JOÃO BATISTA, O PROFETA – SAGRADO E PROFANO

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ANTÔNIO NOVAIS TORRES

Disse o anjo enviado por Deus a Zacarias: “Não temas porque a tua mulher Isabel, te dará um filho a quem darás o nome de João e muitos se alegrarão do seu nascimento”.  Então perguntou Zacarias ao anjo: “Como saberei isto? Pois eu sou velho e minha mulher é estéril e em idade avançada” – questionou.  Lucas 1. 13,18).

João, mais tarde chamado de João Batista, foi um profeta, judeu do século I, primo de Jesus Cristo, foi enviado por Deus para cumprir a missão de salvar a humanidade através do batismo. O nome Batista quer dizer: aquele que batiza.

 Nascido em 24 de junho, no ano 1 do século I, seis meses antes de Jesus, em Ein Kerem, Reino de Judá, bairro de Jerusalém (Israel) onde passou a sua infância. Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, filha de Arão, prima de Maria (mãe de Jesus). João foi circuncidado, conforme procedimento religioso dos judeus, no oitavo dia do nascimento.

Isabel, estéril e já idosa, viu sua vontade materna satisfeita quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho que se chamaria João.

Maria visita Isabel, confira o Evangelho de Lucas 1.39-45).

A palavra de Deus veio a João, filho de Zacarias, que pregava no deserto da Judeia e dizia: Aqueles que confessarem seus pecados serão levados ao Rio Jordão, para a cerimônia do batismo de arrependimento (conversão) e remissão dos pecados. “Arrependam-se dos seus pecados e sejam batizados, que Deus os perdoará”.

Por todo esse trabalho era considerado o precursor de Jesus Cristo. Mensageiro de Deus, preparou o caminho para o ministério de Cristo. Afirmava: “Após mim vem àquele que é mais poderoso do que eu e os batizará com o Espírito Santo”.

Jesus de Nazaré, vindo da Galileia, foi batizado no Rio Jordão (Judéia) por João Batista que se havia recusado a batizar Jesus: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mateus 3:13-17), mas, convencido por Ele, o fez, reconhecendo-O como o Messias. “Testifico que este é o filho de Deus”.  “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”.

Jesus dá testemunho de João:  Lc 7.28: “Eu vos digo: Entre os nascidos de mulher, não há maior profeta do que João”.

 Quando João Batista batizou Jesus, o Espírito de Deus desceu em forma de uma pomba e pousou sobre ele. Então, ouviu-se uma voz dos céus que dizia: “Este é o Meu Filho amado em quem me comprazo”. A missão do profeta culminou com o batismo de Jesus. A partir do momento do batismo, Jesus dá início ao seu ministério que vai de 27 d.C. até 30 d.C., findo com a sua crucificação.

A região que João Batista usava para os batismos é tão importante que Israel e a Jordânia, até hoje, disputam a posse do local exato do rio, não só pela importância religiosa, mas porque isso atrai uma imensa quantidade de peregrinos e turistas.

João, pregador consagrado de alta moral, áspero, intolerante e ascético, seu ministério foi bem-sucedido. Homem simples, vestia-se com pele de camelo e um cinto de couro em torno do seu dorso, nada material possuía. Dizia a verdade através de suas pregações. O seu propósito era indicar a todos como obter a vida eterna. A vida eterna é uma dádiva divina para os cristãos que creem que Jesus é o filho de Deus e o Salvador do Mundo. As notícias sobre Ele se espalharam rapidamente e as pessoas de toda região ao redor de Jerusalém e do Jordão foram até Ele.

  O pregador João Batista passou a ser perseguido pelas verdades que dizia e pela sua conduta moral reta e da sua fé.

 De acordo com os evangelhos sinópticos, Herodes mandou prender João Batista por ele tê-lo  admoestado por se divorciar de sua esposa (Fasélia – Phasaelis) e, ilegitimamente, tomar como amante Herodias, a esposa de seu irmão Filipe, com quem vivia uma vida adultera, e por todas as maldades praticadas.

 No aniversário de Herodes, foi oferecido aos convivas um banquete e a filha de Herodias, a dançarina Salomé, dançou para o rei e seus convidados.

Sua dança agradou tanto a Herodes que, bêbado, ele prometeu a ela qualquer coisa que pedisse, limitando a promessa, em metade de seu reino.

 A filha instigada pela mãe, perguntou o que deveria pedir, Herodias solicitou que ela pedisse a cabeça do profeta João Batista. Mesmo por estranhar o pedido, Herodes ordenou decapitar João na prisão e mandou entregá-la em uma bandeja de prata a Salomé que a levou para a sua mãe. O relato bíblico representa a decapitação de João Batista por Herodes (Mateus 14.1-12. Marcos 6.14-29 e Lucas 9.7-9).

Os discípulos de João Batista ao tomarem conhecimento do fato avisaram a Jesus e enterraram-no. João era o discípulo que Jesus mais amava.

A história afirma que o rei Herodes rei da Galileia e Peréia, em vista do prestígio de João Batista, prevendo uma rebelião do povo que o tinha como profeta, temia que isso acontecesse.

