77 3441-7081 — [email protected]

Investidores goianos apostam no Distrito de Rosário, no Extremo Oeste da Bahia

Importante rota produtiva da soja na Matopiba, o Distrito de Rosário, no Extremo Oeste da Bahia, fica há apenas 15 quilômetros de Posse em Goiás, tem atraído investidores goianos, que estão de olho em oportunidades que se consolidam a curto e médio prazo. Distrito já foi é motivo de disputa territorial entre os dois Estados.

 

Por Fernanda Cappellesso

 

A localização estratégica do Distrito de Rosário, localizado no Extremo Oeste da Bahia há apenas 15 quilômetros de Posse – que é a cidade da fronteira de Goiás com a Bahia – tem chamado a atenção de investidores goianos.O Distrito, que tem alavancado o PIB de Correntina – sua cidade sede, tornou-se um polo do agronegócio, cujas terras têm uma das mais altas produtividades de soja do Brasil.

De acordo com os últimos dados do IBGE (2015), o desenvolvimento agrícola é responsável por 51,29% do PIB do Correntina, cidade sede de Rosário aponta. Em 2010, a produção agrícola só era responsável por 37% da economia da cidade. Este crescimento o refletiu diretamente no PIB per capita, que chegou a R$ 39.034 mil e fez com que Correntina saltasse da 20ª para a 11ª posição no Estado da Bahia.

Segundo com o último levantamento da safra de soja 2018 realizado pela Aiba (Associação dos Irrigantes da Bahia), que foi divulgado no início deste mês, quando 60% da safra já estava colhida, a produtividade da região estava acima da média nacional. Segundo os dados, a região colhe 62 sacas por hectare, enquanto a média Brasil é de 56, de acordo com estimativas da Conab. Ainda de acordo com o relatório apresentado pela Aiba, os elevados números de produção se dão pelo clima favorável aliado a boa qualidade de sementes e a alta fertilidade do solo.

João Dimas, 40, é um dos goianos que decidiram aplicar na região. Proprietário de uma transportadora no seu Estado de origem, ele decidiu em 2013, motivado por amigos que já estavam investindo e obtendo bons resultados, comprar  uma fazenda para realizar plantio de soja e milho. “Desde 2010 eu já pesquisava e analisava se valia pena esta ação. Em 2013 eu e meu irmão resolvemos entrar no negócio em sociedade”, explicou.

Há oito anos, eles produzem 1.300 hectares de grãos, sendo 650 de soja e 650 de milho. De acordo com Dimas, a motivação final para investir no Oeste da Bahia foi a relação de custo benefício. De acordo com ele,  mesmo com a valorização das propriedades, é melhor no Oeste da Bahia do que em Goiás. “Sai mais barato comprar a fazenda e deixá-la produtiva na Bahia do que em Goiás”, finaliza

Dimas aponta ainda benefícios relacionados ao solo e a mão de obra como fundamentais para a decisão de ir para Rosário. “Como a região é mais plana, fica mais fácil produzir. Apostamos na mecanização que facilita e  torna a safra mais barata”, explicou o empresário que também destacou que a mecanização também propicia economia com os trabalhadores rurais. Segundo Dimas, como a região é plana, o plantio e a colheita são feitos 100% com tratores e colheitadeiras. Ele destacou ainda que na região, pela forte vocação agrícola, oferece com facilidade mão de obra especializada.

Rosário se destaca também pelo posicionamento estratégico que a coloca como elo entre a região Centro-Oeste e o Nordeste brasileiro e o portal de entrada para o corredor produtivo da Matopiba, sigla que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que é a principal fronteira agrícola da atualidade. Nesta região, com a dimensão similar a Alemanha, acontece o maior crescimento da produção de grãos do país. Enquanto a média nacional é de 5%, na região de Mapitoba esse número atinge 20% ao ano.

Na região, que já chamada pelos produtores rurais, de “Califórnia brasileira”, em alusão ao Estado americano onde grandes fazendas, bastante tecnológicas produzem safras bem acima da média, as propriedades rurais  são de grande porte e 100% mecanizadas, exigindo, assim, mão de obra especializada e equipamentos modernos.Nos últimos 30 anos, a área pla­ntada de soja no só Distrito de Rosário cresceu mais de 10 vezes. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja no Brasil (Aprosoja), o  número passou de 30 mil hectares em 1980 para os atuais 371 mil hectares.

