
Um grupo de pouco mais de quinhentos agricultores e moradores do Distrito do Rosário, na zona rural de Correntina, invadiram na manhã do último dia 2 as Fazendas Rio Claro e Curitiba, empreendimento da empresa Lavoura e Pecuária Igarashi Ltda, braço agrícola do Grupo Igarashi, que figura entre os cinco maiores produtores nacionais de alho, batata, cebola, tomate, repolho, entre outras culturas, com atuação em diversos ramos de negócios nos Estados da Bahia [possui cerca de 40 mil hectares de terras em produção agrícola no Estado], Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina.
O mote dos manifestantes que chegaram às Fazendas Rio Claro e Curitiba em pelo menos vinte camionetas e vans, caminhões e dez ônibus e se autodenominaram ‘Moradores da Comunidade Ribeirinha do Rio Arrojado’, era protestar contra o sistema de irrigação utilizado nas propriedades do Grupo Igarashi que estaria sendo responsável pela baixa vazão dos mananciais que cortam o município de Correntina, no caso específico, o Rio Arrojado. Segundo os participantes do protesto, o sistema de irrigação das Fazendas Rio Claro e Curitiba, ambas da Lavoura e Pecuária Igarashi, estaria causando desequilíbrio na vazão do Rio Arrojado e provocando quedas constantes de energia nas localidades ribeirinhas e no Distrito do Rosário, distante cerca de 120 quilômetros da sede do município, às margens da BR-020, na divisa da Bahia com Goiás. Os ribeirinhos e moradores do Distrito do Rosário também questionam as outorgas liberadas pelo Governo do Estado para uso das águas da Bacia do Rio Corrente, sem que a população fosse ouvida. Esta questão – a disputa pelas águas do Rio Arrojado – se arrasta desde 2015, quando o Comitê da Bacia do Rio Corrente expediu deliberação para que não houvessem novas concessões de outorga para uso de recursos hídricos da Bacia, formada pelo Rios Rio Corrente, Correntina, Formoso, do Meio, Arrojado, Guará, Mutum, dos Morrinhos, das Éguas, Santo Antônio, Arrojadinho, Pratudão, Pratudinho, dos Angicos, das Cauans; os Riachos do Mato, Galho Grande, Baixão das Cordas, do Vau, da Onça, dos Três Galhos, Santana; os Córregos do Ribeirão, Barreiro, Veredãozinho, Veredão ou Ponta D’Água e Vereda do Bonito, que cortam os territórios de treze municípios baianos [Bom Jesus da Lapa, Baianópolis, Canápolis, Cocos, Coribe, Correntina, Jaborandi, Santa Maria da Vitória, Santana, São Desidério, São Félix do Coribe, Serra do Ramalho e Sitio do Mato] e abrangem uma população estimada em quase 200 mil habitantes.
Mas o foco da manifestação, que aparentemente tinha um viés pacífico, embora a invasão das propriedades se caracteriza em um ato de imposição e agressão aos diplomas legais vigentes, por força da ação desequilibrada de parte do grupo, embora aplaudida pela maioria conforme mostram vídeos produzidos pelos próprios participantes do protesto que circulam pelas redes sociais, descambou para o vandalismo.
O que se seguiu a invasão das fazendas do Grupo Igarashi foram cenas de banditismo que resultaram na agressão de trabalhadores, destruição de móveis e equipamentos, de torres e painéis de eletrificação, bombas e sistemas de irrigação, galpões e insumos que estavam estocados, inclusive caminhões e maquinários (retroescavadeira e tratores) do empreendimento e de terceiros, segundo informações da Empresa. Vandalismo que causou prejuízos, que embora não sejam confirmados pelo Grupo Igarashi, estão sendo estimados entre R$ 10 e R$ 60 milhões, além da possibilidade, não descartada, de demissões de trabalhadores em razão da necessidade de reavaliação do planejamento e reconstrução da infraestrutura atingida. A empresa, segundo informações, gera hoje nas duas fazendas alvo das depredações noventa empregos diretos e com a expectativa é que esse número chegasse a 250.



A MATÉRIA COMPLETA, com as reações de Entidades e Movimentos Sociais, do Grupo Igarashi, de Entidades ligadas ao agronegócio, do Governo do Estado, da Prefeitura Municipal de Correntina, da Assembleia Legislativa da Bahia e do Congresso Nacional, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Correntina, da Embrapa Cerrado e do Ministério Público Estadual, além da cobertura da manifestação que reuniu milhares de pessoas em Correntina, resultado de um esforço de toda a equipe de reportagem do JS, estão em oito páginas das Edições Impressa/Digital.

