ADEUS PRESIDENTE MOLUSCO

Chegou ao fim a era do presidente metalúrgico, quase analfabeto, retirante nordestino e monoglota com grandes dificuldades em seu idioma pátrio. Também chegou ao fim o governo do homem mais amado e popular da história da República, dos panacéicos avanços sociais e do silêncio opressivo das opiniões. Chegou ao fim a administração campeã em inaugurações de pedras-fundamentais, obras imaginárias e das verdades inventadas. Apaga-se a luz da ribalta onde o artista desfiou seu novelo, sempre cercado de uma plateia de picaretas pronta a rir, aplaudir e endeusar qualquer macaquice da estrela-mor.

Acabou o tempo do falso ineditismo, do nunca antes na história deste país. Acabou o tempo do homem que refundou o conceito de eleitor e de cidadão, transformando-os em beneficiários ou despossuídos. Fecham-se as cortinas para o espetáculo do ator que chancelou o top-top e os recursos não contabilizados, que abraçou carinhosamente bandidos, mensaleiros e sanguessugas e que beijou a mão de reis, rainhas e, sobretudo, dos oligarcas feudais brasileiros. A contagem regressiva dos últimos minutos de 2010 também são a poeira de tempo que marcará nosso adeus eloquente ao Ali-Babá tupiniquim. Pena que os quarenta ladrões ainda continuarão soltos e na ativa. Por pouco tempo, espero.

Há exatos oito anos, o Brasil festejava o fim da linha de um presidente letrado e de didática e diplomática economia. Fernando Henrique Cardoso deixou o Palácio do Planalto com a popularidade em baixa e sob intensos protestos à sua gestão. Isolou-se. Viu seus sucessores tucanos serem aniquilados pelo petismo e, principalmente, pelo lulismo. Mas, com a pertinência do tempo ultradinâmico que vivemos, quis a História que seu legado fosse rapidamente reconhecido e consagrado, mesmo que a despeito da cambada que atualmente governa o país, os corações e as mentes. Em seu silêncio contemplativo, FHC é um dos homens mais importantes da contemporaneidade.

Farsa criada por uma esquerda que provou-se dialeticamente corrupta, Luiz Inácio Lula da Silva ainda acredita que dominará o curso das páginas históricas. Acusa de loucos aqueles que discordam de sua autoproclamada opinião pública. É a glória dos nauseabundos professores marxistas que infestam nossas escolas e universidades e que, mesmo laureados, continuarão a ganhar tão pouco quanto sua teoria falida. E Lula, o homem, não o molusco, verá seu império prestidigitador ruir. Ainda que seu nome, inconstitucionalmente, substitua Tupi, continuará no fundo do poço de si mesmo, fã de sua própria imagem e iludido com o altar de deus por ele criado e de onde considera-se inamovível. Por algum tempo permanecerá no imaginário de sua quase unânime e duvidosa popularidade. Mas o tempo ser-lhe-á cruel. Passará à História como um bufão, ufano e pinguço, titular do governo mais larápio e bravateiro que esse país já conheceu.

É na Inglaterra do século XVI, às margens de sua Era de Ouro, que encontramos uma grande lição sobre o poder e a memória do povo. Ao ser preso por sir Francis Walsingham, acusado de traição e conspiração contra a rainha Elizabeth I, em 1571, o quarto duque de Norfolk disse: “Corte minha cabeça. Faça-me um mártir. Mate-me e todos jamais se esquecerão de mim”. Muito sábio e perspicaz, Walsingham ordenou sua prisão e, antes do machado cair sobre o pescoço de Norfolk, concluiu: “Sim, eles vão esquecer-te”. E podem apostar: mesmo que sua alcunha cefalópode emplaque um poço de petróleo, Lula será esquecido. Ou pior: se lembrado, o será por suas bizarrices, pelo populacho de suas ações e expressões e pelo ufanismo que o consumiu no poder. Finalmente seus acéfalos dias de poder chegaram ao fim. Adeus, presidente molusco!

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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