 João Batista foi um crítico do poder e, por isso, foi assassinado, não somente por questões morais, por criticar o relacionamento amoroso de Herodes e Herodias, mulher de seu irmão Filipe, com quem Herodes se casara. Por causa das suas pregações contra o adultério do rei, Herodias odiava João Batista, que dizia: “não é lícito Herodes possuir a mulher de seu irmão”. Daí, Herodias querer a morte de João Batista. Maiores esclarecimentos leiam (Mc 6. 17-29).

João era o discípulo que Jesus mais amava. Assistiu ao Julgamento de Cristo, a sua crucificação e foi o primeiro a chegar ao sepulcro de Cristo. Escreveu o Apocalipse, e é autor do Evangelho segundo João, e redigiu de várias epístolas. Maria foi entregue à sua proteção. Foram seus discípulos Policarpo, Papias e Inácio.

FOLCLORE:

SÃO JOÃO é comemorado por muitos, através das festas juninas. Essas festas têm conotações religiosas e profanas. O Evangelho de Lucas (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu seis meses antes de Jesus; portanto, a festa de João Batista foi fixada em 24 de junho. Este dia de festa é um dos poucos dias santos que se comemora o aniversário do nascimento, ao invés da morte do santo homenageado pelos católicos.

O folclore do São João está relacionado ao conjunto de práticas culturais, sociais e históricas que o povo pratica através de danças, mitos, lendas, provérbios, roupas apropriadas para a época, comidas típicas e costumes adotados pelo povo que são passados às gerações.

  Simbolizam a cultura popular e representam grande importância na identidade do povo e  de regiões específicas do país, especialmente no Norte/Nordeste. Portanto, para que essa identidade se preserve é necessário que determinadas práticas sejam transmitidas de geração em geração para tornar-se parte da identidade de uma nação. O folclore apresenta diferenças culturais em cada povo, constituindo elementos únicos em cada local.

No Brasil, o folclore tem influências e misturas culturais da população indígena, dos negros e dos europeus portugueses, sendo que cada região do país apresenta histórias que podem ser tratadas de maneiras diferente, de acordo com a tradição da região.

O mês de junho é especial em muitas regiões do Brasil, peculiarmente no Nordeste, é época de festejos juninos: Santo Antonio, São João e São Pedro. O São João é festejado com alegrias transbordantes, quadrilhas, casamentos, compadres de São João, farta alimentação típicas, músicas, bebidas, muitos fogos e desejos solicitados ao Santo casamenteiro pelos interessados em satisfazer o seu desejo.

As festividades foram trazidas para o Brasil pelos portugueses e divulgadas entre nós, tornando-se um hábito popular agradável ao povo brasileiro. A maneira de comemorar o santo, pelos introdutores, era sugestiva e de fácil proselitismo religioso, daí os indígenas que habitualmente gostavam de danças ficarem seduzidos.

No Brasil a fogueira de São João é uma iniciativa familiar e posta diante da casa. Significa ação religiosa em homenagem a São João. O que importa é a crença pessoal no santo protetor. “A fé remove montanhas”.

Conta-se, entre tantas outras superstições do folclore nacional, que na noite de São João, introduzindo-se no caule da bananeira uma faca virgem, no dia seguinte deve aparecer na faca a inicial do nome da noiva ou do noivo.

Tradicionalmente salta-se fogueira com o objetivo de se tornarem compadres ou comadres, ditos de fogueira, além de outros ritos, como o casamento diante de familiares, considerado válido para todos os efeitos, como se fosse realizado pelo sacerdote. Quando efetuado em missão eclesiástica, o casamento religioso é realizado, porém  o profano e de fé em São João já havia sido efetivado há algum tempo.

O casamento celebrado pelo eclesiástico, muito querido pelos paroquianos, era a confirmação de uma promessa recíproca de união, ou seja, um contrato formal de fé, confirmado e consentido pelos pais dos noivos e aplaudidos pelos convivas.

Trata-se de uma confissão de amor e fidelidade, que a igreja convenciona que só a morte separará o casal.

 Algumas canções alusivas às festas juninas são entoadas com esse tema ao gosto do nordestino, especialmente as do cantor Luiz Gonzaga, entre outros.

Aos  leitores fica a compreensão  sobre o profano e o sagrado. A cada cabeça uma sentença. Todo homem é responsável pela religião que professa, se tiver por ela, a crença da pureza e da verdade. “A religião é inteiramente interior, pessoal, pois exprime as relações com Deus” (Gandhi).

“Costume e tradição dependem da aceitação de cada pessoa, da concepção e opinião adotada sobre o assunto”. (Antonio Novais Torres).

“Não procures a verdade fora de ti, ela está em ti, em teu ser. Não procures o conhecimento fora de ti, ele te aguarda em tua fé interior. Não procures a paz fora de ti, ela está instalada em teu coração. Não procures a felicidade fora de ti, ela habita em ti desde a eternidade” (Mestre Khane).

Fontes:

Bíblia Sagrada: Novo Testamento (tradução de João Ferreira de Almeida);

Dicionário Aulet/Folclore;

Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís Câmara Cascudo;

Diversas consultas em sites da Web (internet);

Enciclopédias: Barsa e Encarta;

Enciclopédia livre Wikipédia;

Comentário bíblico sobre o Novo Testamento (editora Central, gospel).

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Jornal Digital Jornal Digital – EdiÇÃo 761