A educação na região Sudoeste antes e depois da Uesb

Por Tarcísio Arcanjo/ Ascom Uesb

 

Até a década de 1960,  o interior da Bahia contava com apenas cinco instituições de ensino superior, todas particulares, nas cidades de Itabuna e Ilhéus. Foi a partir desse diagnóstico que Luciana Canário, professora e pesquisadora do Museu Pedagógico – Casa Padre Palmeiras, investigou o contexto regional do processo de interiorização da educação superior na Bahia.

“Implantar e manter uma Universidade no Sudoeste, incorporando ao seu patrimônio os bens e direitos pertencentes às Faculdades existentes em Vitória da Conquista e Jequié.” Trecho da Carta Consulta sobre a Fundação, instituída em maio de 1980

Segundo a pesquisa, uma análise da situação educacional do Estado entre 1967 e 1968 indicava que, entre os estados brasileiros, a Bahia alcançava o 14º lugar na proporção entre universitários e habitantes. Os dados pressionaram o Governo Estadual para a implantação de planos que correspondessem à exigência das leis por professores com licenciaturas plenas, além da demanda social por um ensino de melhor qualidade.

“A Uesb é a culminância de uma longa história da implantação do ensino ginasial, ensino normal, escola superior isolada, Faculdade de Formação de Professores e, finalmente, a Autarquia Universidade em 1980, quando a pressão da comunidade e o anseio dos jovens se fazia presente”, descreve a pesquisadora.

Luciana é mestre e doutora em Memória: Linguagem e Sociedade pela Uesb. De acordo com o seu estudo, desde então, a Uesb “alavancou o ensino superior e a pós-graduação tanto em Vitória da Conquista, como na Região Centro-Sul”.  Mais do que isso, a Universidade foi a principal instituição pública responsável pela formação acadêmico-profissional de milhares de pessoas que não tinham a opção de sair da cidade ou região e recorrer à capital baiana para sua formação.

Faixa em agradecimento ao Secretário de Educação, Eraldo Tinoco, no início da década de 1980. Foto: Ascom/ Uesb.

Ensino superior a poucos quilômetros de distância

Aos 41 anos, Francisco Mororó viu a sua vida mudar com a chegada da Universidade no município onde morava. “Não tinha mais planos de sair de Itapetinga para estudar, tinha um bom emprego, mesmo precisando muito ter curso superior, em especial, para me nivelar ao staff da empresa”, conta o zootecnista formado na primeira turma da Uesb.

Naquele momento, a Universidade dava os primeiros passos, mostrando que havia muita vontade de fazer acontecer e que não faltaria resistência e empenho. “Foi tudo improvisado, feito na marra, salas de aulas emprestadas  pelo Colégio Industrial, professores voluntários, mas foi tudo muito bom, todos se doavam com presteza e com comprometimento”,  recorda Francisco. Hoje, ao olhar pra trás, ele define: “a Uesb representou meu crescimento intelectual e profissional. Foi muito importante e gratificante para Itapetinga, pra Bahia e pro Brasil, a criação da Uesb, que iniciou tão empírica e chegou aos 40 anos tão pujante”.

Para Ivone Nery, a oportunidade tão próxima também fez a diferença. Natural de Itarantim, a estudante saiu de casa cedo para cursar Medicina na capital do Estado, mas por dificuldades econômicas não foi possível se manter na cidade para realizar o seu sonho. Após retornar de Salvador para a cidade de Jequié, ela encontrou um caminho na Uesb: participou do primeiro vestibular para a turma de Enfermagem.

Com 28 anos, casada, com três filhos e trabalhando, Ivone iniciou a graduação, que passava a ser uma realidade na região Sudoeste. “Na minha família, tanto do lado materno quanto paterno, eu fui a primeira pessoa a ter nível superior. Com isso, outros parentes foram seguindo o caminho. Eles dizem que eu puxei a fila”, conta a enfermeira.

Campus da Praça Primavera, em Itapetinga. Foto: Ascom/ Uesb.

Amadurecimento

Quarenta anos depois da formação das primeiras turmas, a Uesb continua a potencializar e agregar investimentos no interior da Bahia. Seu pioneirismo, aliado à luta em defesa das políticas públicas de Ensino Superior, possibilitou diversas mudanças sociais e econômicas na região, principalmente nas cidades em que possui campus.

Hoje, é possível que moradores do interior do Estado possam ter acesso ao Ensino Superior público e de qualidade tendo que percorrer poucos quilômetros de distância. O bom desempenho administrativo e a parceria direta e indireta no desenvolvimento regional permitiu que a Universidade se projetasse além, tendo reconhecimento nacional e internacional. “A Uesb possui programas e projetos maduros e articulados com outras universidades; parcerias acadêmicas com universidades estrangeiras e plataformas de pesquisa à altura das melhores universidades do país; além de sólidos programas de pós-graduação. Podemos dizer que a Uesb se tornou uma universidade madura e universal”, conclui a pesquisadora  Luciana Canário.

Arte de Capa: Ascom Uesb.

Jornal do Sudoeste

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