Para atender toda esta demanda,  Rosário já abriga dez concessionárias agrícolas, que fornecem para fazendas do Distrito e de municípios próximos, tratores, colheitadeiras e outros equipamentos necessários para a produção. Também já chegaram ao Distrito várias empresas de insumos e defensivos agrícolas.

O Distrito  já se consolida como pólo de emprego para um raio de 20 municípios.  A mão de obra é utilizada tanto nas fazendas – para preparo do solo, plantio e colheita – quando nas empresas que fornecem equipamentos e insumos para toda a área produtiva do distrito e até de cidades vizinhas.

O impacto em Goiás

Posse, em Goiás, é uma cidade que foi diretamente beneficiada com o crescimento agrícola em Rosário. Muitos dos trabalhadores das empresas implantadas em Rosário optam por morar na cidade que Goiana, que fica há apenas 15 minutos. De acordo com estudo “As supernovas: duas futuras cidades brasileiras”, desenvolvido pelo professor titular da Universidade de Brasília (UNB), Vicente Barcelos – arquiteto e urbanista, mestre em Planejamento Urbano, doutor em Estruturas Urbanas e Ambientais pela Universidade de São Paulo (USP),  a cidade de Posse, por sua grande proximidade com o Distrito e Rosário, prosperou e e concentrou, em sua área urbana, muito do comércio de insumos agrícolas e serviços técnicos e serve de residência para muitos dos que estão envolvidos na produção agrícola do outro lado da divisa.

Segundo o estudo, a incorporação dos produtores agrícolas impulsionou a expansão urbana, trouxe novos hábitos e costumes que imprimem uma nova dinâmica na vida social de Posse. Para Vicente Barcellos, o desenvolvimento agrícola no distrito estimulou a chegada de novas pessoas de diversas regiões do Brasil que investem em Rosário.  Como o Distrito não tinha estrutura urbana, as pessoas ainda se instalam em Posse por causa dos aparelhos de saúde, educação e malha urbana.

Hoje, quase trinta anos depois do início dos investimentos em Rosário, Posse colhe alguns benefícios. Grande parte dos produtores rurais que, inicialmente, vieram para a região estão instalados em Posse. Esse é o caso do gaúcho Paulo Frasson, que há 27 anos investe no Distrito de Rosário e chegou motivado pelas terras baratas do Oeste da Bahia.Paulo casou-se  com a goiana Helena constituiu família em Posse, onde residem.

Segundo Frasson, vários outros fazendeiros com quem tem relação de amizade e relação comercial  também se instalaram em Posse. “Não havia estrutura para a instalação das famílias em Rosário, por isso todos optaram pela região mais próximas e com mais acesso”, conta ao explicar porque grande parte dos produtores que têm propriedades em Rosário residem em Posse.

Goiano investe na melhoria da estrutura de Rosário

A falta de estrutura e, ao mesmo tempo, o potencial econômico do Distrito de Rosário, despertou o interesse do empreendedor goiano Antônio Carlos Costa para a região. Com sucesso nos investimentos imobiliários e agropecuários no estado de Goiás, há 3 anos Costa decidiu ampliar seus horizontes e investir em um loteamento no Distrito de Rosário. De acordo com ele, a decisão final foi motivada por fatores técnicos estratégicos.

Segundo Costa, Rosário é uma fronteira agrícola que tem um excelente potencial para se tornar um grande centro urbano, graças a distância em relação a outras cidades da região. “O local é um ponto estratégico de passagem, por estar às margens da rodovia e por funcionar como um elo de ligação entre os estados”, explicou o empresário ao acrescentar que é uma região com solo e subsolos ricos.

“Vejo Rosário como uma nova fronteira agrícola que tem tudo para explodir no Brasil e se tornar uma cidade de referência pela sua produção agrícola e por empresas que estão chegando por conta dos bons rendimentos agrícolas”, explicou Costa ao enfatizar que acredita que em bem pouco tempo o  distrito seja elevado a município.

Costa é enfático em ressaltar que nos três anos de investimento em Rosário, a valorização do loteamento em que é parceiro na região, ultrapassa 40%. Ele explica que mesmo com a situação financeira ruim vivida nos últimos anos, graças ao risco Brasil muito alto, o mercado imobiliário do distrito de Rosário teve uma valorização excelente e acima do que era esperado que, segundo ele, seria em torno de 20%.

Os bons rendimentos no mercado imobiliário da região  já estão motivando Costa a buscar novas ações. “Estamos namorando duas propriedades rurais para realizar investimentos em agronegócios”, finaliza.

Jornal do Sudoeste

Categorias