Desligamento de redes legadas, uma opção cada vez mais próxima da América Latina.

Globalmente, diversos países iniciaram o desligamento de redes 2G e 3G, substituidas por tecnologias mais avançadas e eficientes. Na América Latina, a abordagem dessa proposta é desigual, mas a maturidade da 4g começa a gerar condições para que isso aconteça.

Por: Mariana Guedes/ 5G Americas.

O desligamento das redes sem fio 2G e 3G para serviços móveis, que consiste em desconectar essas tecnologias mais antigas que estão caindo em desuso devido à evolução tecnológica, é um processo que já está em andamento em vários países do mundo. Esta decisão é estratégica das operadoras e responde a várias razões, entre as quais se destacam aspetos de custos, consumo de energia, eficiência na gestão de infraestruturas e utilização de frequências do espectro radioelétrico. O processo não é novo, pois o setor de telecomunicações já passou por ele com redes de telefonia analógica ou celular de primeira geração, onde quer que existissem.

Quanto às tecnologias 2G e 3G, várias operadoras de serviços móveis no mundo iniciaram esse processo com diferentes abordagens. Em alguns países, o desligamento das redes começou devido à tecnologia mais antiga, 2G. No entanto, existem mercados onde ainda existe uma utilização relativamente elevada destas redes para aplicações machine-to-machine (M2M) ou Internet of Things (IoT). E, ao mesmo tempo, o uso da 3G —cujo principal atrativo era a conectividade de dados— foi totalmente, ou quase, substituído pela melhor alternativa nessa área da 4G. Nesses mercados, o desligamento foi resolvido pela 3G.

Entre os fatores a serem considerados na hora de planejar o desligamento de uma rede, destacam-se dois: a cobertura e a migração de utilizadores. Antes de pensar em tirar uma determinada tecnologia de circulação, deve haver uma alternativa para a continuidade do serviço, para a qual é necessária cobertura geográfica com uma nova tecnologia, e que os usuários do serviço tenham um dispositivo ou terminal adequado para se conectar à nova rede. Ambos os aspectos tendem a ocorrer progressivamente com o amadurecimento ou massificação de novas tecnologias, processo que costuma levar alguns anos.

Na América Latina, vários países estão se aproximando da maturidade necessária nesses trechos para avançar no fechamento das redes. O Brasil, por exemplo, em junho deste ano chegou muito perto de cobrir seus 5.570 municípios com redes 4G. Muito provavelmente nos próximos meses atingirá a cobertura total do território sob esta tecnologia.

No Chile, por sua vez, as conexões móveis 3G são inferiores a 2 milhões, ante um total de mais de 20 milhões de conexões 4G, enquanto as conexões 2G são praticamente inexistentes para a transmissão de dados. O ponto de inflexão quando a 4G desbancou a 3G na internet móvel ocorreu no final de 2016 e, a partir daí, o declínio da terceira geração permaneceu constante.

Finalmente, no Equador, o número total de linhas celulares GSM (2G) ativas permaneceu abaixo de 2 milhões nos últimos anos, acompanhado também por uma redução nas conexões UMTS e HSPA (3G), embora neste mercado o 4G ainda tenha muito caminho ir substituir completamente seus predecessores.

Para conhecer mais detalhadamente a situação da América Latina em relação ao desligamento de redes legadas, consulte o relatório da 5G Americas: “Melhores práticas em desconexão de redes móveis em desuso para a América Latina”, disponível para download gratuito em: www.brechazero.com.br.

Foto de Capa: Freepik

Jornal do Sudoeste

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