Carnaval e festas populares

No Brasil o carnaval se originou no período colonial, precisamente em 1723, com o chamado Entrudo (do latim introitos: entrada da quaresma), folguedo de origem português. Os festejos carnavalescos chegaram a Portugal nos séculos XV e XVI, constituindo-se em brincadeiras agressivas, brutais e sujas.

 As ruas ficavam repletas de pessoas que encenavam verdadeiras lutas, em que as armas eram ovos crus ou suas cascas cheias de farinha ou gesso. As pessoas se molhavam reciprocamente, lançando baldes de água, limões de cheiro, bisnagas de tinta, além de brincadeiras diversas, compostas de ações que lembravam uma espécie de batalha.

 Em alguns bairros era tradição se atirar das janelas tachos e objetos sem serventia, com o intuito de acabar com tudo o que de velho existia em casa, ou comemorar com vassouradas e a bordoadas com colheres de pau ou outros objetos semelhantes. Por esse motivo em 1817, surgem os primeiros editais, fixados pelo intendente geral de polícia, para impor limites às pessoas nessa época festiva.

Durante o século XIX, por influência dos bailes de máscaras que proliferaram em Nice e Paris, além do aparecimento dos confetes e serpentinas, o Entrudo se modificou em sua organização e espaço ocupado. Embora alguns conservadores tivessem tentado manter tradição antiga, que cedeu lugar no início do século XX ao carnaval elegante e decente.

 O Entrudo português foi sendo adaptado, assimilando tradições africanas, como desfiles de bandeiras, ritmos e instrumentos de percussão. Os operários urbanos criaram as associações profissionais ao mesmo tempo desenvolviam as escolas de samba, institucionalizada em 1935.

Em 1840 foi realizado no Rio de Janeiro o primeiro Baile de Máscaras, importado da Europa pela elite, época que surgiu o confete, a serpentina e o lança-perfume. Em 1852 foi introduzido tamborins, pandeiros e mais tarte as cuícas. Em 1855 nasceram as Sociedades Carnavalescas, precursora do carnaval atual, com os carros alegóricos e desfiles no Sambódromo da Marques de Sapucaí. Em 1870 é criado o maxixe, um tipo de música para o carnaval, mas somente em 1898, foi consagrado com a marcha ‘Ô Abre Alas’, da Maestrina Chiquinha Gonzaga, feita especialmente para o bloco Rosa de Ouro.

Em Salvador, por volta de 1860, foram realizados arrojados Bailes de Máscaras, no Teatro São João. Em 1870 surgiu o Bando Anunciador do Carnaval e, em várias partes, eram realizados bailes em que a elite se divertia e exibia roupas, adereços e bebidas importadas da Europa, notadamente de Paris e Londres.

 Finalmente o carnaval popular (de diversas classes sociais) ganhou espaço alastrando-se pelos diversos lugares do país, comemorado num ambiente de alegria e descontração, tornando-se um símbolo nacional. Assim ficou configurado o Carnaval: Carnaval de rua (popular), Carnaval dos salões (Carnaval da elite) variando conforme a decisão da sociedade. O Carnaval se sobressai nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco, incluindo a cidade de Olinda, contudo é comemorado em todo país, ainda que em menor proporção e entusiasmo.

O atual Carnaval está bastante profissionalizado, por tratar-se de um produto turístico bastante atrativo e rentável, os trios elétricos são dotados de uma parafernália tecnológica transformando-se em um grande show de som, luzes e laser, criando um espetáculo imagético a partir desses recursos.

 Os camarotes são atrativos produzidos por muitos artistas que recebem convidados para apreciarem entusiasticamente a euforia da festa contagiante, os comes e bebes.

Carnaval é uma festa disseminada em todo o Brasil, consolidou-se apenas em meados do século XX e hoje tem diversas variantes regionais, que adotam ritmos e decorações específicos a cada local.

O Carnaval de rua é a festa do povo que pula, samba e brinca, cantando as músicas da época, as marchinhas de carnaval: Mulata bossa nova, Índio quer apito, Me dá um dinheiro aí, Se a canoa não virar, Chiquita bacana, Aurora, Tá-hi, Saca rolha, Cadê Zazá, A pipa do vovô, Teu cabelo não nega, Cabeleira do Zezé, Mamãe eu quero, Turma do funil, Ô abre-alas, Jardineira, Maria sapatão, Alah-Lá-Ô, Vapor de Cachoeira etc. e sambas em geral.

 CARNAVAL EM BRUMADO 1949/1950:

Entre 1949/1950, em Brumado, Oflávio Torres (Flavinho) associou-se a Chiquinho Gavião (Francisco Ramos da Silva), proprietário da Banda Lira, com os seus músicos componentes: Cochila, Esclepildes, Miranda, Benedito, Vavá, Tibúrcio, Lucílio, João Coelho (Binha) e outros, animaram o Carnaval da época. Seu Basílio Trindade foi pessoa importante nesse desiderato com o seu trabalho artístico.

