A religião e a crença

O pastor Sérgio Von Helder da Igreja Universal do Reino de Deus que chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em um programa de TV, chocou os católicos e muitos fiéis da seita atribuem-lhe ser uma atitude pessoal, para justificar a sua atitude.

 Esse elemento não respeitou a Constituição brasileira que garante a liberdade do credo religioso, tudo para se exibir e demonstrar a sua verdade ofendendo a milhões de católicos. Diz a Constituição da República Federativa do Brasil em seu artigo 5º item VI: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantia, na forma da lei, a proteção nos locais de culto e a suas liturgias.

Muita gente critica a Igreja Universal do Reino de Deus, comandada por Edir Macedo, pela exigência de contribuição exagerada dos fiéis além do dízimo e ofertas. O dízimo é uma instituição milenar que está na Bíblia e religiosamente legal. Utiliza-se para manter e custear as despesas da igreja, porém sem imposição. A Igreja aceita a consciência do dizimador como verdadeira.

Há contudo de se combater o rancor entre as religiões, pelo princípio do livre arbítrio e do entendimento da verdade de cada pessoa, ainda que divergentes, o diálogo faz parte da convivência pacífica e esclarecedora. Há de haver respeito pela crença do outro, em assim agindo, não haverá violência nem afronta ao ideal e escolha de cada um, em defesa da sua convicção segundo o seu entendimento.

Uma das iniciativas do Papa João Paulo II, o polonês Karol Wotyla, foi, quando em 2001, pediu formalmente perdão a todas as vítimas das perseguições religiosas movidas pela Igreja Católica. Essa atitude do Papa representa a abertura de um diálogo inter-religioso que o pastor Von Helder desconsiderou em nome da sua religião. Há de se defender não só o diálogo da paz, mas também a moderação de atos incompreensíveis praticados pelas religiões. A intolerância assume contornos perigosos quando a juventude se engaja nessa problemática atiçada por ideias de adultos contaminados pelo ódio.

“Intolerância religiosa é um termo que descreve um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas. Que somadas a falta de habilidade ou a vontade em reconhecer e respeitar diferentes crenças de terceiros, é considerado um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana”. (Wikipédia)

“Deus é real”. “Podemos estar com Deus ou contra Deus, mas jamais sem Deus”. Todas as religiões têm uma finalidade, um objetivo: salvar a alma e, para isso, procuram seguir o Ser Superior para tal finalidade. A mudança de religião é um ato de dúvida, mas não inevitável, seja feita a vontade de quem assim deseja, é uma questão de opção.

Com relação à morte ela é inevitável, não há outra alternativa: nascer e morrer são inerentes à vida. O poeta José Walter disse: Morro contrariado, porém, é a única certeza da vida.

A afirmação de céu e inferno não nos convence, mas o julgamento divino, com certeza, será feito. Cada indivíduo é responsável pelos seus atos – a moral, a justiça social, a ética e a religiosidade entre outros valores, serão avaliados.

A maioria das religiões acredita na imortalidade da alma. A vida deve ser vivida a cada momento e o destino se encarregará de cumprir a missão que foi reservada ao homem. A família do morto deve encarar o fato como inevitável, mas é um tormento muito doloroso, ver-se separado do ente querido, ficam inconformados com a perda. Essa decisão compete somente a Deus. Fica apenas a saudade, a lembrança que o tempo não apaga.

“A vida não termina com a morte, porque ela é apenas uma passagem para uma vivência muito mais intensa e profunda. Com a morte, ingressamos no amor de Deus. Já não faremos parte desta realidade terrena, porque Deus nos acolherá em seu amor”. (Canção Nova).

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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