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Ativista celebra patrocínio de Malala: ‘O discurso dela é importante para as meninas indígenas’

Projeto de educação na Bahia e outras duas iniciativas de SP e PE serão os primeiros da América do Sul a receber verba do fundo criado pela ativista paquistanesa ganhadora do Nobel da Paz.

Por G1 Bahia

Em sua primeira visita ao Brasil, a ativista Malala Yousafzai anunciou que irá patrocinar três projetos do país para a educação das mulheres. Entre eles, está o da professora Ana Paula Ferreira de Lima, coordenadora da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), com sede em Salvador. A iniciativa será umas das primeiras na América do Sul a integrar a Rede Gulmakai e aplicará a verba do fundo criado pela paquistanesa ganhadora do Nobel da Paz na formação de meninas indígenas na Bahia.

“Ela [Malala] transmite energia muito forte. Esse discurso dela, de que as meninas precisam levantar sua voz, precisam lutar pela educação, é muito importante para as meninas indígenas, porque elas se sentem mais motivadas em continuar estudando, em voltar para estudar, em voltar para a escola”, contou a educadora da Anaí, em entrevista ao G1.

Além do projeto de Ana Paula, também serão patrocinados por Malala o Ação Educativa (SP) e o Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (PE). A Rede Gulmakai é uma iniciativa do Fundo Malala para patrocinar homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de garotas em todo o mundo.

Encontro

Ana Paula e Malala estiveram juntas durante vista da paquistanesa ao Centro Histórico de Salvador nesta terça-feira (10). Malala caminhou pelas ruas do Pelourinho, conheceu pontos turísticos e visitou as sedes do Olodum e da Anaí.

Foto: Itana Alencar/G1 (Reprodução)

Ana Paula Ferreira atualmente trabalha com a promoção de alternativas de relacionamento entre a sociedade brasileira e os povos indígenas no país por meio da Anaí, organização que atua na causa há cerca de 40 anos.

De acordo com a educadora, a escolha da organização pelo Fundo Malala se deu a partir da indicação de gestores do Museu Nacional do Rio de Janeiro, uma das maiores instituições de história natural e de antropologia das Américas.

“O Fundo entrou em contato com o Museu comunicando que estava procurando algumas organizações para poder trabalhar junto. A antropóloga Daniela Alarcón, que trabalha com povos indígenas da Bahia, fez esta ponte entre a Anaí e o Fundo”, disse.

Aos representantes da entidade fundada por Malala, Ana Paula apresentou um projeto de sua autoria para trabalhar com educação de meninas indígenas da Bahia. A ideia da educadora foi aprovada por representantes do Fundo Malala, e ela foi convidada oficialmente a fazer parte da Rede Gulmakai.

De acordo com a professora, além de patrocinar este projeto da Anaí, o Fundo vai permitir que demais integrantes da organização recebam treinamento de liderança e de ativismo para dar prosseguimento ao trabalho social voltado aos povos indígenas.

Ativistas

O projeto de São Paulo que também será patrocinado pelo Fundo Malala é de Denise Carreira, coordenadora-executiva da Ação Educativa, uma ONG fundada em 1994 e que tem como um dos pilares a luta pela igualdade de gênero e raça nas escolas.

Denise afirmou que mais importante que o recurso financeiro é o reconhecimento político da causa. “O recurso é sempre limitado, o importante é o reforço da agenda da igualdade de raça. O Fundo Malala reconhece e credita a causa a uma luta maior e o reconhecimento político é a grande conquista”, diz Denise.

O terceiro projeto é de Pernambuco: o Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), com sede em Recife e coordenado por Sylvia Siqueira Campos, de 36 anos. Segundo ela, a organização foca no apoio a comunidades indígenas e da população negra, por entender que o racismo é um dos principais elementos que levam à desigualdade social.

Rede Gulmakai

A Rede Gulmakai foi batizada por uma inspiração antiga: Gulmakai era o pseudônimo que Malala usava quando tinha apenas 11 anos e escrevia um blog em Urdu para a BBC sobre os desafios que as garotas enfrentavam para conseguir estudar no Vale do Swat, sua terra natal no Paquistão, que caiu sob o domínio do Talebã.

Por causa do seu ativismo pela educação das mulheres, Malala sofreu um atentado em 9 de outubro de 2012. Então com 15 anos, ela foi baleada na cabeça por talibãs quando saída da escola. Ela sobreviveu e precisou se mudar para a Inglaterra com a família.

Em 2014, Malala se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz e, desde então, seu atuação para garantir que meninas possam frequentar a escola tem se expandido pelo mundo.

Atualmente, a rede de Malala financia o trabalho de 22 ativisitas em prol da educação de meninas no Afeganistão, Índia, Líbano, Nigéria, Paquistão e Turquia.

Foto de Capa: Egi Santana/ G1 (Reproduçaõ)

Jornal do Sudoeste

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