A fonte do dinheiro para derrubar Lula

Por esses dias tive a oportunidade de ler alguns textos e comentários sobre o financiamento das ações realizadas pelos recentes chamados Movimentos Democráticos com apoio da mídia do Jornalismo da Obediência, que mobilizaram os mais diversos setores da classe média brasileira para ocuparem as ruas contra o Governo de Dilma Rousseff, contra Lula e contra exclusivamente o PT. As notícias que surgem apenas em pequenas notas já são o bastante prá gente ver que tem algo de secreto e de preocupante nisso.
 
Ninguém, absolutamente ninguém, em sã consciência pode achar que para colocar gente nas ruas não se gasta dinheiro para se manter uma estrutura adequada às exigências de qualquer manifestação. Até então se desconfiava de que quem apenas realmente mantinha a estrutura eram grupos ligados a FIESP, principalmente quando abertamente seus representantes escolheram e colocaram publicamente seu símbolo do “Pato Amarelo” nas mobilizações contra o aumento de impostos para os “ricos”.
 
Mas parece que tem algo mais secreto que parcela da chamada mídia do Jornalismo da Obediência não quer de fato dizer aos brasileiros. Ou seja, desconfia-se de fato que quem mantém financeiramente as megaestruturas nas ruas são instituições americanas interessadas de fato na diminuição do Estado brasileiro, para o controle de nossas riquezas por empresas bilionárias, coordenadas por indivíduos bilionários que não participam diretamente da política, mas financiam a política nos Estados Unidos da América e em outros pontos do mundo.
 
A desconfiança surge de dois movimentos bem coordenados que poucas pessoas estão enxergando. O primeiro deles foi depois que esses movimentos ocuparam as ruas sem muita objetividade política, até mesmo porque não se pode derrubar um Governo sem provas de crime de responsabilidade. Alguns defendiam a derrubada do Governo por impeachment, outros através do TSE, e ainda outros defendiam a volta da Ditadura Militar, porém a última ação de uma certa Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, que tem entre seus componentes o Movimento Vem Prá Rua, que foi ao Congresso pedir a rejeição à taxação das grandes fortunas e impostos sobre heranças, pautas estas que não contavam entre as reivindicações anteriores, é que deixou muita gente com a “pulga atrás da orelha”. É bom lembrar que entre as grandes fortunas existentes no país, em sua grande maioria estão sob o controle de estrangeiros, pois os brasileiros são sempre bons executivos, mas nunca são realmente os donos dos cofres.
 
O segundo movimento da defesa do ultraliberalismo no meio desses movimentos contra o atual Governo vem da opinião bem acentuada do articulista Luís Carlos Azenha. Segundo ele a partir do lançamento de um livro da repórter Jane Mayer, intitulado “Dark Money: The Hildden History of the Billionaries Behind  the Rise of the Radical Right, começa-se a colocar luzes em tudo o que somente desconfiamos e não ousamos decifrar a “esfinge”. Ao que tudo indica é o mais completo relato existente de como um grupo de bilionários americanos, coordenados pelos irmãos Koch, criou um partido secreto que vai gastar US$ 889 milhões no processo eleitoral em andamento nos EUA (próximas eleições para a Casa Branca e para o Congresso). A liderança desse partido se reúne secretamente em resorts de luxo, conta com 107 escritórios e 1200 funcionários em tempo integral. Parece que isso é três vezes maior que o Comitê Nacional Republicano.
 
Essa turma pelo que consta não participa diretamente da política como “coisa em si”, mas gastaram somente em 2010 US$ 200 milhões em grupos de ativistas independentes, mas alinhados ao Partido Republicano, e ajudaram este a ocupar 63 cadeiras no Congresso Nacional e 675 deputados estaduais para redesenhar os distritos eleitorais dos Estados Unidos. Ou seja, a ideologia que eles defendem é somente aquela que beneficie seus negócios, tanto nos EUA como no resto do mundo, ligados à exploração do petróleo, do carvão e do gás.
 
Os objetivos dessa turma coordenada pelos irmãos Koch é conquistar uma militância política que muitas vezes sem saber defendem paradigmas políticos que favorecem os interesses dos bilionários americanos, tanto que organizaram uma rede de institutos de pesquisas e ONG’s que fazem avançar seus interesses sem que seus adversários políticos se dêem conta, como Americans  For prosperity, Charles Koch Institute, Institute for Humane Studies, Cato Institute e muitos outros.
 
Como eles combatem a interferência dos governos mundiais em seus negócios, que causam grandes danos ao meio ambiente, como combatem as teorias sobre aquecimento global e qualquer campanha de regulamentação, como combatem os impostos sobre os mais ricos e sempre ganharam muito dinheiro com contratos governamentais, quem pode nos garantir que toda essa megaestrutura política, de mídia e de empresários nacionais e estrangeiros para diminuir a influência e o controle do Estado brasileiro sobre nossa economia não tenha influência financeira dos mesmos para os “bobos da corte”?
 
Quem nos garante que não querem que sempre sejamos a eterna colônia de seus interesses econômicos, e não estejam financiando grupos de certa Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, enganando a classe média, e principalmente enganando nossos jovens que acham que estão mudando o Brasil, com apoio da FIESP, de setores do agronegócio, de donos de instituições financeiras, e com apoio total de setores da mídia local que sempre acham que os valores americanos serão sempre melhores que os brasileiros?
Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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