Biografia

MANOELITA COQUEIRO GAMA, (NITA GAMA).

*18/06/1939†08/07/1995

JOÃO PIRES GAMA *28/01/1933†05/10/2015

Manoelita Canguçu Coqueiro nasceu no dia 18 de junho de 1939, na fazenda Santa Luzia, que pertencia a seus pais, localizada no município de Brumado, comarca de Ituassú-Bahia (atualmente a fazenda está no território do município de Malhada de Pedras-Bahia), tendo como testemunhas do nascimento Alvino Machado e Arthur Cardozo Paixão. Filha de Pedro Coqueiro Filho e Djanira Maria (Dêja) Coqueiro Canguçu.

 Seus irmãos: Custódio Porto Coqueiro, Clóvis Porto Coqueiro (carinhosamente conhecido como Clóvis do Cavaquinho), José Coqueiro sobrinho, (Dedé Coqueiro), João Gualberto Porto Coqueiro, Maria de Lourdes Porto Coqueiro, Ademar Porto Coqueiro, Sebastião Porto Coqueiro, Nilson Porto Coqueiro e Áurea Coqueiro, Maria Amélia Canguçu Coqueiro. Além dos filhos biológicos, seus pais adotaram Eudésio Paulo dos Santos, que residia nas proximidades da Fazenda Santa Luzia, por quem Nita sempre teve muito carinho, respeito e amor, como aos demais. Os irmãos Custódio, Clóvis e João Coqueiro aderiram à música e se tornaram muito conhecidos na cidade de Brumado.

Em 30 de novembro de 1952, Manoelita concluiu o curso primário em uma escola da própria fazenda onde morava. Posteriormente teve o curso certificado pela professora Carlita da Silva Gomes, residente em Brumado.

 Nita Gama, como era carinhosamente conhecida, iniciou sua vida profissional ainda solteira, em 1957, na empresa Magnesita S/A, como Auxiliar de Escritório. Nessa época, ela mudou-se da Fazenda Santa Luzia para uma casa de propriedade de seus pais em Brumado.

 O casamento religioso de Manoelita e João Pires Gama foi realizado em Vitória da Conquista, em 1º de novembro de1962. O casamento civil ocorreu em 14 de janeiro de 1963, em Brumado, ato oficiado pela juíza Magna Maria Pereira Santos, tendo como testemunhas Geonísio Viana e sua esposa Jovita Santos Viana e José Coqueiro Sobrinho. Em virtude do casamento, a nubente passou a assinar Manoelita Coqueiro Gama.

O casal teve cinco filhos: Maria das Graças Coqueiro Gama (1963) (falecida aos seis meses de vida), Mauro Sérgio Coqueiro Gama, Maria José Coqueiro Gama (Zezé) (1966), Marta Aparecida Coqueiro Gama (1969) (mãe de Melyssa), Márcia Conceição Coqueiro Gama (casada com Nélio da Silva Pereira, mãe de Quézia Victória e Marcelle Joanne).

Em 1974, já casada e com 4 filhos, ela retomou os estudos e concluiu o 1º grau pelo Ensino Supletivo no Colégio Estadual de Brumado.

 Em 1977, enquanto cursava o Magistério, trabalhou no Colégio Estadual de Brumado como Adjunto de Secretaria, estudando pela manhã e trabalhando à noite. Em 1980, foi designada pelo Ministério da Educação e Cultura para exercer a função de Coordenadora Regional da CNAE (Campanha Nacional de Alimentação Escolar), conforme portaria Nº 69 de 17/07/80

 Em 1978, concluiu o curso de Magistério no C.E.B, porém não exerceu a função de professora. Também fez cursos de Auxiliar de Enfermagem e Obstetrícia, colocando sempre em prática seu aprendizado. O curso de Auxiliar de Enfermagem e obstetrícia foi feito por correspondência no Instituto Guanabara, do Rio de Janeiro.  O conhecimento e a prática foram realizados auxiliando médicos locais em atendimentos domiciliares a doentes e parturientes.

 Profissionalmente, Manoelita teve uma vida bastante intensa, pois, como enfermeira obstétrica (Curso Guanabara, 1971, Rio de Janeiro), dedicou-se aos cuidados de parentes, vizinhos, amigos, família, correligionários políticos, enfim, a qualquer enfermo que dela precisasse, fosse dia, noite ou fim de semana. Fez muitos partos, sendo que, na maioria deles, ganhava o recém-nascido como afilhado.

 Como Adjunto de Secretaria, conquistou muitas amizades no Colégio Estadual de Brumado (CEB), muitas delas preservadas por seus filhos e esposo. Enquanto Coordenadora Regional da Merenda Escolar, ela viajava para vários municípios da região, entre eles: Aracatu, Malhada de Pedras, Rio do Antônio, Caculé, Tanhaçu, Ituaçu, Livramento de Nossa Senhora, Barra da Estiva e Mortugaba.

Em todos os municípios por onde trabalhou, fez muitas amizades. Em virtude disso, era convidada a ser patrona de formatura, a ser madrinha de casamento e de batismo. Daí a centena de afilhados que conquistou durante toda sua vida.

