A culpa é do mim

O povo está mais pra mim, do que pra eu. O povo anda menos eu e mais o mim. Todo mundo ama o mim, como se fosse o Deus único da gramática. Como se fosse um político que diz ter a solução para todos os problemas, mas é o ser que mente descaradamente, foge dos pronomes e dos sem sobrenomes, como o diabo que evita a cruz. Uma parte dos que usam a fé do mim, enfatiza e confirmam; “pra mim fundar uma igreja”, com a reles desculpa de santificar o mim e ganhar mais dízimo.

O mim está mais na moda do que roupa de grife. O mim desfila no feshion week. O mim é o maior responsável pela ciumeira e tudo gira em torno de si. O mim não tem gênero, pode ser masculino ou feminino. É um tal de "pra mim fazer, pra mim dizer, pra mim contar, pra mim telefonar, pra mim tirar, pra mim desmistificar, pra mim votar, pra mim ganhar, pra mim perder, pra mim arriscar, pra mim pagar, pra mim receber e etecéteras pra mim".

O mim é intelectual porque pensa, analisa, calcula, responde, mas ao mesmo tempo denigre todas as matérias escolares. O mim também, desfila no meio artístico e descobre mulheres clarinhas, lindas e burras, que mostram as bundas pela guerra de audiência.

O mim é racista e preconceituoso, quando o assunto é mídia. O mim é empresário, professor, médico, cientista, astrólogo, vidente, ateu,escritor, poeta, marqueteiro, juiz, deputado, senador, ministro, jornalista e vários outros “mins”.

O mim, este ser tão influenciador, enraizado no meio do povão, domina a mente de jogador de futebol, que o usa para se desculpar de uma derrota. O mim, também atua na vida pública e lava dinheiro de propina. O mim advoga em causa própria quando o assunto é grana. Para eu, o mim veio e quer ficar por mais alguns milhões de anos entre os povos brasileiros, sem que o eu se atreva corrigi-lo, pois o mim não aceita correções.

Ai de alguém, pra mim contrariar. É o mim pra lá, pra cá e pra todo lado, que o eu se torna mera sombra. O mim, é excelentíssimo suprassumo detodas as tribos, formações acadêmicas e grupos de fofocas. Aliás, o mim é mais acionado entre todos os políticos e fofoqueiros. O mim também é mafioso, pois consegue matar, roubar e esconder a verdade. Bem, chega de falar do mim, porque quero ver se dá tempo do eu se ressuscitar.

Preocupa-nos, que o mim tome para si o planeta inteiro e mande apagar o eu, tu,ele, ela, nós, vós, eles, elas e outros alienígenas. Por favor, não votem em mim pra nada, o mesmo quer se perpetuar no poder. Não votem em mim pra nada, porque já temos porcaria demais, e esse, pode fazer na vida pública, o que já fazem na privada gramatical do sistema político.

 

 

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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