Agosto Verde traz alerta de prevenção à Leishmaniose

Também conhecida como calazar, doença não tem cura e afeta animais e humanos

 

Por: Juliete Neves

 

Para quem convive com cães, é bem provável que já se entristeceu por ver seu cãozinho adoecer ou morrer com leishmaniose visceral. A enfermidade, popularmente conhecida como Calazar, é uma zoonose que acomete animais e seres humanos, podendo ser fatal se não tratada. A infecção ocorre por meio da picada do flebótomo infectado, inseto predominante em regiões quentes e úmidas, muito frequente aqui no Brasil.

“A Leishmania, que é o protozoário causador das Leishmaniose, é transmitida pelas fêmeas do vetor, que são hematófagas, ou seja, alimentam-se de sangue ao anoitecer ou amanhecer. Estes insetos são minúsculos, medindo cerca de 2 a 3 milímetros de comprimento e, devido ao seu tamanho, podem atravessar as malhas de mosqueteiros e tela”, explica Melissa Abbehusen, professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Unime.

A especialista descreve as características do transmissor. “Apresentam cor amarelada e, de acordo com a localidade são chamados de diferentes nomes; sendo os mais comuns: mosquito palha, tatuquira, birigui, cangalinha, asa branca, asa dura e palhinha. Diferente das fêmeas, os machos não participam na transmissão da Leishmania, possuem mandíbulas rudimentares, e se alimentam de matéria orgânica em decomposição, como folhas, frutos, lixo orgânico e fezes de animais”, diz a docente, também autora de tese de Doutorado sobre o tema.

Após ser picado pelo inseto infectado com a Leishmania, o cão poderá se infectar, desenvolver um intenso parasitismo e se tornar um reservatório do protozoário. Se um outro inseto não infectado picar aquele cachorro, irá ingerir o sangue parasitado com a Leishmania onde este parasito passará por uma série de modificações no intestino do vetor, podendo transmitir o parasita para outro animal ou até para o ser humano.

Não há cura para a enfermidade, portanto, as formas de prevenção para os seres humanos envolvem “uso de telas em portas e janelas, mosquiteiros, repelentes, recolhimento nas horas em que o vetor costuma se alimentar. Além disso, é importante manter as áreas residenciais e casinhas dos pets sempre higienizadas e teladas, realizar podas das árvores, coleta adequada de lixo e materiais orgânicos”, orienta Melissa.

Uma estratégia preventiva de saúde abrange o combate aos insetos em áreas mais afetadas. “No âmbito coletivo, podem ser realizadas ações de controle químico do vetor realizadas pelas autoridades de saúde”, diz a estudiosa do assunto.

De modo geral, é importante observar se os cães apresentam todos ou alguns sinais destacados abaixo:

  • Pelo opaco, rarefeito e quebradiço;
  • Lesões em focinho, ponta de orelhas e região em volta dos olhos;
  • Apatia;
  • Crescimento exacerbado das unhas;
  • Perda de peso, emagrecimento progressivo e anorexia;
  • Aumento do volume abdominal (fígado e baço aumentados);
  • Mucosa pálidas

O diagnóstico da leishmaniose pode ser direto ou indireto. O diagnóstico indireto mais comum é o sorológico — onde são detectados no sangue a presença da reação de anticorpos contra o agente. Já o diagnóstico direto se identifica a presença do parasita. Dentre os métodos diretos temos a citologia, cultura e PCR.

Dentro das estratégias de prevenção voltadas para os cães incluem o uso de inseticidas em coleiras e vacinação dos pets que residem ou frequentam áreas endêmicas.

O tratamento da Leishmaniose Visceral Canina já é uma realidade, porém sem garantia de cura. Ele reduz o parasitismo cutâneo e os sinais clínicos porém o cão precisa estar em uso constante de coleira inseticida e ser acompanhando por Médico Veterinário.

Foto de capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

Os comentários são de responsabilidade de seus autores.

Deixe seu comentário

Categorias ,