CPI DA FÉZINHA

Interessante o fato dos jogos de azar estarem proibidos no Brasil, já que a cada dois anos os brasileiros são obrigados, constitucionalmente, a fazer uma “fézinha” nas urnas eletrônicas, torcendo para que seu candidato ou candidata seja uma “zebra” no jogo do bicho eleitoral. Isso sem falar que até as “zebras” estão em xeque, pois suas vestimentas são adequadas ao xilindró.

Inumada a esperança do povão ignorante, a aposta da vez é pela manutenção da impunidade para os canalhas nacionais. Reunidos à sombra, orquestraram um suposto vazamento de bate-papos esquisitos entre um famoso magnata bicheiro e um senador da República, oposicionista, sacrossanto moralista, autor do prefácio da Lei da Ficha Limpa. A imprensa noticiou, o povão fingiu estado de choque e o governo fez aquela cara “lulista-blasé”, própria dos pseudodetentores da ética e da moralidade.

Agora, a turma do colarinho branco vai vagabundear um pouquinho em mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Dizem até que será Mista. O forno já está ligado, assando uma pizza gigante, meio portuguesa, coberta com burocracia e ineficiência, meio à moda da casa, recheada com palavrórios vazios e excelentíssimas pornografias. Para coroar o relatório final, os pizzaiolos da Câmara e do Senado receberão pagamento em cash, com dinheiro fedendo à virilha.

Você acha, sinceramente, que essa CPI da “Fézinha” vai investigar a fundo as relações dos contraventores com os senadores, deputados, governadores, prefeitos, ministros, desembargadores, juízes, delegados, policiais e o resto da vara política brasileira? Qualquer cidadão vivo e em sã consciência sabe que a politicagem do nosso país só chama bicheiro de bandido nos discursos de palanque. Porque no “caixa-dois” – e às vezes até no “caixa-um” – das campanhas eleitorais e dos partidos políticos, bicheiro senta à janela e é chamado de “querido companheiro”, “dileto amigo” a até de “professor”, como ficamos sabendo há pouco.

Em suma, essa CPI da “Fézinha” só foi criada pra colocar um pirulito na boca da criançada, que de tempos em tempos, no ciclo brasileiro de evolução negativa, começa a chorar e fazer uma pirraça aqui e outra ali, desejosos que estão por ver sangue correr. Vide a ascensão vertiginosa dos ringues de MMA com homens se socando até a quase morte e está tudo explicado. O resto é futebol, carnaval e amém. É conivência, ignorância e falta de cultura.

Manter o povão ignorante é apenas uma estratégia política milenar. Muito mais fácil é enganar e sacanear os hipócritas. Não somos vítimas inocentes de um sistema político distorcido. Nós somos cúmplices. A propósito, você já deu o “jeitinho” de hoje para fazer aquela “fézinha” escondida no apontador de jogo do bicho na esquina? Ainda não?! Está esperando o que? Vai fundo! E jogue no “Burro”, que vai dar na cabeça! Na nossa, óbvio.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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