Com sucesso de público, 3ª Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária é realizada em Brumado

Por Gisele Costa

 

 

No último fim de semana, dias 19 e 20, a Praça da Igreja São Cristóvão recebeu a 3ª Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Brumado. Promovido pela Associação Divina Providência e pelo Centro Comunitário da Paróquia de São Pedro (Aracatu), e apoiado pela Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3 e Cáritas Diocesana de Caetité e pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Cristóvão e Paróquia Bom Jesus, ambas de Brumado, o evento ofereceu um espaço solidário de compra e venda de produtos agroecológicos da agricultura familiar e artesanatos, além de ações que propiciaram a troca de saberes e experiências sobre as práticas agroecológicas, plantas medicinais, terapias alternativas e comércio.

Teônio Lima Meira, membro da Associação Divina Providência e um dos organizadores do evento. Foto: Fillipe Lima.

Ao visitar a Feira, o público pôde participar de Rodas de Conversa sobre produção agroecológica, plantas medicinais, terapias alternativas e criação de galinha caipira; obter atendimento relacionado a terapias holísticas; conferir o Stand “Varanda da Feira”, que apresentou experiências importantes na convivência com o semiárido, destacando a produção de alimentos agroecológicos; prestigiar apresentações culturais; e visitar as tradicionais barracas dos agricultores e artesãos de Brumado e região.

De acordo com Teônio Lima Meira, membro da Associação Divina Providência e um dos organizadores do evento, o objetivo da Feira é levar, para um determinado local, as experiências que os pequenos agricultores da região têm vivido durante todo o ano de convivência com o semiárido. “Então, o intuito do evento é esse mesmo, trazer os nossos agricultores e agricultoras para apresentarem os seus produtos, produtos cultivados por eles, que ajudam aí na economia solidária, produtos sem agrotóxicos, que têm feito a diferença na nossa região aqui de Brumado”, afirmou.

Itens de artesanato produzidos e comercializados por Miraneide Oliveira Celes. Foto: Fillipe Lima.

Já na terceira edição, Teônio Lima Meira destacou a importância da realização de uma Feira como essa para os agricultores e artesãos da região: “Nessa Feira não tem só o pessoal de Brumado, são pessoas de aproximadamente dez municípios participando. Eu tenho conversado com os agricultores e o que eles falam pra mim é que o evento é importante porque eles estão mostrando aquilo que fazem na prática em suas casas, tanto os agricultores, na questão de produção de alimentos, hortaliças, frutas, criação de animais; como os artesãos, que este ano estão trazendo mais produtos e, além de mostrar o que fazem, estão distribuindo os seus contatos para fazer novos negócios”.

A agricultora aracatuense Luciene Oliveira da Silva Lima já é veterana do evento e se mostrou satisfeita com a boa saída dos seus produtos. Foto: Fillipe Lima.

Luciene Oliveira da Silva Lima foi uma das expositoras da 3ª Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Brumado. Moradora do município de Aracatu, ela esteve presente nas três edições do evento, apresentando os seus biscoitos, temperos e mel fabricados em casa, na Fazenda Jacaré. De acordo com a agricultora, a Feira deste ano proporcionou uma vendagem muito boa desses produtos, que superou a edição de 2018.

Demonstrando a diversidade e amplitude da proposta do evento, a estudante de Bom Jesus da Lapa e graduanda do curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus Brumado, Simone Jesus Silva levou para a Feira uma exposição de fotografias denunciando a construção de barragens de rejeitos de minérios e todo o atual modelo estrutural da Mineração. Os registros retratavam as realidades dos municípios de Mariana e Brumadinho, após os recentes rompimentos de barragens.

Exposição de fotografias apresentada pela estudante de Pedagogia da Uneb, Simone Jesus Silva, que tem o objetivo de denunciar o atual modelo estrutural da Mineração no Brasil, que tem sido responsável por graves acidentes envolvendo barragens de rejeitos de minérios. Foto: Fillipe Lima.

Segundo a estudante, que é militante do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (Mam), a intenção foi de utilizar o espaço do evento para alertar as pessoas que os perigos que envolvem a construção de barragens de rejeitos de minérios não devem ser tratados com distanciamento. “Nós também estamos acompanhando projetos de Mineração aqui, mais próximos da gente, nos municípios de Caetité e Pindaí, e tem também uma proposta de construção de barragem de rejeitos. E aí a gente traz a exposição no sentido de dizer que é uma coisa não muito distante, e que pode acontecer aqui”, relatou.

Para uma das expositoras de Brumado, Miraneide Oliveira Celes, a terceira edição da Feira contou com um público maior do que as outras edições, contribuindo para a consolidação do evento no cenário da agricultura familiar do município e região. Segundo a artesã, se um evento como esse fosse realizado mensalmente, com certeza proporcionaria um salto muito grande para os setores da agricultura familiar e economia solidária de Brumado.

 

 

Confira o vídeo que a reportagem do JS produziu sobre a 3ª Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Brumado:

 

Foto de Capa: Fillipe Lima.

Jornal do Sudoeste

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