Banco Mundial reduz projeção de crescimento do PIB global neste ano

O relatório do banco apontou para um crescimento global de 1,7%, porém a taxa ficou abaixo das previsões anteriores

Por: Nathália Ramos Guimarães/Brasil 61 

 

O último relatório de Perspectivas Econômicas Globais do Banco Mundial (Bird) reduziu suas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2023. A inflação elevada, o aumento da taxa de juros por bancos centrais e a guerra entre Rússia e Ucrânia são fatores que contribuem para esse cenário. O relatório apontou para um crescimento global de 1,7% neste ano, com alta prevista de 1,3 ponto porcentual, abaixo das previsões anteriores.

De acordo com o conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Oliveira, é necessário refletir sobre os últimos anos para entender as causas da redução do crescimento. “Estamos quase no terceiro ano, saindo de uma pandemia muito cruel com a população mundial. Isso fez com que vários produtos, principalmente os produtos primários, ou seja, os produtos alimentícios agrícolas se  elevassem, causando inflação”, afirma.

O economista também explica que a guerra da Rússia contra a Ucrânia completa mais de um ano. Ambos os países são produtores mundiais relevantes, devido ao petróleo e produção agrícola. “Isso faz com que os produtos se elevem, ocasionando e prejudicando a grande maioria da população brasileira e mundial”, destaca.

O Banco Mundial aponta que a desaceleração nas economias avançadas, com cortes em sua previsão para 0,5% para os Estados Unidos e zona do euro, podem ocasionar em uma nova recessão global. “Dada a fragilidade das condições econômicas, qualquer novo desenvolvimento adverso poderia empurrar a economia global para a recessão”, afirma o banco em comunicado que acompanha o relatório.

Para os países emergentes e em desenvolvimento, as perspectivas econômicas são ainda mais difíceis. Além da responsabilidade com as dívidas, as moedas e o crescimento da renda são fracos.

De acordo com a pesquisa, há uma desaceleração do investimento empresarial, com uma taxa de crescimento anual de 3,5% nos próximos dois anos, um número abaixo dos anos anteriores. O crescimento per capita nesses países também segue reduzindo, com uma uma média de 2,8%.

No Brasil, a previsão é de que haja um crescimento de 0,8% neste ano, com as altas taxas de juroS e a desaceleração das exportações. Carlos Oliveira informa que, além disso, a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um fator importante que interfere na economia do país. “O grande desafio do presidente Lula é procurar alternativas para a retomada do crescimento econômico”, declara.

O crescimento da economia brasileira, em 2023, pode não ser tão alto quanto o esperado, mas o economista espera que seja um período de ajuste para a retomada nos próximos anos.

Foto de capa: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Jornal do Sudoeste

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