Dia da Mulher: Entenda como a tendência do live commerce chegou ao Brasil através das mãos de duas empreendedoras

Monique Lima e Etienne Du Jardin se uniram numa jornada empreendedora, trazendo ao Brasil uma nova modalidade de vendas online

Por: Fernanda Ribeiro

O mercado de beleza não para de crescer. Na contramão da crise econômica, registrou expansão de 4,7% em 2020, segundo dados da Euromonitor e os dados para 2021 — ainda não fechados — projetam um percentual muito próximo ao do ano anterior, com vendas na ordem de R$ 128 bilhões.

Um dos canais que ajudou a aumentar as vendas no setor foi o live commerce, que, junto com o mercado de beleza, chegou ao Brasil e logo se expandiu devido ao fato de ter proporcionado aos consumidores – que estavam isolados por conta da pandemia – um canal omnichannel, onde o consumidor tem a oportunidade de comprar cosméticos e produtos para skincare com descontos exclusivos, enquanto interage com o host/influenciador e tem suas dúvidas respondidas em tempo real.

Para Monique Lima, CEO da Mimo Live Sales, empresa que mais fez live commerces no mercado da América Latina, o “casamento” entre o live commerce e o mercado de beleza deu tão certo que a conversão de vendas é uma das mais altas entre os segmentos que utilizam esse tipo de canal, entre 15% e 30%, enquanto no e-commerce esse percentual não chega a 2%.

“O consumidor consegue acompanhar durante a live todo o processo para a utilização de um produto de skincare, entender mais sobre suas propriedades e aprender as melhores formas de aplicação. Para maquiagem, os tutoriais são fundamentais na experiência”, enfatiza Monique.

Outro ponto que a CEO ressalta é a possibilidade de o consumidor tirar dúvidas de produtos com os especialistas da marca que estão apresentando a live. “Com isso, ele não corre o risco de comprar um produto errado. Ele tem a oportunidade de saber se aquele produto é o certo para o seu tipo de pele e a necessidade que está buscando. Aqui na Mimo as taxas de troca são muito baixas, pois como o consumidor tira as dúvidas finais na live, ele consegue fazer uma compra mais assertiva”.

Marcas que já aderiram ao live commerce

Esse tipo de experiência de compra de produtos de beleza foi tão bem-sucedida que mesmo após a fase mais crítica da pandemia, na qual as pessoas não podiam sair de casa, os shoppers continuam comprando seus itens de skincare pelas lives.

Entre os clientes desse mercado que se destacam nesses retornos estão marcas como Biossance, Dermage, Laces and Hair, Bisyou, entre outras. Todas elas, inclusive, já têm um calendário de lives programado para os próximos meses.

Além de especialistas do mercado de beleza, as marcas também apostam na presença de celebridades nas lives. Por exemplo, em 2021 a Biossance fez uma live para a venda de seus produtos que contou com a presença da atriz Isis Valverde. “Além de comprar os produtos da marca, os consumidores ainda puderam entender quais são os favoritos da Isis. O mais bacana é que os influencers levam uma audiência incremental para a marca”, ressalta a CEO.

A marca Dermage realizou uma live no Rio de Janeiro que contou com uma apresentação exclusiva da Dupla Carioca, composta pelas blogueiras Fernanda Britto e Mariana Reis. Já a Slow Beauty, marca da Laces and Hair, promove lives de venda de produtos que contou com a transformação dos cabelos de uma modelo, enquanto os apresentadores e cabeleireiros davam dicas sobre coloração e produtos junto a Cris Dios, fundadora da marca e também influenciadora.

A Bisyou, marca brasileira de skincare e nativa digital que oferece produtos cheios de tecnologia e veganos, também faz parte do time daquelas que se renderam ao live commerce.

Live commerce: uma das principais tendências para o varejo em 2022

O live commerce está conquistando o mundo. Em janeiro aconteceu a NRF 2022: Retail’s Big Show, um dos mais importantes eventos globais do varejo, em Nova York, reunindo mais de 15 mil varejistas, fornecedores e especialistas no assunto. E essa modalidade de venda virtual foi citada entre as principais tendências que darão força para a expansão do varejo em 2022.

Segundo Monique, o live commerce passará por um momento de refinamento de seu conceito a partir de agora. “O mercado começa a entender como tirar o melhor do seu live commerce. Na Mimo entregamos a tecnologia somada a uma metodologia para melhor perfomance nas Lives. Em nosso curso ensinamos como tirar melhor aproveitamento dos influenciadores, como explorar melhor o conteúdo e conduzir a live para que ela não seja somente uma plataforma de engajamento, mas sim entregar cada vez mais resultados para as empresas que adotam esse canal de venda”.

