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Endometriose: uma doença enigmática e perigosa

“É uma doença horrível, dolorosa e muito desagradável”, relata Cristiane Andrade Silva, bancária, diagnosticada com Endometriose aos 24 anos de idade. Cristiane é uma das mais de 6 milhões de brasileiras acometidas pela patologia enigmática, dolorosa e perigosa. Fatores genéticos, imunológicos e hormonais estão relacionados. “Eu sentia muita cólica, dores na relação sexual, sangue em excesso e menstruação irregular. Não tinha data, nem hora para vir a menstruação”.

Apesar das chances de engravidar terem sido reduzidas, Cristiane engravidou em 2007, três anos depois da descoberta da doença. Com o nascimento de sua filha, a doença se agravou para uma modalidade mais agressiva, a Adenomiose, que resultou na retirada de seu útero em janeiro de 2011. “No momento é um choque. Às vezes você queria ter outro filho, mas a gente tem que relevar por medo de doenças piores”, afirma a bancária, que teve o fator genético como um agravante. “Minha mãe também passou por isso e teve que tirar o útero. Se na família já existe um caso, é sempre bom as mulheres relatarem ao médico”.

São mais de 177 milhões de mulheres no mundo inteiro sofrem com as dores causadas pela enfermidade, segundo a Organização Mundial de Saúde. A Endometriose não escolhe faixa etária e pode ser diagnosticada desde a menarca (primeira menstruação) até a menopausa. Março é o mês escolhido para a Campanha Mundial de Conscientização da Endometriose que visa informar sobre os riscos da doença e dar suporte às mulheres já diagnosticadas com a doença.

Dra. Dorodina Correia, Ginecologista e Especialista em Infertilidade Conjugal e Reprodução Humana, aponta que o diagnóstico requer atenção por partes dos profissionais. “Em primeiro lugar, a gente tem que saber ouvir bem a paciente, o relato da maneira como ela sente as dores, de quanto tempo ela está sentindo as dores, como é a cólica e fazer um bom exame físico nessa paciente”. A identificação da doença pode ser feita com uma Ultrassonografia Transvaginal, modalidade de exame diferente daquela realizada normalmente pelas mulheres em seus exames de rotina. Para aquelas que ainda não tiveram relação sexual, pode ser utilizada a Ressonância Nuclear Magnética.

Em casos mais avançados, a Endometriose se aloja atrás do útero, em seus ligamentos ou no intestino. Nesses casos é realizado o exame de Videolaparoscopia, em que é aberto um pequeno orifício próximo ao umbigo permitindo a visualização de toda a pelve. Esse exame permite a retirada de lesões, cistos e placas de Endometriose.

A patologia é uma doença inflamatória resultante da presença de células do endométrio (mucosa que reveste o útero) em outros locais que não o útero. Pelve, ovários, intestino e bexiga são os locais mais frequentes da inflamação. Há relatos de Endometriose em cicatrizes cesarianas, umbigo, nariz e até no cérebro. “É uma doença de hormônio dependente, isto é, quanto mais a mulher menstrua, mais há uma tendência dela progredir. É também enigmática pois não se sabe o porquê em algumas mulheres ela fica no estágio leve e em outras, no decorrer dos anos, se torna avançada”, afirma.

Células do endométrio se alojam em outros locais que não o útero.

Além das fortes dores, uma das causas que tem gerado preocupação para as mulheres é a infertilidade. Cerca de 50% das mulheres diagnosticadas com a doença não podem ter filhos. Ficar atenta aos sintomas pode ser determinante. “Os sintomas são cólica menstrual muito forte que não melhoram com o uso do analgésico comum, não melhoram com o uso da pílula. Há relato de dor pélvica fora do período menstrual, dor no ato sexual e muito desconforto. Isso pode acontecer no dia do ato sexual, mas também no outro dia. Também há sintomas urinários ou intestinais no período menstrual”, afirma a ginecologista.

O tratamento da Endometriose é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio das Unidades Básicas de Saúde onde tem os serviços de ginecologia. Ele é feito com o uso de hormônios para a suspensão da menstruação e em últimos casos, a retirada do útero.

MATÉRIA DA JORNALISTA THAIS OLIVEIRA ORIGINALMENTE PUBLICADA NO BLOG SGA.NEWS (https://siga.news/)

Redacão Jornal do Sudoeste

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