Instituto Nacional de Câncer aponta que dados orientam planejamento de políticas públicas e ações no SUS
POR BIANCA MINGOTE – AGÊNCIA BRASIL 61
A publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano até 2028. A projeção cai para 518 mil casos anuais quando excluídos os Tumores de Pele não Melanoma, de alta incidência, mas baixa letalidade. Os dados foram divulgados no Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro, no edifício-sede do Instituto, no centro do Rio de Janeiro.
Conforme o Inca, as previsões confirmam que o Câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil. Os dados demonstram, ainda, que os casos de Câncer se aproximam dos registros de Doenças Cardiovasculares e pode seguir como desafio central para o SUS nas próximas décadas.
O Instituto afirma que os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios que persistem em relação ao acesso à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
A Estimativa é elaborada e divulgada pela Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca a cada três anos. O objetivo é apoiar o Planejamento e a Vigilância em Saúde no curto prazo. Na avaliação do Inca, os dados da pesquisa orientam o planejamento de políticas públicas e de ações a serem realizadas no âmbito do SUS.
Os dados focam nos Tumores de maior magnitude epidemiológica e relevância na Saúde Pública.
Diagnósticos de câncer mais incidentes
Entre os homens, os cinco tipos de Câncer mais incidentes são os de Próstata, Cólon e Reto, Pulmão, Estômago e Cavidade Oral.
Confira a incidência entre os homens:
- Próstata (30,5%)
- Cólon e Reto (10,3%)
- Pulmão (7,3%)
- Estômago (5,4%)
- Cavidade Oral (4,8%)
Já entre as mulheres, predominam os Cânceres de Mama, Cólon e Reto, Colo do Útero, Pulmão e Tireoide.
Confira a incidência entre as mulheres:
- Mama (30,0%)
- Cólon e Reto (10,5%)
- Colo do Útero (7,4%)
- Pulmão (6,4%)
- Tireoide (5,1%)
Em ambos os sexos, o Câncer de Pele não Melanoma permanece como o mais frequente. Os dados desse tipo de Câncer são apresentados separadamente em função da alta incidência de casos e baixa letalidade.
Pela publicação, os Cânceres com grande potencial de prevenção e detecção precoce são do Colo do Útero e o Colorretal.
Estimativas mostram também diferenças regionais em relação à incidência de diagnósticos. De acordo com o Inca, as diferenças observadas refletem desigualdades nos padrões de comportamento dos indivíduos, no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
A análise considerou fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais e ao acesso desigual aos Serviços de Saúde.
Confira o recorte regional de indecência:
- Câncer do Colo do Útero está entre os mais incidentes no Norte e Nordeste;
- Câncer de Estômago tem maior incidência entre os homens no Norte e Nordeste;
- Tumores associados ao tabagismo (Pulmão e Cavidade Oral) são mais frequentes no Sul e Sudeste.
Em nota, o chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação da Conprev, Luís Felipe Martins, destacou que as estimativas publicadas em diferentes edições não devem ser comparadas diretamente entre si. A justificativa é de que as informações não se destinam à construção de séries históricas de incidência, já que as fontes de informação, como os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), vêm apresentando avanços em cobertura, qualidade dos dados e redução de sub-registros.
Dicas de prevenção e diagnóstico precoce
O Inca orienta que a população tome algumas inciativas para a prevenção contra o Câncer, com chance de aumentar as possibilidades de cura e redução da mortalidade. Por exemplo, a vacinação contra o HPV – que previne Câncer do Colo do Útero.
O controle do tabagismo também é indicado como como uma das medidas mais eficazes de prevenção de diferentes tipos de Câncer, além de evitar o consumo de álcool.
Veja mais orientações do INCA:
- Alimentação saudável;
- Atividade física.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil




