De animais e de humanidades

Lembram daquele vídeo do menino de dois ou três anos que se recusa a comer polvo que a sua mãe lhe oferece, por que “não se deve comer animais”? Pois então, ele não só não comeu, justificando repetidas vezes que “são os animais, mamãe”, como fez a mãe chorar, emocionada pela reação do filho.

Quem dera todas as crianças fossem levadas a ter essa consciência no que diz respeito à preservação da vida, a nossa e a dos animais, de qualquer ser vivo, enfim.

Alguém me enviou uma mensagem pedindo que eu escrevesse uma crônica a respeito e eu acabei não escrevendo, mas hoje, vendo outro vídeo, não resisti.

Acabo de ver, enviado pela minha grande amiga e conterrânea, a professora Mariza Schiochet, um vídeo que vou chamar de “Comporte-se como uma criança e aja como um cão”, pois isso está escrito lá no fechamento desse poema dos mais belos que já vi.

Um menino especial, de mais ou menos dois anos, talvez três, não dá pra ver direito, pois ele não se levanta do chão, dá a impressão de que ele não anda, está perto de um labrador.

Está sentado na calçada e começa a se aproximar do labrador, maior do que ele. Quando o menino percebe que o cão também começa a se aproximar dele, ele começa a se esquivar.

O cão tenta deitar a sua cabeça nas pernas dele e ele se afasta, o cão chega mais e estende a pata e o menino a afasta e continua a se afastar. O cão chega mais perto e rola no chão, estendendo a pata para mais perto do menino.

O menino vai se afastando até encostar na parede. O cão senta e, sentado, fica quase mais alto que o menino que também está sentado. Coloca a pata no ombro do menino e ele tenta tirá-la, afastando-se de novo.

O labrador deita no chão de novo e fica de barriga pra cima, rola e estende as patas para o menino e ele as afasta de novo.

Mas o cão insiste, põe as patas em cima das pernas dele de novo e o menino acaba passando a mão na cabeça dele, abraçando-o em seguida.

O cão não desistiu, insistiu até o menino aceitar o seu carinho.

Se existe poesia nos gestos, esse é o maior poema que uma imagem pode compor.

Mais uma vez um cão nos mostra que nós, humanos, temos muito a aprender com ele. Que um cão pode nos ensinar humanidades, sim, por que não?

Melhor até do que um ser humano.

Como eu já disse em outra crônica, não me chamem de cachorro. Eu não mereço tamanha deferência, tamanha honraria. Eu sou apenas humano.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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