Gargalhadas e melodrama na última “A Sopa de Maria”

O ator João Miguel falou sobre a fé na tridimensionalidade. Na última edição de A Sopa de Maria, na noite desta terça-feira, 28 de março, no Palacete das Artes, o artista relatou fatos que pareciam demonstrar a relação entre as dimensões e os tempos. No programa que debatia o tema Circo ele contou que atuava como o palhaço Magal e foi à casa de Maria Moniz devolver um livro que um amigo pedira emprestado. Daí nasceu uma bonita e profícua amizade. João Miguel freqüentou a varanda de Maria, tempos depois dos jovens artistas e intelectuais que viveram o período pré Tropicália.

Na ação do projeto Tropicália: Régua e Compasso João Miguel contou como a amizade com a atriz influenciou sua trajetória profissional, tendo, inclusive, feito um estágio no Teatro Soleil, na Europa, incentivado por ela. “Maria sempre me dizendo coisas… É dessas pessoas que você encontra no caminho para provocar e acreditar. Isso tem a ver com o Tropicalismo, como comprometimento com a liberdade de arriscar”.

O ator compunha a mesa com a socióloga Karina de Faria e com o professor e pesquisador Reginaldo Carvalho. Antes de cada um tratar do Circo, odiretor, ator,  palhaço, dramaturgo e roteirista João Lima fez performance de abertura, arrancando gargalhadas do público com as artes do seu palhaço Teseu. O público “de cá e de cá” cantou uma música do repertório circense e o palhaço fez um número de mágica, fazendo “sumir” um relógio.

No encerramento os participantes apreciaram uma sopa, criada especialmente para o evento pelo chef Moisés Maia, uma “Sopa de Caldo de Pinto”, com ovinhos de codorna.

 

Melodrama – Em sua fala Karina focou a atenção na trajetória de uma tia, que atuou intensamente como atriz de rádio (Excelsior e Sociedade) e que fora no início da carreira uma artista circense. “Para mim era uma senhorinha doce e calada, mas descobri, a partir de pesquisa, que teve um trabalho diversificado, começando como ponto no circo e se dedicando, especialmente, a papeis de vilã”, contou, lendo alguns textos com os companheiros de mesa. Karina reforçou a ideia de que muitos dos agentes culturais da pré Tropicália tiveram o circo como referência.

 

Reginaldo reforçou a influência do Circo entre os artistas que movimentavam a cultura na década de 1960, especialmente aqueles que moravam no interior e que vieram participar da ebulição artística na capital.  Ele citou a gravação de música Coração Materno, de Vicente Celestino, pelo já tropicalista Caetano Veloso, como uma influência do estilo melodramático conhecido dos circos. “O melodrama não morreu, ele está entre nós”, argumentou.

 

A ação A Sopa de Maria integrou o projeto Tropicália: Régua e Compasso, realizado pela Fundação Cultural do Estado (Funceb), em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e com a Fundação Pedro Calmon (FPC), entidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

 

Diretora da Funceb e idealizadora do projeto, Fernanda Tourinho avaliou de forma positiva as edições da Sopa, salientando a riqueza de informação de histórias que puderam ser narradas sobre vários pontos de vista por quem as viveu, na década de 1960. 

Redacão Jornal do Sudoeste

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