A Coordenação Regional da Merenda Escolar foi seu último trabalho, do qual saiu em 1989, fato ocorrido em nível nacional por uma reestruturação da CNA, que culminou no modelo atual de municipalização das compras, preparo e distribuição da merenda escolar.

Para evitar o ócio e até mesmo uma depressão, após sua saída do setor da Merenda Escolar, ocupou-se com costuras, fez curso de florista, confeccionou arranjos em casa. Destemida e empreendedora, desenvolveu atividade de fabricação de tijolos em olaria.

Manoelita era considerada por todos que conviveram com ela uma pessoa alegre, humana, solidária. Gostava de frequentar festas acompanhada de seu esposo e amigos, no Clube Social de Brumado, no Clube de Catiboaba, na União Operária Recreativa, além de festas de aniversário, formatura e casamentos.

 Sentia prazer em viajar – foi ao Rio de Janeiro acompanhada de sua colega Artemísia (de Livramento) participar de um curso da CNAE. Voltou maravilhada e feliz por ter conhecido o monumento do Cristo Redentor, hoje, eleito uma das oitavas maravilhas do mundo moderno.

Seu passatempo predileto estava na zona rural, pois Nita apreciava apaixonadamente a pesca. Sempre que ia à fazenda, visitar seu irmão adotivo Eudésio, (falecido em janeiro de 2015), nas proximidades da Fazenda Santa Luzia, Nita preparava, com muita dedicação suas ferramentas de pescaria, para essa finalidade.

A música para ela era indispensável e tornou-se um bálsamo para sua alma e seu coração. Era na música que Dona Nita se recompunha como ser e se sentia feliz, ora com o violão, ora com a sanfona, instrumentos da sua predileção.

Deitada em uma rede em seu quintal ou sentada na sala, sozinha ou acompanhada, cantava e tocava músicas católicas, sertanejas ou MPB. Nesse momento sabíamos o quanto a música era para ela importante e prazerosa. Também gostava de escrever poemas ou textos em prosa e possuía caligrafia refinada e artística.

À Nita eram atribuídos dons mediúnicos kardecistas, mas ela era católica fervorosa, Vicentina de coração e convicção. Foi membro do grupo caritativo Luísa de Marillac, do Apostolado da Oração e Carismáticos.

 Juntamente com seu esposo, em 1972, na comunidade rural de Poções, em Caetité, participou ativamente da reforma e ampliação da Capela de Nossa Senhora das Graças, de quem era devota.  A Capela foi reinaugurada pelo Monsenhor Osvaldo Magalhães, à época, pároco de Caetité, por quem toda a família tinha muita amizade e respeito.

Nas atividades católicas, Nita Gama fundou, em Brumado, na década de 1980, o Grupo de Jovens Sol Nascente que, além de cantar nas igrejas da cidade, era constantemente convidado para apresentações nas cidades vizinhas. O grupo musical viajava em camionete, ônibus e caminhão para se apresentarem.

Nita não se importava com o desconforto das viagens, pois, para ela, o mais importante era a alegria do contato com aqueles jovens que sempre a acompanhavam. Alguns dos músicos, após a dissolução do grupo, seguiram carreira artística em duplas, ou carreira solo, em bandas

Tinha profundo respeito e carinho pelo Monsenhor Antônio da Silveira Fagundes, pároco local. Considerava-o um grande amigo e conselheiro, assim como Monsenhor Osvaldo Magalhães de Caetité. A irmã (Freira) carmelita também se tornou sua grande amiga assim que chegou a Brumado.

Sua vida teve marcas alegres e dolorosas: a tristeza e desespero pelas mortes de seus pais e irmãos, acompanhados bem de perto por ela. A dor da morte de Clóvis Coqueiro, seu irmão mais novo, a afetou especialmente. Minutos antes de ele ir para o trabalho, onde sofreu um infarto fulminante, esteve em sua casa, abraçou-a fortemente e disse-lhe que a amava muito.

Diante das dificuldades enfrentadas, Nita e família nunca, em nenhum momento, se desesperaram.  A fé em Deus foi o motivo para a reversão de tais situações, que foram encaradas com resignação e obediência a Deus. Contaram sempre com a solidariedade dos amigos e parentes.

Nita Gama, também, ingressou na política brumadense. Em 1976, pelo antigo MDB, participou ativamente da renovação da política municipal em Brumado. Foi candidata a vereadora e teve sua candidatura convertida a candidata a prefeita, 15 dias da realização das eleições, em razão da impugnação da candidatura de seu colega partidário Dr. Gilberto Alves Teixeira.

Nessa campanha, o MDB foi vitorioso, tendo o seu companheiro de partido, Agamenon Lima de Santana, sido eleito prefeito para o período 1977/1980, prorrogado pelo Regime Militar até 1982, para coincidência dos mandatos. Embora não se elegendo, Nita Gama, foi a primeira mulher brumadense a candidatar-se a prefeita.

