A HOMILIA DE FRANCISCO

Em meio ao obscurantismo que vivemos há décadas por falta de lideranças que valem a pena ouvir ou seguir, surge da cadeira Petrina um sopro, uma brisa forte, uma palavra diferente.

O 266 º Papa da Igreja Católica, o Jesuíta Argentino, Jorge Mario Bergoglio, que adotou o nome de Francisco, em homenagem a Francisco de Assis.

Figura carismática, vem com uma conduta e palavra que o diferem de seus antecessores, talvez mais próximo do Papa João XXIII. Desde sua eleição, o Papa já se despiu das pompas e dos luxos do Vaticano marcando como seria seu papado.

Embora não seja católico mas cristão, a pregação do Papa tem sido um contraponto importante em nossa contemporaneidade, um líder não convencional que diz verdades inconvenientes, mas profundamente necessárias ao mundo.

Sua mensagem tem tido a sagacidade inconteste de quem enxerga as mazelas produzidas pela humanidade em sua busca inócua da satisfação materialista apenas.

Reformador, enfrenta as árduas batalhas para edificar a igreja mais próxima das atualizadas aflições, sem perder os princípios.

Denuncia o Papa aos que endeusam o dinheiro em detrimento da existência, “o dinheiro tem que servir, não governar”.

Para o Papa, a pobreza e a miséria que atingem milhões de seres humanos é fruto de um sistema econômico que fez com que o povo fosse guiado e escravizado pelo “deus do Dinheiro”, um sistema excludente por essência.

Porquanto, a Justiça Social, o cuidado com os pobres não é uma invenção ideológica marxista, e sim algo que está no evangelho, e não foram os comunistas que inventaram esse paradigma.

Ousado, pediu à juventude que sejam revolucionários, que vão contra a corrente, que se rebelem contra a cultura do provisório.

Consciente de que a igreja é feita por homens, e no entanto, pecadora com todas as deformidades que tem a espécie humana, o Papa tem tido pulso firme para limpar e expurgar aqueles que cometem crimes. 

Em uma de suas pregações pediu aos cardeais que façam um exame de consciência ante o “Alzheimer espiritual”, entre outras doenças que relacionou que afetam a Cúria.

O Papa afirmou que, "como qualquer corpo humano", a Cúria sofre de "infidelidades ao Evangelho" e de "doenças que precisa aprender a curar".

Na questão ambiental também não se furta: "Nós seres humanos somos parte do meio ambiente. Nós vivemos em comunhão com ele, uma vez que o ambiente por si só implica em limites éticos que a atividade humana deve reconhecer e respeitar", disse o pontífice.

Para o papa, a devastação ambiental tem consequências diretas no processo de exclusão social.

"O mau uso e a destruição do meio ambiente são também acompanhados de um processo implacável de exclusão. Com efeito, a sede egoísta e sem limites pelo poder e prosperidade material leva a má utilização dos recursos naturais e à exclusão dos fracos e em desvantagem, seja porque estes são incapazes fisicamente ou porque lhes falta informação adequada e expertise técnica, ou são incapazes de ações políticas decisivas".

"A exclusão econômica e social é uma completa negação da fraternidade humana e uma grave ofensa contra direitos humanos e o meio ambiente. Os mais pobres são os que mais sofrem com estas ofensas, por três sérias razões: eles são rejeitados pela sociedade, forçados a viver do que é descartado e sofrem injustamente pelo abuso do meio ambiente. Eles são parte da muito difundida e silenciosamente crescente 'cultura do desperdício'”, criticou o papa.

Esse é Francisco, um Papa que tem abalado os muros do Vaticano e tem sido a voz dos oprimidos e dos que ousam sonhar um mundo novo.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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