DILMA NÃO É COLLOR

A ação chantagista, irresponsável e golpista de Eduardo Cunha e a oposição brasileira desprovida de projetos e votos no Brasil, nos remetem aos tempos indigestos de nossa história.

Além de rasgarem a Constituição, jogaram o Brasil em uma crise gravíssima e de consequências imprevisíveis.

Neste mesmo cenário algum tempo atrás, um personagem que também fora representante de nossas elites e do coronelismo como fora Fernando Collor de Melo, vale a pena fazermos uma análise já que as gerações contemporâneas não conhecem a historia como ela se deu de fato.

Collor foi um candidato construído e abastecido pelo império de Roberto Marinho e sua Rede Globo, e sob o slogan de “Caçador de Marajás” foi transvestido de moderno.

O receio de Roberto Marinho era que Leonel Brizola vencesse a eleição de 1989, o que seria uma retomada de uma visão do Brasil soberano, com desenvolvimento e distribuição de renda, fundamentados numa educação honesta de tempo integral. Um verdadeiro pesadelo para nossas elites conservadoras e patrimonialistas.

Brizola não foi para o segundo turno perdendo para Lula por uma diferença mínima de votos, onde a manipulação das urnas até hoje não foi esclarecida; mas enfim, Lula era muito mais fácil de ser batido do que Brizola, e as elites se manteriam no poder.

Hoje, muitos de forma desonesta, com intenções inconfessáveis, tentam correlacionar a presidente Dilma Rousseff ao Fernando Collor de Mello, uma verdadeira agressão à biografia de Dilma e a historia do Brasil.

As diferenças entre ambos são insofismáveis, pois Dilma desde muito nova optou por lutar pelas causas mais caras do nosso povo e uma delas é a democracia pagando um preço caríssimo, pois foi presa e torturada pelo arbítrio dos gorilas de nossa ditadura.

Dilma foi eleita presidenta da República por um partido que, com todos os erros e não são poucos, tem uma historia no Brasil.

Concorde você ou não com o PT, Collor inventou um PRN sem lastro algum na vida política brasileira.

Collor foi o candidato das elites e do patrimonialismo. Dilma foi a candidata de uma frente progressista que tem uma visão de desenvolvimento, distribuição de renda, e elevação social de nosso povo; embora seu governo hoje seja a síntese do que as forças que a apoiaram, agora rejeitem.

Dilma tem raiz nas lutas sociais, Collor é filho do conservadorismo.

Dilma tem apoio de setores importantes da sociedade Brasileira, Collor se isolou e ficou só, não foi capaz de dialogar com o país.

Dilma tem o conceito, mesmo de adversários, que é uma pessoa honrada e digna, Collor não tinha e ainda hoje não o tem.

Enfim, as diferenças são enormes e qualquer associação biográfica destas duas figuras é um ato desonesto e digno de crime.

Afinal, não podemos corromper a historia.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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