Nesse Carnaval, Oflávio Torres (Flavinho), criou com o viajante Nacim Fauaze, um carro alegórico em cima de uma prancha que caracterizava um navio, cuja chaminé acionada, produzia uma névoa com talco da Magnesita, como se fosse fumaça. A prancha movia-se por meio de um caminhão e as componentes do bloco eram moças da sociedade, como Thelma Torres, Nely Azevedo, Maria de Lourdes Viana, Maria José Trindade, Dolores Machado, Zenaide Schetini e outras. As moças vestiam-se de marinheiro: roupas brancas com listras azuis. A comandante Thelma, dirigia a equipe com um apito e todas faziam continência e cantarolavam as músicas de então.

O povo se esbaldava pulando e cantado, num divertimento de alegrias, harmonicamente, sem violências nem desordem. O Carnaval é a festa popular mais celebrada do Brasil, festa do povo, um espaço para as manifestações sociais e de afirmação cultural popular. É uma expressão de sentimentos, caindo na gandaia pelas ruas da cidade. Nessa época, o Carnaval de Brumado restringia-se às ruas Exupério Canguçu e do Asfalto e às praças Cel. Santos e da Estação, onde se encerrava o desfile do bloco, quando havia a distribuição de picolés pela Sorveteria Íris, de propriedade de Oflávio.

 Muitos se fantasiavam, usavam lança-perfume (naquela época não havia qualquer restrição ao seu uso), arremessavam serpentinas e jogavam confetes. Pierrô, Colombina, mascarados, foliões trajando as mais variadas fantasias e os não fantasiados pulavam atrás da banda, participando da alegria proporcionada pelos folguedos e pelas músicas.

Naquela época, Chiquinho Gavião era proprietário do Cabaré Anjo Azul. As “mulheres da vida”, como eram tratadas, não faziam parte dessa festa de rua, por discriminação das famílias elitistas da época em relação a elas, que eram malvistas pela sociedade puritana. Dona Dazinha, esposa de Chiquinho, costurava as fantasias, e o esposo promovia, com a sua banda e os músicos componentes, um carnaval supimpa no cabaré Anjo Azul, com o devido respeito e decência, em ambiente festivo. Igualmente o cabaré BBR instalado no bairro São Felix e no meretrício da Rua da Gameleira animava os foliões frequentadores desse ambiente.

Em 1951, a elite passou a brincar o carnaval no Clube Social de Brumado, fundado por seu Agnelo Azevedo. Em 1954, os operários fundaram a União Recreativa de Brumado, espaço onde a classe operária se esbaldava nos animados bailes de Carnaval.

Em 1955, o senhor Agnelo Azevedo contratou o Jazz Ubirajara, com a direção de Lindembergue Cardoso, músico famoso da cidade vizinha de Livramento, que tocava vários instrumentos, para animar o Carnaval brumadense. Quando entraram em Brumado, anunciaram a sua chegada tocando a marcha Confetes Dourados. Deram uma volta pela cidade e foram se hospedar na pensão de Dona Maria Lisboa. Tocaram quatro noites e duas matinês. Dentre os componentes do grupo, merece referência o senhor Zé Primo (baterista), músico que aqui veio residir por muitos anos. Na sua vinda para Brumado, Zé Primo, trouxe um órgão eletrônico, novidade por aqui, e montou o conjunto ‘Os Zorbas’, banda que foi sucedida pelo Super Som 100. Ainda sob a sua iniciativa, surgiram as bandas Nova Geração e ZP5.

Em 1959, um Carnaval animadíssimo aconteceu no Clube Social de Brumado, com a eleição da rainha do carnaval, a senhorita Nely dos Santos Azevedo e das princesas Maria Helena Viana Machado e Alaíde Santana. A União Recreativa de Brumado também festejou o carnaval em seu prédio próprio. Ali os foliões desfrutaram, com muita alegria e disposição, essa festa emocionante.

 Manoel Branbão, funcionário do DERBA, festeiro, tinha um clube particular, onde também se realizavam muitas festas, inclusive carnavalescas.

CARNAVAL MODERNO:

 O Clube Social Cultural Recreativo de Brumado, fundado em 13/05/1972, promoveu   muitas festas dançantes e Carnavais, com bailes noturnos e matinês para as crianças e adolescentes.

Nely Azevedo relembra a época em que a cidade era ainda pacata: “Não havia nenhum perigo, jovens e idosos brincavam sem temer qualquer violência ou agressão física. Os membros dos blocos cantavam ao som dos acordes da banda de seu Chiquinho Gavião que tocava as marchinhas daquela época. Desfilava também o bloco ‘Puxa-sacos’ e as caretas caracterizadas.

