Covid -19: pesquisa aponta que doença pode gerar disfunção erétil

Especialista da Pitágoras fala sobre sequelas em homens infectados pelo coronavírus

Por: Juliete Conceição das Neves

Uma pesquisa publicada no World’s Journal of Men’s Health acendeu um alerta sobre as sequelas do novo coronavírus nos vasos sanguíneos, que podem causar a disfunção erétil. Esta condição ocorre quando o homem não consegue sustentar a ereção. O estudo sugere que o vírus da covid-19 pode permanecer no pênis por um longo período após a infecção, afetando o funcionamento do órgão.

“Para acontecer uma ereção, a circulação aumenta e as estruturas esponjosas internas são preenchidas de sangue. O vírus, no entanto, causa o aumento de substâncias inflamatórias nos vasos, o que diminui o fluxo sanguíneo e dificulta o processo de ereção”, explica Jadir Paiva, urologista e professor do curso de Medicina da Pitágoras Eunápolis.

“Além desta, há outras possíveis explicações para a impotência sexual após a infecção pelo vírus, como a queda nos níveis de testosterona, mesmo em homens que tiveram sintomas leves da doença. Isso ocorre porque as células dos testículos são atacadas pelo coronavírus para a sua entrada, causando danos”, alerta o especialista.

Apesar de pesquisas científicas apontarem a possibilidade da disfunção, ainda são necessários estudos futuros para avaliar, precisamente, como a infecção por covid-19 causa a condição.

“Até o momento sabemos que o coronavírus pode prejudicar o endotélio, uma camada de células que cobrem os vasos sanguíneos. Isso significa que tais células funcionam mal e podem afetar os tecidos que são ‘alimentados’ por elas, causando uma série de anomalias, dentre elas a falta de ereção”, explica o médico.

A avaliação de um profissional é fundamental para descobrir a causa e sugerir o tratamento mais adequado. Ainda sem resposta, os especialistas buscam entender se as lesões provocadas pela infecção nos testículos e no pênis são definitivas ou serão revertidas ao longo do tempo.

Segundo Dr. Jadir, a depender do diagnóstico, cada paciente precisa ser orientado para o tratamento mais adequado.

“Nos homens que tiveram uma deficiência hormonal, podemos fazer uma reposição de testosterona, provavelmente por um período até que o paciente recupere a capacidade própria de produção. Já nos casos de disfunção erétil, um dos caminhos é o uso de medicamentos que auxiliam na recuperação da ereção. E, nos pacientes que desenvolveram infertilidade, a utilização de substâncias que promovem um estímulo na produção de espermatozoides”, conclui.

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Foto de Capa: Reprodução Freepik

Jornal do Sudoeste

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