Influenciadores sem diploma: Nova Lei pode gerar multas de até R$ 50 mil reais

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Além dos riscos de induzir o público ao erro, pessoas sem qualificação ‘informando’ sobre temas específicos prejudica a credibilidade de quem realmente tem base para falar de algo

POR ASCOM/iMF PRESS GLOBAL(mf@pressmf.global)

O crescimento acelerado do mercado de influenciadores digitais colocou em evidência um debate que já vinha ganhando força no Brasil e no mundo, até que ponto pessoas sem formação técnica podem orientar milhões de seguidores sobre assuntos que envolvem saúde, dinheiro e riscos à vida?

Essa discussão ganhou corpo com o recente Projeto de Lei 5990/2025, que começou a tramitar no Congresso no final de 2025 e propõe mudanças significativas na forma como esse tipo de conteúdo é produzido e divulgado.

A nova proposta busca a limitação da atuação de influenciadores em áreas consideradas sensíveis, exigindo formação acadêmica, certificação técnica ou registro profissional para falar sobre determinados temas.

Caso seja aprovada, a lei vai além da lógica atual baseada apenas em alcance e engajamento, colocando a qualificação como critério central para a produção de conteúdo informativo.

Entenda o que muda na prática

O texto do projeto estabelece que influenciadores digitais só poderão abordar assuntos que ofereçam risco direto aos seguidores se comprovarem conhecimento técnico. Entram nesse grupo conteúdos sobre saúde, como medicamentos, terapias e procedimentos médicos; finanças, incluindo investimentos, produtos bancários e serviços financeiros; temas ligados a vícios e riscos, como bebidas alcoólicas, tabaco e apostas; além do agronegócio, especialmente no uso de defensivos agrícolas.

“Além da exigência de qualificação, o PL reforça a obrigação de transparência. Influenciadores deverão deixar claro quando o conteúdo for publicitário, informar quem está financiando a divulgação e apontar os riscos envolvidos no consumo do produto ou serviço promovido”.

Dra. Lorrana Gomes, advogada e consultora jurídica – Foto: IMF Press Global

“A proposta busca equilibrar a liberdade de expressão com responsabilidade, protegendo o consumidor de informações técnicas divulgadas sem base ou qualificação adequada”, destaca a advogada e consultora jurídica Dra. Lorrana Gomes, do escritório L Gomes Advogados.

Penalidades previstas na nova legislação

O descumprimento das regras pode gerar consequências relevantes. O projeto prevê advertência com prazo para correção, multas diárias que podem chegar a R$ 50 mil e até a suspensão das contas nas redes sociais por períodos de até 90 dias, com possibilidade de renovação. O foco da proposta é conter a disseminação de desinformação que já resultou em casos de automedicação, prejuízos financeiros e outros danos concretos.

Pós PhD em Neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela. – Foto: IMF Press Global

Para o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o impacto vai além da punição.

“Além dos riscos de ter pessoas sem formação ou qualificação induzir o público ao erro em temas sensíveis, pessoas informando sobre temas específicos prejudicam a credibilidade de quem realmente tem base para falar deles”.

“O cérebro humano tende a confiar em figuras recorrentes e carismáticas, o que amplia muito o potencial de dano quando a informação é incorreta e faz com que informações rasas ou desconexas viralizem com facilidade”, afirma.

Em que fase está o projeto atualmente?

Atualmente, o PL 5990/2025 está em análise na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. Em janeiro de 2026, ele foi apensado ao PL 2749/2025, que trata de temas semelhantes relacionados à responsabilidade de influenciadores digitais.

O próximo passo da tramitação do projeto de lei será o parecer do relator, deputado Jorge Braz, que poderá recomendar a aprovação, rejeição ou ajustes no texto que foi originalmente apresentado.

Foto Capa: Reprodução/Instagram

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Jornal Digital Jornal Digital – Edição 756