CORRUPÇÃO NO BRASIL

A corrupção impera no Brasil desde a vinda de D. João VI e sua corte, para o Brasil, em 1808, fugindo da ameaça do militar francês Napoleão de invadir Portugal e destituir o rei e se apossar do país.

Desde Portugal a corte estava empobrecida, estava falida, a situação se agravou aqui no Rio de Janeiro, por falta de recursos para pagar os que dependiam do erário real. Como a corte era perdulária a despesa real triplicou, não houve economia, por isso, o orçamento estourou. Não se preocuparam com a origem dos recursos para cobrir as dívidas contraídas.

A solução foi recorrer a Inglaterra e fazer um empréstimo significativo para atender as despesas desde a vinda de Lisboa/Portugal em 29/11/1807, ao Rio de Janeiro, desembarcados em 08/03/1808 e de    todos os que faziam parte da comitiva real.  Em seguida em 12/10/1808 criou-se o Banco do Brasil para emissão de papel moeda, para facilitar as necessidades da corte recém-chegada. Antes, em 22/02/1808, D. João passou por Salvador, então capital da colônia.

Com a volta de D. João VI para Portugal em 26/04/ 1821, contribuiu  de forma decisiva para sua falência ao literalmente assaltar os cofres da instituição antes da viagem de volta para Portugal — levando todos os metais preciosos e joias da família real e de acionistas guardados em seu cofre,  o que abalou o crédito da instituição e foi liquidada em 1829 por ordem D. Pedro I.  Para honrar essa situação o banco fez um empréstimo externo por intermédio da Casa de Joaquim Pereira de Almeida & Cia., de 6 milhões de cruzados com hipoteca das rendas do Rio de Janeiro. O atual Banco do Brasil só seria criado em 1851, por iniciativa de Irineu Evangelista de Souza (futuro Barão e Visconde de Mauá).

Outra herança da época de D. João VI foi a prática da “caixinha”, que se cobrava uma comissão sobre os pagamentos ou saque no tesouro nacional, pelos vários setores administrativos, o não pagamento da comissão, o processo simplesmente era engavetado. Os titulares dessas repartições eram considerados como símbolos da maracutaia, pelo enriquecimento ilícito.  É a conhecida propina atual. A corrupção medrava escandalosamente e continua ainda hoje, pelos políticos desonestos.

Diante da roubalheira, os larápios que acompanharam D. João VI de volta a Portugal, foram impedidos de desembarcar em Lisboa, porém continuaram ricos e prósperos aqui no Brasil.

A inglesa Maria Graham convidada para a noite do espetáculo de gala, que celebraria a primeira Constituinte do Brasil Independente, ao chegar ao teatro, dirigiu-se ao camarote de sua amiga, mulher de Joaquim José de Azevedo, um dos barrados de desembarcar em Portugal, surpreendeu-se com o que viu.  A anfitriã estava coberta com diamantes de grande valor, e ainda se vangloriou de ter em casa outro tanto de joias de igual valor.

Bento Maria Targini, também proibido de retornar a Portugal com D. João VI, era    encarregado de administrar as finanças públicas, o que incluía todos os contratos e pagamentos da corte, enriqueceu rapidamente. Na revolução constitucionalista de 1821, foi preso e teve seus bens confiscados, porém dias depois foi solto, mas continua rico, tranquilo e vivendo confortavelmente no Brasil.

O poder desses personagens, Azevedo e Tangini, era tão grande que, em reconhecimento aos seus serviços, durante o governo de D. João VI, ambos foram promovidos de barão a visconde.  O primeiro tornou-se visconde do Rio Seco. O segundo, visconde de São Lourenço. A promoção dos dois corruptos, motivou os cariocas, vocacionados para sátiras, celebrizassem a roubalheira em versos populares:

Quem furta pouco é ladrão/Quem furta muito é barão/Quem mais furta e esconde/Passa de barão a visconde. Citado por Tobias Montero no livro História do Império, p 273.

O arquivista real Luiz Joaquim dos Santos Marrocos também fez os seguintes versos populares:  Furta Azevedo no Paço/Tangini rouba no Erário/E o povo aflito carrega/Pesada cruz ao Calvário. Citado por Nelson Werneck Sodré em As razões da Independência, p. 150.

PELO EXPOSTO A CORRUPÇÃO NO BRASIL PARECE SER ENDÊMICA.C

Fontes:

livro do escritor Laurentino Gomes 1808:  como uma rainha, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. Editora Planeta do Brasil, 2007;

Dicionário Brasileiro de Datas Históricas de José Teixeira de Oliveira;

Agendabonifácio.com.br.

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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1 comentário

  1. Bruno Lobo em 2 de janeiro de 2023 às 02:20

    Olá seu Antônio. Parabéns pelo artigo. Tenho a trilogia de Laurentino Gomes. Trabalhei na área de História na SEMEC, faz vários anos. Apavora constatar que essa corrupção já existia antes do Brasil existir.

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