 Havia uma tarde de carnaval com mulheres fantasiadas, usando muitas plumas e paetês. Nas manhãs de Carnaval, pessoas vestidas de animais: gatinhos, ursos e outros traduziam a imaginação do folião. Essa brincadeira consistia na imitação dos sons dos animais caracterizados que animavam a festa”.

Nely acrescentou: “Oflávio Torres (Flavinho), além de festeiro e carnavalesco, distribuía prêmios e foi grande incentivador do Carnaval e de outras festas em Brumado. Foi pioneiro na arte cinematográfica com o Cine Cairu, proporcionando mais opção de lazer aos brumadenses com os programas de calouro, aos domingos, com brincadeiras e participação de cantores amadores locais que divertiam a todos, portanto um homem progressista que desenvolveu outros empreendimentos pioneiros de que a cidade prescindia. Saudades, muitas saudades daquele tempo maravilhoso de inesquecível memória”.

“No Carnaval de 2014, intitulado ‘CarnaBrumado’ – Agora é para valer. Disse ela:  todos devem se divertir e nunca usar de violência, para que possam desfrutar os momentos de alegria dessa festa maravilhosa. Feliz Carnaval para todos!”. Concluiu Nely Azevedo.

RETROSPECTIVA: em 1926, com a chegada da primeira marinete (jardineira) à Vila Bom Jesus dos Meiras, foi organizada uma sociedade musical pelo Padre José Dias e pelo senhor Armindo Azevedo. Eles criaram, nessa época, as raízes do carnaval em Brumado, pois um ajuntamento de pessoas acompanhava a jardineira que levava os músicos, os quais eram responsáveis pela animação dos foliões que cantavam e sambavam ao som dos acordes das marchinhas, no percurso da Praça Cel. Santos (atual Armindo Azevedo) até a Rua da Gameleira.

Na década de 1970, os bares/restaurantes, a exemplo do Casarão, da Casa Branca etc., animaram seus frequentadores com artistas ao vivo, que cantavam músicas variadas do cancioneiro nacional.

Na comemoração do Centenário de Brumado (11/06/1977), o Trio Elétrico Tapajós animou o “Micaretão 100”, fato inédito em Brumado, que recebeu, pela primeira vez, um trio elétrico, no formato moderno e estilizado.

No Carnaval de rua de Brumado, o prefeito da época garantiu o sucesso dessa festa, contratando o trio elétrico Patury, que contou com a adesão maciça da população, num clima de tranquilidade e sadia alegria, característico do brumadense.

Em 1978, desfilando em um carro Brasília, entre a loja Cedol e a J. O. Neves, um grupo de jovens carnavalescos fez nascer o bloco Germes da Era, cujos componentes, todos homens, se vestiam com as cores que o caracterizavam: vermelho e branco. Inicialmente se apresentava no Clube Social.

 Em 1979, essa associação promoveu um concurso de blocos carnavalescos, sendo campeão o ‘Germes da Era’, que desclassificou o bloco Geração 80 e o Nem e Mé. Deu-se aí o início de um período competitivo entre os blocos.

 Em 1980, o Germes realizou o carnaval de rua, tornando-se o precursor do carnaval de rua em Brumado. Antes mesmo do trio elétrico, já se apresentava embalado pela banda Lira Ceciliana. Em 1983, as mulheres conquistaram o seu espaço no bloco. As crianças também tiveram a sua participação através do ‘Baby Germes’ que desfilava nas tardes do domingo e da terça-feira de carnaval.

Até 1980, o carnaval de rua era realizado até a meia-noite, quando os foliões se dirigiam ao Clube Social. Nesse mesmo ano, algumas mulheres resolveram desafiar o preconceito da época e entraram na folia do bloco Geração 80, por isso foram tachadas de “Galinhas” pela audácia da participação. O bloco Geração 80 transformou-se no bloco Poleirão. Na década de 90, este bloco extinguiu-se, porém, surgiram outros, como o bloco Galera 20, Explosão, Gata-Preta e Tô Legal.

A partir de 1981, o carnaval de rua de Brumado passou a ser reconhecido o melhor da região, pelas suas atrações e blocos, atraindo pessoas de cidades vizinhas que não festejavam o Carnaval. Foram construídos os primeiros trios a bateria que animavam os foliões com batucadas e cavaquinhos (guitarra baiana). Foi nessa época que surgiu, em oposição a Os Magnatas, o Trio Aguenta Coração, com músicos brumadenses, como Cloves Coqueiro e seu cavaquinho elétrico, famoso pela sua habilidade de instrumentista. Surgiu também a Banda Vírus.

