A POLÍTICA DOS CAFAJESTES

A irrefutável crise ética em que vivemos não está circuncidada apenas nos atos de corrupção e banditismo que atingem diversos personagens e partidos políticos no Brasil, seja ele de situação ou de oposição, todos com raras exceções estão imersos no lodo mal cheiroso desta praga.

Hoje virou modismo os atos de “cafajestada” na política.

O ódio dos inconformados com a não aceitação popular de ocuparem o poder tem transformado irrefletidamente a política numa arena de boçais.

O ato cafajeste de parlamentares vaiarem a Presidente da República em sua visita ao Congresso Nacional, seja ela do PT ou do PSDB, revela a falta de decência e decoro de uma molecagem que envergonha a nação.

Não é preciso gostar da Presidente pois a democracia dá o direito inalienável de se opor a qualquer mandatário, mas isso não significa tais comportamentos que reduzem as Nobres Excelências em meninos com estatura de camundongos.

A desconstrução, assim como o boicote ao país, somando-se à doutrina e à pregação do ódio e da hipocrisia, não é o caminho que deveríamos seguir.

É inaceitável o comportamento antirrepublicano, assim como o machismo e a falta de compostura de quem deveria dar o exemplo de grandeza e recato.

Os nobres parlamentares podem discordar e votar contra, podem discursar dentre as regras civilizatórias, e até mesmo não comparecerem, mas atitudes da mais impudica molecagem é censurável e desprezível.

Há em nossa política, de forma não declarada, a concepção torpe de um pensamento hierárquico de gênero, onde a figura masculina invariavelmente está sempre em posição superior ao que é feminino.

É um ideal errôneo e retrógado de superioridade.

Esta ideologia está impregnada e enraizada em nossa cultura política e coronelista há séculos, neste contexto a mulher encontra-se num estado de submissão, contextualizando um pensamento patriarcal.

Falta compreender que a Presidência da República é uma Instituição, que dentre a tri participação dos poderes deve ser respeitada pelo bem da democracia e do Estado Democrático de Direito.

Não é crível a não aceitação da diversidade e das diferenças, as demonstrações inequívocas de intolerância e grosserias retratam a face perversa dos que não zelam pela democracia.

O Governo da Presidente Dilma Rousseff é, de fato, merecedor de inúmeras críticas e descontentamento, porém sua biografia é respeitável e não há nada absolutamente nada que a desonre e sua reputação é ilibada.

Muitos dos cafajestes que ali deram demonstrações de descompostura não podem se orgulhar dos méritos da Presidente.

Aliás, muitos ali têm em seu tempo pretérito, biografias deletérias, indignas de ocuparem cadeiras em qualquer parlamento.

Coisas de nossa política!

Portanto, é no mínimo hipócrita, além de incivilizadas essas atitudes que demonstram nossa pobreza Republicana.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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