Alves. Mesmo estando em espectros políticos distintos, elas se uniram em defesa do projeto e contribuíram para garantir sua aprovação na Comissão de Direitos Humanos. O projeto passou por votação para sua aprovação na terça-feira,dia 24/03/2026, e teve aprovação unânime. O movimento continua ativo nos bastidores em busca de sua aprovação e precisa da pressão da sociedade civil para obter os votos necessários. Indo de esquerda, centro e direita.’ A mobilização apresenta uma Pauta Nacional de Referência, construída coletivamente por mulheres de diversas cidades e que reconhece o feminicídio como emergência nacional. Organizada em oito eixos estratégicos, a pauta foca exclusivamente no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas: I — Delegacias da Mulher 24h e Atendimento Especializado; implantação das Casas da Mulher Brasileira II — Casas-Abrigo e Acolhimento Imediato III — Resposta Rápida no Sistema de Justiça IV — Autonomia Imediata para Mulheres em Risco V — Proteção Integral a Filhos e Filhas de Mulheres em Violência VI — Paridade Feminina Obrigatória no Poder Público e Judiciário VII — Regulação das Plataformas Digitais e combate ao ódio e violência online VIII — Orçamento obrigatório e cumprimento integral da Lei Orçamentária. Para mais informações, acesse as redes sociais: https://www.instagram.com/levantemulheresvivas Foto: Divulgação |



