Desperdícios de órgãos para transplante

Perto de completar 01 ano de transplantado, conheço muito bem a trajetória daquele que esta na fila aguardando para receber um órgão que irá salvar sua vida.

Infelizmente hoje no Brasil, a existência dessa pratica que salvou e salva milhares de vidas, esta se arrastando pelas mazelas do governo, que sob o álibi da falta de recursos, impede a eficiência do transporte de órgãos, a ampliação ou melhoria dos hospitais públicos, em especial o Hospital das Clinicas de São Paulo, permite a falta de medicamentos para os transplantados, dentre outras situações criticas da saúde.

Na questão do transporte de órgãos, feita pelos aviões da FAB, os mesmos usados sem restrições para transportar políticos, numa verdadeira festa aérea pra cima e pra baixo, de levar essas personagens pra casamentos, fins de semana em suas casas, dentre outros passeios diurnos e noturnos, lamentavelmente órgãos retirados de doadores, que poderiam salvar vidas, estão sendo perdidos sob alegação de falta de recursos para a locomoção das aeronaves.

Sou membro honorário da FORÇA AÉREA BRASILEIRA, recentemente transplantado de fígado no Hospital das Clinicas de São Paulo, feita pela brilhante equipe do Dr. Vinicius Rocha Santos, um competente e abnegado cirurgião daquele hospital, mas que tem seu trabalho e possibilidades de continuar salvando vidas, como a minha, reduzidos pela falta de órgãos que sabemos, diariamente são coletados nos hospitais do País, mas não chegam aos centros de transplantes por falta do transporte, decorrente da insensatez desse governo que cortou verbas da saúde, levando à FAB reduzir os voos de coleta de órgãos – um absurdo, que faço um apelo aos Srs. Comandantes/Brigadeiros, deixar de efetuar o transporte dos políticos, mas jamais deixar de salvar vidas, conforme consta do juramento da corporação.

O hospital das clinicas de São Paulo, sempre foi considerado referencia na saúde do Brasil, um dos centros de pesquisa da saúde de relevância mundial, com um quadro de profissionais formado por gente preparada, competentes, diferenciados, onde estão os melhores médicos, de lá saem renomados profissionais, mas lamentavelmente o atual governo brasileiro, o mesmo envolvido em tantos escândalos e denuncias, esta deixando esse hospital abandonado a exemplo do próprio abandono da saúde do Brasil.

Talvez, se o meu transplante não tivesse sido feito há um ano atrás, hoje diante da redução da disponibilidade de órgãos, eu não estaria aqui, como muitos que estão morrendo na fila do transplante.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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