Estudo da Uesb identifica recipientes biodegradáveis que melhoram a produção de eucalipto

Por: Ascom UESB VCA

Na produção de mudas florestais, a qualidade é alcançada através de um conjunto de técnicas de manejo, empregadas durante o processo da sua formação. O uso de recipientes é um desses cuidados que deve ser observado, já que eles permitem melhor controle da nutrição e proteção das raízes, além de facilitar o manejo no viveiro, no transporte e no plantio.

Atualmente, os recipientes mais utilizados para produção de mudas florestais são derivados de petróleo, porém, novas alternativas que causam menor impacto ao ambiente vêm ganhando espaço no setor. Isso porque os tubetes, como são chamados os recipientes derivados do petróleo, podem causar restrição ao desenvolvimento das raízes, favorecendo o surgimento de deformações, que podem permanecer durante o crescimento das plantas no campo. Assim, a busca por novas tecnologias, que conciliem os aspectos econômicos e ambientais, tem sido um campo fundamental para a garantia da competitividade e da sustentabilidade do setor florestal brasileiro.

Com vários trabalhos de pesquisa e de avaliação tecnológica de recipientes alternativos em andamento no país, um estudo científico desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Uesb está se destacando. O trabalho “Recipientes biodegradáveis e composto orgânico na produção de mudas de eucalipto” avaliou a qualidade das mudas de eucalipto produzidas em recipientes biodegradáveis (chamados de paperpots) e em tubetes, associadas à incorporação de composto orgânico.

Vantagens do biodegradável – De acordo com o pesquisador Vinícius Rodrigues, responsável pelo estudo, as características físicas dos paperpots propiciam condições favoráveis ao livre desenvolvimento das mudas, permitindo que elas apresentem desempenho adequado no campo. “Resumidamente, o alto padrão de qualidade das mudas é determinado, principalmente, pela mensuração dos parâmetros morfofisiológicos, a capacidade de regeneração das raízes e a ausência de deformações”, explica.

O uso do recipiente biodegradável apresenta várias vantagens: a lavagem e a desinfecção são desnecessárias; não há retorno de recipientes ao viveiro, consequentemente, diminuem-se os riscos de contaminação por pragas e agentes fitopatogênicos; o custo de plantio é menor, pois não há necessidade de tirar a muda do recipiente; e, normalmente, a necessidade de replantio é menor, devido à proteção do sistema de raízes pelo recipiente.

O pesquisador revela, ainda, que os paperpots contribuem para o aumento da qualidade das mudas produzidas, além de se apresentarem como uma opção mais viável em comparação com os tubetes. “Os compostos orgânicos aumentaram o desenvolvimento radical, potencializando os efeitos do recipiente biodegradável”, destaca. Ele lembra que a grande vantagem do recipiente biodegradável é que ele pode ser plantado junto com as mudas e sua composição permite, após sua degradação, que os compostos se incorporem ao solo, sem gerar resíduos adicionais ao meio ambiente.

Pioneirismo – Realizada no Laboratório de Produção de Mudas da Uesb, a pesquisa foi aplicada em três fases. Na primeira, houve a produção das mudas, no Viveiro Florestal Tecnoplant, localizado no município de Eunápolis. As duas últimas etapas ocorreram na Uesb, campus de Vitória da Conquista, e consistiram na avaliação da regeneração das raízes e dos parâmetros morfofisiológicos das mudas; e na simulação de um experimento de campo, conduzido em estufa.

Inovadora, a temática tende a ser considerada nos grandes viveiros florestais e em toda sua cadeia produtiva nos próximos anos. De acordo com o professor Adalberto Brito, orientador da pesquisa, “os resultados contribuem, diretamente, com a redução de impactos ambientais por meio da possibilidade de substituição de recipientes plásticos, usados em grande escala na produção de mudas de eucalipto, por um recipiente que não agride o meio ambiente e proporciona mudas com alto padrão de qualidade”.

Ainda neste semestre, o estudo será publicado, em formato de artigo científico, na Revista Floresta, periódico de alcance nacional e internacional.

 

 

 

Foto de Capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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