PEDRO CARDOSO DA COSTA
As ações anunciadas pelos governos para resolver problemas acabam se tornando ineficazes e meramente discursivas.
Quando são anunciadas, as autoridades contam com o beneplácito dos especialistas da respectiva área e da imprensa, com seus analistas de fancaria.
Depois de os índices de violência em geral atingirem patamares superiores aos registrados em qualquer guerra declarada no mundo, agora o governo federal decidiu que uma PEC da Segurança Pública será a solução. Não se coloca em debate que a principal bandeira do governo seria a criação de mais um ministério para completar os quarenta ou mais já existentes, já que ninguém sabe ao certo quantos são.
No país, o número de celulares roubados ou furtados ultrapassou os 800 mil em 2025. As pessoas passaram a carregar o celular para os bandidos: escondem o aparelho, deixam-no em casa ou chegam a acorrentá-lo ao próprio corpo. Já os roubos de carros ultrapassaram 308 mil. O número de motos roubadas deve ser ainda maior, já que uma mesma moto costuma ser roubada mais de uma vez. Além disso, muitos proprietários, sabendo que o veículo é produto de roubo ou furto, nem sequer registram o boletim de ocorrência.
Apesar desses números assustadores, as medidas continuam restritas à criação de regrinhas fúteis, PECs e leis.
Se fosse estabelecida uma meta diária de carros e motos a serem vistoriados em blitzes nos 26 estados e no Distrito Federal, com registro imediato das informações em um banco de dados nacional, a medida seria muito mais eficaz.
Paralelamente, um estudo muito sério deveria investigar por que não se leva a sério a apreensão de peças comercializadas em lojas de autopeças e desmanches, estabelecimentos que estão à vista de todos, Brasil afora. Essa omissão não deve acontecer por mero acaso.
Enquanto isso, o número de assassinatos permanece acima de 40 mil por ano, patamar alcançado em 1997 e do qual nunca mais ficou abaixo.
Mas nós, brasileiros, nos acostumamos aos números exorbitantes de tudo o que nos prejudica, a ser dominados por grupos criminosos e a aceitar, sem cobrar providências, os discursos efusivos e as soluções mágicas anunciadas dos púlpitos. No dia seguinte, os furtos e roubos continuam sendo presenciados por todos.
O descalabro parece não incomodar os quase cem mil políticos brasileiros. Agora, tudo será resolvido com mais uma PEC e um novo ministério. Agora vai!




