Do fogo que matou Galdino à violência que calou Orelha: A impunidade e a a banalização da barbárie

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Antônio Luiz da Silva

Em 20 de abril de 1997, Brasília testemunhou um crime que escancarou, de forma cruel, o racismo estrutural enraizado na sociedade brasileira. O indígena Galdino Jesus dos Santos, militante na defesa de seu povo, foi queimado vivo por jovens de classe média que alegaram tratar-se de uma “brincadeira”. A resposta do Estado, marcada por penas leves e rápida liberação dos envolvidos, evidenciou a seletividade da Justiça e a impunidade assegurada a quem desfruta de privilégios.

Passadas quase três décadas, a barbárie se repete em novas formas. Em Florianópolis, a chamada “Ilha da Magia”, capital de Santa Catarina, cenário de belezas naturais e também de recorrentes episódios de racismo, homofobia e violência contra os mais vulneráveis, quatro adolescentes de famílias abastadas espancaram um cão comunitário na Praia Brava. O animal, conhecido como Orelha, não resistiu aos ferimentos. Enquanto agonizava, dois dos agressores viajavam para a Disney e familiares tentavam silenciar testemunhas com suborno. O caso expõe, mais uma vez, a sensação de poder e impunidade que alimenta uma cultura de desrespeito e crueldade.

Este não é o Brasil que a maioria de seus cidadãos deseja construir. Homens e mulheres, de diferentes cores, gênero, crenças e condições sociais, sonham com um país que valorize a vida e a dignidade. O Brasil decente exige que esses jovens sejam responsabilizados com o mesmo rigor aplicado a adolescentes pobres, pretos  e periféricos, encaminhados a Instituições Especializadas para cumprir medidas socioeducativas e, quem sabe, reintegrar-se à sociedade como cidadãos conscientes.

A brutalidade contra o cão Orelha, quase três décadas após o assassinato do índio Galdino, revela uma ferida que insiste em permanecer aberta. É urgente refletir sobre valores, desigualdades e sobre uma Justiça que tantas vezes falha em proteger os mais frágeis. Essas histórias não podem ser esquecidas, devem servir como espelho e como lição, ensinadas nas Escolas para que crianças e adolescentes aprendam a não se calar diante do racismo, da violência ou da negligência estatal.

Recontar essas tragédias é essencial para que as próximas gerações compreendam que a mudança só virá quando encararmos nossas próprias sombras e assumirmos a responsabilidade de construir um país mais justo, humano e igualitário.

A sociedade não pode mais fingir que tudo está bem.

É hora de reconhecer as feridas do passado, enfrentar o racismo estrutural e exigir punições exemplares para atos de crueldade, sejam contra pessoas ou animais. O Brasil que queremos é aquele que respeita a diversidade, valoriza a vida e não naturaliza a injustiça.

Relembrar é o primeiro passo para garantir que tais horrores jamais se repitam.

8 comentários em “Do fogo que matou Galdino à violência que calou Orelha: A impunidade e a a banalização da barbárie”

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Jornal Digital Jornal Digital – Edição 756