Recentemente, a Mimo foi uma das startups beta convidadas para falar sobre o assunto em Portugal no Web Summit. Iniciar um negócio no Brasil não é para amadores. E nesse quesito, as mulheres estão se destacando. Uma pesquisa realizada pelo Movimento Aladas, em parceria com o Sebrae São Paulo, aponta que durante a pandemia, 33% das novas empresas foram abertas por mulheres, contra 29% por homens. E a empresária Monique Lima, hoje CEO da Mimo Live Sales, que realiza o maior número de live commerces na América Latina, se encaixa nesse perfil.

Monique queria iniciar um negócio com propósito. Para isso, criou coragem e deixou um emprego em uma grande agência, onde ela já tinha sua carreira estabelecida. Na outra ponta, surgiu Etienne Du Jardin, executiva também experiente que atua há mais de 20 anos no ecossistema de inovação, implementando produtos digitais para grandes marcas. Elas juntaram suas forças e competências e criaram a Mimo Live Sales, empresa que tornou o live commerce conhecido no Brasil.

E isso aconteceu justamente no início da pandemia, quando havia negócios baixando suas portas por conta dos efeitos do lockdown. Corajosas, as duas encararam o desafio de abrir uma empresa 100% digital e oferecer uma nova modalidade de comércio online justamente em um momento no qual o varejo sofria na carne esses efeitos.

Elas foram buscar esse novo modelo do outro lado do mundo, literalmente. Estamos falando da China, que é o berço do live commerce, cuja atividade hoje movimenta cerca de US$ 200 bilhões em GMV, com gigantes como o aplicativo Tao Bao, pertencente ao Alibaba.

O momento demandou dedicação integral ao negócio. Monique se viu às voltas com o desafio de colocar o negócio de pé e conciliar isso com a maternidade: ela é mãe de Jorge Paulo e Manuela e, de 1 e 3 anos. “Não foi fácil ter que trabalhar até de madrugada e ainda encontrar tempo para cuidar dos filhos, cheguei até a fazer pitch de investimento direto da maternidade. Mas com o passar do tempo, fui separando melhor o horário deles e o da Mimo.”, conta.

O mergulho no negócio inicialmente foi entender como seria possível adaptar o live commerce para a realidade brasileira, que tem diferenças culturais grandes em relação à China. Monique e Etienne fizeram uma profunda pesquisa de comportamento no mercado brasileiro e chegaram à conclusão de que precisavam adotar estratégias diferentes, como a criação de lives que mesclassem tecnologia, boas oportunidades e entretenimento para estimular a compra.

Assumir as rédeas do crescimento

A partir do momento em que o negócio entrou no ar, em junho de 2020, a Mimo Live Sales não parou de crescer. Rapidamente, o live commerce caiu nas graças do brasileiro e a fila de empresas interessadas em fazer lives de venda na plataforma da empresa ficou quilométrica. “Chegamos a ter 400 empresas em fila de espera para fazer sua live com a gente. Não esperávamos um sucesso tão rápido”, diz Monique.

Com o aumento estrondoso do interesse das marcas, as empresárias passaram para uma nova etapa do negócio. Em pouco tempo já estavam fazendo evoluções na plataforma e abrindo outras possibilidades dentro do próprio live commerce, como dar um curso e consultoria sobre o tema para as marcas, junto com a tecnologia.

Para chegar até aqui — hoje a Mimo Live Sales tem grandes nomes em seu portfólio de clientes, como Johnson&Johnson, Laces, RiHappy, Dermage, Grey Goose, Missoni, C&A, Whirpool, Bayer, Biossance, entre outros — Monique e Etienne usaram habilidades que sempre fizeram parte de suas vidas, como a resiliência, criatividade, liderança, flexibilidade e, principalmente, olhos atentos no comportamento dos consumidores que, com a pandemia em curso, ansiavam por uma nova forma de comprar.

Monique avalia que elas já trilharam uma parte importante do caminho, mas a necessidade de andar lado a lado com a inovação faz parte de suas rotinas.

“Lidamos com tecnologia, com um mercado que é influenciado diretamente pelo comportamento do consumidor, que muda continuamente. Nos inspiramos na China, mas temos muita melhoria de produto que não existe em nenhum outro lugar. Estamos sempre atentas em como podemos melhorar, com o foco em facilitar cada vez mais o processo para as marcas. Quando eles nos contaram que não sabiam fazer as lives, trouxemos o curso. Quando nos falaram que não sabiam avaliar a performance, trouxemos um dashboard que vai muito além dos dados tradicionais de um streaming. Transformamos os problemas dos nossos clientes em produtos e soluções que deixam o nosso produto cada vez mais valioso.”, conclui a executiva.

 

 

 

Foto de Capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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