Em 1988, novamente candidatou-se a vereadora com o lema: Amizade, Justiça e Trabalho, tendo como adversários José Carlos dos Reis e Edilson Lima, candidatos a prefeito e vice-prefeito, respectivamente. Por alvedrio, Nita Gama decidiu não mais participar de disputas eleitorais. Porém, exerceu com seu esposo, forte influência na política local. Ainda hoje, seu nome é bastante lembrado pelos políticos que tiveram seu apoio na época.

 Em reconhecimento aos seus serviços prestados à comunidade, seu nome foi indicado pelo então vereador José Luiz Alves Ataíde, apoiado por unanimidade de seus pares, para nomear a praça que faz a intersecção entre as avenidas Otávio Mangabeira/Mestre Eufrásio/João Paulo I, inaugurada na gestão do Prefeito Eduardo Lima Vasconcelos.

Quando ficou doente, foi a primeira a se diagnosticar com base na sua experiência de enfermeira, antes mesmo do diagnóstico dos médicos e conhecimento dos familiares. Manteve-se resignada até seu último momento, sem reclamar pelo seu estado de saúde, confiante nos desígnios de Deus. Durante o tratamento, fazia constantes viagens a Vitória da Conquista e Salvador, com internamentos e sessões de quimioterapia. Mesmo durante a doença terminal não manifestou mágoas ou ressentimentos aos que não concordavam com o seu posicionamento político ideológico.

A sua vida foi baseada na ética, na solidariedade, na justiça, no amor ao próximo, e a sua participação na integração político-social, buscou a defesa dos mais humildes.

Manoelita Coqueiro Gama, Nita Gama, faleceu no dia 8 de julho de 1995, aos 56 anos, no SAMUR, em Vitória da Conquista. O óbito foi firmado pela Dra. Maria Lygia G. Vieira e declarado em cartório, por Mauro Sérgio Coqueiro Gama (filho). O corpo está sepultado no cemitério municipal Senhor do Bonfim, em Brumado. Obviamente, não chegou a conhecer suas netas Quézia Victória, Melyssa e Marcelle.

Os que se lembrarem de Manoelita Coqueiro Gama, popular Nita Gama, lembrar-se-ão automaticamente dos adjetivos: solidariedade, carisma, simplicidade, justiça, humildade, amizade e ética, nos seus sentimentos mais amplos de amor ao próximo, como determinou Jesus Cristo.

João Pires Gama nasceu no dia 28 de janeiro de 1933 e é filho de Manoel Gama e Maria Pires Gama, trabalhadores rurais. Homem simples e de poucos estudos, concluiu apenas o ensino primário, mas com uma visão muito ampla da vida, galgou o sucesso laboral.

 Na década de 1950, João residiu em São Paulo, onde trabalhou como garçom. Em 1959, no retorno de São Paulo, trabalhou como gerente do hotel Brasília (Brumado) administrado por Álvaro Dantas e sua esposa Dona Sinhá. Simultaneamente, manteve, com seu pai, uma barraca de cereais na feira municipal de Brumado, a qual perdurou até 1968.

Nessa época, enfrentou uma crise financeira que levou o casal a vender a casa onde residia, na Avenida Dr. Antônio Mourão Guimarães e ir com os dois filhos (Mauro e Zezé) bem pequenos para a zona rural de Caetité, a fim de trabalhar como empreiteiro da Magnesita S/A, na fabricação e comércio de carvão vegetal. Lá recebeu da família Prates da vizinha comunidade de Poções (Caetité) grande apoio para esse desiderato, com um acolhimento muito afável. “São amizades que perduram consolidadas, por se tratar de pessoas de conceito e critérios indestrutíveis, gente de nossas considerações”, relatou de Zezé.

Com o fim do uso do carvão vegetal pela Magnesita, João Pires Gama retornou para Brumado, onde montou um pequeno armazém na Av. Dr. Antônio Mourão Guimarães.

Em 1966, candidatou-se a vereador pelo MDB no governo de Juracy Pires Gomes, para o período de 1967/1971 e ocupou o cargo de 2º Secretário da Mesa Diretora da Câmara no período de 1969/1970 e participou de diversas comissões. Em 1972, reelegeu-se vereador pela sigla da ARENA. Em 17/04/1973 renunciou ao cargo eletivo por divergências com o prefeito da época e foi substituído pelo suplente Juvenal Malheiros Dias. Após a saída de Agamenon Lima de Santana do governo municipal, ocupou, o cargo de Encarregado da Limpeza Pública, na gestão de Dr. Juracy Pires Gomes (1983-1987).

Os dados para composição desta biografia foram fornecidos por Mauro Sérgio Coqueiro Gama e sua irmã Maria José Coqueiro Gama (filhos), aos quais agradecemos a colaboração.

ADITIVO EM 05/10/2015:

Faleceu o ex-vereador João Pires Gama, com 82 anos de idade, ocorrido em Vitória da Conquista, onde estava internado. O velório foi realizado no Salão Paroquial e o sepultamento em 06/10 às 16 horas, no Cemitério Senhor do Bonfim (cemitério antigo).

 

 

 

Foto: Divulgação

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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