LEMBRANÇAS
ANTÔNIO NOVAES TORRES
Oflavio Silveira Torres, grande empreendedor, viajava para São Paulo pelo menos duas vezes ao ano para fazer compras para o seu comércio e também ia ao Rio de Janeiro a procura de novidades, pois o Rio era o centro mais civilizado do Brasil, numa dessas viagens adquiriu em São Paulo um conjunto frigorífico para fabricação de picolés, equipado com um balcão contendo geladeira, e comprou também mesas de concreto. Instalou-se no prédio da estação ferroviária da cidade, inaugurado entre 1946/1947, mediante contrato com a RFFSA obedecendo às exigências da empresa para o atendimento dos passageiros dos trens. Esses circularam de 1950 a 1980.
Ele acompanhou a construção da Estrada de Ferro de Contendas do Sincorá até Brumado onde fixou residência no ano de 1945. Conhecia o pessoal da administração da Ferrovia, daí o seu entrosamento para a preferência do aluguel do imóvel.
O picolé era uma novidade por aqui, muita gente desconhecia o produto, outros tinham conhecimento por saber da sua existência, mas nunca o experimentaram.
A administração desse empreendimento ficou a cargo do irmão Alvair Torres, que depois foi para São Paulo. Oflávio Torres, assoberbado com os diversos comércios que dirigia, pediu ao primo Remígio e coletor de Condeúba, arranjasse uma pessoa para gerenciar a sua recente empresa, porém que fosse uma pessoa honesta. Remígio muito prolixo enviou um pretendente que de posse de uma carta com várias laudas apresentando o moço de nome Idalino Ribeiro Soares, falando da sua honestidade, continha um histórico da família, desde o avô até o pretendente. No final da carta se expressou: Pode empregar que eu garanto.
Idalino não decepcionou, correspondeu por ser honesto e sério, ficou na gerência até o fim do empreendimento, tendo como companheiro, Dagvaldo da Silva Melo, fiapo.
Quando havia algum problema com o maquinário, o único mecânico da região que entendia de refrigeração era o senhor Oto, um alemão, que residia em Caetité.
As empresas de Oflavio Torres (Flavinho) eram alimentadas com energia própria, ele possuía um grupo gerador que fornecia energia para o consumo de suas empresas e residência.
Oflávio, foi pioneiro em suas ações comerciais desenvolvidas em Brumado: Proprietário da firma OST & Cia e Consignações, redespachava as mercadorias para diversas cidades, através de tropas de burros. O redespacho é a terceirização de uma parte do processo de entrega final ao comerciante destinatário, tendo em vista a falta de estradas para esse fim.
O primeiro armarinho denominado Nossa Senhora do Rosário, o primeiro cinema – o Cine Cairu, o primeiro serviço de alto falantes, a PRVB – Ponto Radiofônico de Brumado, onde se faziam propagandas de empresas do comércio local, entrevista, novelas e programas musicais e culturais.
Representante dos produtos da FRATELLIVITA, fábrica em Salvador, de refrigerantes e cristais de luxo, na época o refrigerante chamava-se gasosa; vendedor da cerveja BRAHMA; casa de móveis.
Representante das máquinas de costura Singer e depois funcionário da mesma em Brumado; Revendedor dos Produtos da TEXACO; Agente do IAPETEC-Instituto da Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes de cargas, até 1986; Um dos fundadores da Maçonaria e do centro Espírita, incentivador e colaborador para a criação da Cooperativa dos Agricultores de Brumado.
Em parceria com Ludgero Ribeiro da França, Pequitito, foram promotores de peças de teatro.
Atuava nos bastidores da política como repórter, mas nunca ocupou cargos políticos eleitorais.
Promoveu programas de calouros com a participação do locutor e apresentador José Maria Viana Machado, considerado o primeiro locutor da cidade.
Vários artistas nacionais se apresentaram nos palcos do Cine Cairu.
Envolvido com o futebol de campo, foi presidente da AAP – Associação Atlética Portuguesa, e um incentivador desse esporte, ao lado de outros companheiros. Também foi incentivador e protagonista de Carnavais com alegorias e blocos, animado pela banda de Chiquinho Gavião, no final da apresentação, em frente à sorveteria Íris, na Praça da Estação, fazia distribuição de picolés aos participantes do bloco.
Foi patrocinador e realizador de eleições das misses da primavera e de carnavais de Brumado.
Quando se aposentou, adquiriu uma Fazenda em Cristalândia e se tornou fazendeiro ou roceiro como ele dizia.
Estas são as lembranças que me ocorrem no momento.
Oflávio Silveira Torres, Flavinho, condeubense de nascimento e brumadense por opção, foi figura marcante na cidade, promoveu o progresso e a civilização do lugar, com iniciativas pioneiras nas suas atividades comerciais, artísticas e culturais, são memórias e ações desenvolvidas com determinação e objetivos, portanto, dignas de serem lembradas e reconhecidas.
Faleceu em 17 de julho de 1989.



