Doação de leite já beneficiou 63 mil bebês apenas em 2019, no Brasil

O dado é da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

Por Agência do Rádio

 

Por mais de um ano, Bruna Rodrigues, de 30 anos, doou leite para bebês prematuros do Banco de Leite da Fundação Santa Casa do Pará, de Belém. Entre 2016 e 2017, a administradora de empresas se dedicou à boa ação, enquanto amamentava o filho Eduardo. Bruna chegou a doar quatro frascos por semana, durante a licença maternidade. Ela resolveu ajudar outras famílias por influência da própria mãe, Maria Catarina, de 50 anos, que estagiou na fundação e sempre abordou o quão importante é o aleitamento para a saúde dos pequenos.

Bruna é um exemplo de mãe doadora no Pará, estado líder na coleta de leite humano na região Norte, apenas nos quatro primeiros meses de 2019, com mais de 1,2 mil litros. O dado é da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A organização já registrou mais de 68 mil litros de leite coletados, no Brasil, para mais de 63 mil bebês receptores, no mesmo período. Toda essa ajuda veio de 54 mil mães.

O leite coletado por essa estrutura de 225 bancos de leite humano e de 212 postos de coleta de leite humano é destinado à nutrição de bebês prematuros internados em UTIs neonatais brasileiras impossibilitados de serem amamentados pela própria mãe. Bruna reforça que o leite faz a diferença na saúde desses recém-nascidos.

“As pessoas não têm noção do quanto faz diferença cada gota de leite doado. Tem criança que toma 1ml de leite por refeição, aquele que você joga fora no chuveiro porque o seu peito está cheio demais. Então saibam, faz muita diferença a todas as crianças que estão hospitalizadas. Por favor, doem!”, aconselha.

São Paulo é o estado com a maior quantidade de bancos e postos de leite humano e, consequentemente, maior volume de leite humano coletado no País, neste ano. Foram recolhidos mais de 17 mil litros. Na outra ponta, Rondônia, que só conta um Banco de Leite Humano e um Posto de Coleta de Leite Humano, é a Unidade da Federação com o menor volume – cerca de 170 litros coletados.

O Centro de Referência Nacional de bancos de leite humano do País fica no Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Segundo a gerente da unidade, Danielle Aparecida Silva, são necessários, em média, 300 litros mensais para atender a todos os lactentes internados no instituto.

No último domingo (19), foi celebrado o Dia Nacional da Doação de Leite Humano. A ideia é mobilizar a população e as mulheres que amamentam para a importância deste ato. Isso porque autoridades de saúde avaliam que o número de doações ainda é baixo em relação à demanda. Segundo o Ministério da Saúde, a quantidade de leite humano coletado em todo o Brasil foi de 186 mil litros, em 2018. Esse volume representa 55% da real demanda por leite humano no Brasil.

Então, fica o apelo. Se você é mãe, está em fase de amamentação e produz um volume de leite maior do que seu próprio filho precisa, doe leite materno. A consultora técnica da Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento do Ministério da Saúde, Renara Guedes Araújo, orienta como as mães devem fazer a coleta e a doação.

“Para uma mulher doar leite humano, ela precisa retirar o seu leite num vidro que esteja devidamente higienizado. Alguns bancos de leite fornecem kits com touca, máscara e o próprio vidro já esterilizado. O leite  vai ser congelado por até 10 dias para que seja levado ao banco de leite humano, que pode ser através  da própria mulher  ou pelo Corpo de Bombeiros, no caso dos bancos de leite que têm essa parceria”, orienta.

Doe leite materno, alimente a vida. Para mais informações, acesse saude.gov.br/doacaodeleite.

Jornal do Sudoeste

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