Em 1982, a banda Os Magnatas encarregou-se de animar a campanha eleitoral sucessória de determinado candidato, a qual recebeu da oposição o nome “Maguari”, em alusão ao formato do trio, de um sorvete maguari da Kibon. O Sindicato dos Mineradores Organizaram o SINDSHOW que, ao som da banda Nova Era (posterior Bandativa), animava as festas de fins de semana.

Em 1989, trios modernos, mais bem equipados, vindos de outras cidades fizeram o carnaval eletrônico de Brumado com bandas e cantores, tornando-o reconhecido em âmbito estadual. Diante desse sucesso, o carnaval de Brumado passou a atrair, além de pessoas das cidades vizinhas, gente de outros Estados.

A década de 1990 marcou o surgimento das bandas Grupo Escala, O Lamba Samba, Discípulos de Edie, Urublues e, por último, a banda Mais Macho que Mulher.

Em 1996, foi fundado o bloco Explosão por pessoas aficionadas pelo Carnaval. Em 1997, esse bloco fez parceria com o Tô Legal, levando para o circuito as atrações: Gera Samba (Carla Perez), Pierre Onassis e Trio Tiradentes. Na diretoria dos festejos desse Carnaval, figuravam as seguintes pessoas: Miguel Lima Dias – presidente –, Vivaldo José Ferreira, Joilson José Tavares, Ivan Meira dos Santos, Márcio Augusto Valente Pinho, Hosanah Cotrim Rizério e Antônio Lúcio Vieira dos Santos.

Em 2002, surgiu o bloco Bandeira Branca, cujos componentes saíam pelas ruas centrais da cidade embalados pelo som de uma banda, tocando marchinhas antigas de diversos carnavais. Jogavam confetes e serpentinas e acenavam lenços brancos que expressavam a denominação do bloco com muita alegria. Os foliões eram bem entrosados e dele participava toda classe social, sem discriminação, além de proporcionar às crianças e adolescentes o deleite dessa festa.

Em 2003, com o apoio da prefeitura, foi incluído oficialmente na sua programação o carnaval, sendo procurado por pessoas de vários lugares, para compartilhar a alegria e a paz da folia dos blocos. Posteriormente, foi usado um carro de som e improvisaram um trio elétrico.

 “Em meio a tantas mudanças, o Bloco Bandeira Branca tenta resgatar a época em que brincar Carnaval era somente se divertir, dançar, cantar as mais lindas marchinhas, lançar confetes e serpentinas que tanto enfeitam essa diversão” (Relato da Direção do Bloco Bandeira Branca).

Em 2007, a Banda Tradição foi a revelação do Carnaval, que tocou marchinhas e frevo na Praça Cel. Francisco de Souza Meira, no coreto, em frente à Igreja Matriz, para o grupo da Terceira Idade – Viva a vida viva bem.

Em 2008, as bandas Lira Ceciliana Brumadense e Tradição tocaram no coreto, alternadamente, no período do Carnaval. A Lira Ceciliana Brumadense, fundada em 1961, teve papel destacado nos carnavais brumadenses. Os seus músicos tocavam também no cabaré de Arlindão e Manoel Banbrão, onde membros da elite se misturavam com pessoas simples para brincar, sem quaisquer preconceitos.

Vale ressaltar a participação, também, no carnaval de Brumado, de artistas locais do cenário musical: Dinho Ataíde, Kell Souza, Luciano Pauferro, Joílson, Mazinho, Peninha, Sílvia Marte, Paula Mello, Ricardo Silésio, China, Cid, Jorginho do teclado, Amarilho, Tiago Vandré, Nel, Carcará, entre outros.

Enquanto muitas cidades do interior preferiam fazer o Carnaval fora de época – a micareta –, Brumado conservou a data e era considerado como o melhor carnaval do interior da Bahia pelas suas apresentações de cantores e bandas famosas com seus trios elétricos e a criatividade dos foliões que animavam a festa de momo.

Brumado ficou algum tempo sem a tradicional festa de Carnaval – que dava alegrias ao povo em suas manifestações, extravasando suas emoções e sentimentos –, por conta da obstinação do gestor público da época em não realizá-lo, pois elegeu outras prioridades, como educação e saúde, esquecendo-se de que o povo também necessita de diversão.

O gestor atual Aguiberto Lima Dias (2013-2019) realizou essa festa, e proporcionou ao povo a festa brasileira mais popular do mundo e uma tradição local, que além de oferecer alegrias aos foliões, muitos da comunidade tiveram a oportunidade de usufruir economicamente dessa festa. Nem só de trabalho vive o homem, o lazer faz parte do seu desfrute.

Alegria, Alegria! Viva o Carnaval!

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
Categorias

Deixe seu comentário