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A mulher do piolho

Se estou falando que é amarelo é porquê é amarelo, não sou daltônico eu conheço cor, eu sei que é amarelo, girassol não é amarelo, “ouro não é amarelo”, o losango da bandeira do Brasil não é amarelo? Outra coisa, essa figura geométrica da bandeira é losango e não triângulo, eu nunca vi triângulo com quatro pontas, deixa de ser teimosa e para de me contradizer, você sabe que estou certo mas gosta de me aporrinhar.

Quando o assunto não era cor, era tamanho, marca, raça, religião qualquer coisa, nada conjuminava com os gostos ou ideias da Pafúncia, oh fêmea cri cri. E não importava a hora, quantas vezes eu acordei de madrugada com os berros do Cremilson tentando colocar na cabeça da infeliz o que era certo e ela insistia que estava errado, quantas vezes ele perdeu as estribeiras e xingava ela… égua velha, energúmena, não sei onde eu estava com a cabeça quando me casei com você e não sei onde está minha cabeça hoje que continuo te amando.

E era verdade, ele tinha uma paixão alucinante por ela era só abaixar a adrenalina, que ele ia pedir desculpas tentando remediar o irremediável, fazia com que fosse certo o que não era certo só pra ver seus dentes encavalados num sorriso quase infantil.

Assim era a rotina daquele casal que Deus não tinha agraciado com filhos, talvez por isso ela fosse tão revoltada e descontente com tudo.

Todo correto pra ela era incorreto, nunca admitia seu erro e nem dava o braço a torcer, todo amarelo virava rosa, quem nascia no Japão era grego, era assim que tinha que ser, ela falou tava falado.

Porém certa manhã Pafúncia chamou o marido pra ver um sabiá bicando um abacate no pé, ele já foi preparado pra falar um monte e pra sua surpresa era mesmo um sabiá, No outro dia ela chamou ele de novo …. Crê, tem uma cobra coral espantando as galinhas, de fato era uma coral. Daí em diante as implicâncias foram diminuindo Cremilson achou aquilo muito estranho mas adorou a mudança, Pafúncia estava grávida.

Assim termina a história e agora eu vou lá no quintal fazer uma cerca, não sei por quê a Berenice, minha esposa quer essa cerca, mas se ela falou que quer é porquê quer e quem sou eu pra contrariar.

Valdir Fachini

Valdir Fachini

Natural de Campinas - São Paulo - é Escritor, compositor e cabeleireiro
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