Ditados e Liberdade

Um dia, meu pai dera-me um conselho com um ditado depois de certa birra no shopping: “filho,ninguém deve nada a você e você também não deve nada a ninguém”. Claro, discordei e, como qualquer outro filho, continuei a birra. Agora, mais velho, entendi o recado deste ditado. E outra coisa que entendi também é um dos fundamentos do que acredito e sigo.

Ninguém deve saúde a ninguém, ninguém deve educação a ninguém, ninguém deve segurança a ninguém. Você forçaria alguém a te ensinar de graça? Ou melhor, você ensinaria uma pessoa lhe forçando a ensiná-la pela força? Você obrigaria uma pessoa a lhe proteger? Ou você protegeria alguém que lhe forçasse a isso? Então, imagine quando um Estado define que “educação, saúde e segurança são direitos” e força pessoas a pagar por um serviço compulsoriamente e a trabalhar coercitivamente. Isso gera os sistemas públicos de saúde, educação e de segurança brasileiros.

Não se força pessoas a fornecerem serviços como direitos, além de ser coercitivo, é um ato falho. O ditado se torna cada vez mais lúcido, ninguém deve nada a você e você não deve nada a ninguém. Se não devemos, por que aceitamos que 37,5% do salário sejam roubados, com a premissa de “justiça social”? Se não devemos, por que aceitamos o governo fazer o que bem quer como uma passada em Portugal para comer bacalhau?

Se temos uma obrigação, ela não deve ser coercitiva, pois ela não seria nossa culpa. É um modo de te roubar sem que você perceba, como o Estado faz com “justiça social”. Não obrigue uma pessoa a lhe dar um bom dia, ela não deve isso a você. Não deixem que te roubem por “motivos nobres”, você não deve nada a ninguém.

A sociedade livre não lhe cobra nada, apenas lhe dá um aviso: não inicie agressão. Os princípios fundados pela liberdade, pelo meu conhecimento, sintetizados seriam: Nós não devemos nada a você, escolha o melhor para sua vida, pois não estamos te obrigando a nada.

Que tal dar uma chance a liberdade? Comece a viver sem esperar nada de ninguém, faça as suas escolhas, faça a sua vida, ninguém tem nada a ver com ela se não somente você.

“No action can be virtuous unless it is freely chosen” (nenhuma ação pode ser virtuosa a não ser  que seja voluntária), Murray Rothbard.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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