Estratégia governamental para esfriar manifestações

A notícia da morte do cinegrafista Santiago Andrade, que foi atingido por um rojão em um protesto no Rio, repercutiu em mídias do mundo inteiro nesta segunda-feira, 10.

Diante disso, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que foram enviados representantes para as 12 cidades-sedes da Copa para tentar antecipar o diálogo com movimentos sociais com o objetivo de minimizar os riscos de protestos durante o megaevento.

Palhaçada do governo para esfriar as manifestações. As manifestações não são de ideologias político-partidárias contra o PT, mas uma reação consciente e responsável de brasileiros que não concordam com o desperdício de dinheiro público em eventos esportivos, quando o país tem prioridades mais prementes a resolver: educação pública de qualidade, atendimento médico-hospitalar das camadas mais necessitadas, segurança pública para todos, meios de transportes decentes, malha rodoviária e ferroviária adequadas, aeroportos em condições de atender à demanda, portos marítimos e fluviais aptos a escoar a produção, falta de saneamento básico em muitas cidades onde o esgoto ainda corre a céu aberto, construção de casas carcerárias de padrão humano etc.    

Assim, o povo ao demonstrar mais amadurecimento do que o governo com as nossas reais necessidades, que são atendidas a conta-gotas, resolveu sair às ruas para lavrar o seu protesto, que não pode ser confundido com ações terroristas, mas sim um pleno exercício constitucional de liberdade de expressão, condizente com o Estado Democrático de Direito. Se isso vai ou não interferir na realização da Copa do Mundo pouco importa ao brasileiro que paga alta carga tributária e quer ver os seus recursos aplicados no social e não em arenas de futebol.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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