Mastologista guanambiense fala sobre prevenção e tratamento do câncer de mama

A mastologista Marina Rafaela Teixeira Cambuy, graduada em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), com Residência Médica em Cirurgia Geral no Hospital Santo Antônio (Salvador) e em Mastologia no Hospital Aristides Maltez (Salvador), Professora do curso de Medicina da Faculdade Guanambi, é uma entusiasta da Campanha Outubro Rosa, que nasceu nos Estados Unidos como forma de conscientizar as mulheres para a importância da prevenção do câncer de mama e que se espalhou pelo mundo inteiro. “O Outubro Rosa ajuda a criar consciência nas mulheres sobre a prevenção dessa doença que é a segunda maior causa de morte das mulheres no Brasil”, explica a médica.

A médica Marina Rafaela Teixeira Cambuy abriu espaço na apertada agenda na tarde do último dia 18 para receber a reportagem do JS e alertar as pessoas sobre a importância dessa campanha para a saúde da mulher. “É fundamental lembrar que além da doença ser de alta mortalidade, quando o câncer é diagnosticado na fase inicial ele tem até 95% de possibilidades de cura, ou seja, mesmo em paciente assintomáticos, que são aqueles que não apresentam sintomas, os índices de cura são altos e os tratamentos menos agressivos”, aponta.

De acordo com a médica, apesar da campanha ocorrer em outubro, a prevenção deve ser todo o ano. “O Outubro Rosa serve para fazer a mulher lembrar da prevenção, para se perguntar se fez a mamografia naquele ano, se está fazendo o autoexame”, explica. “A campanha também tem sido importante para fazer a mulher vencer medos dos exames, sobretudo da mamografia, bem como observar melhor as mudanças no próprio corpo”, observa.

A médica Marina Cambuy relata ainda que o componente hereditário não é o principal fator de risco no câncer de mama. “Apenas 5% dos casos de câncer de mama estão relacionados com a genética, de forma que os fatores de risco para essa doença estão presentes na vida moderna como os hábitos reprodutivos, com a mulheres menstruando mais cedo e tendo a menopausa mais cedo, tendo menos filhos, amamentando menos e menstruando mais, além da obesidade, sedentarismo, do tabagismo, do consumo de alimentos industrializados”, orienta.

Marina Cambuy lembra números do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontando que cerca de pouco mais de 57 mil novos casos de câncer de mama devem ser diagnosticados em 2017. Estudo da Sociedade Brasileira de Mastologia revelou que o risco de contrair a doença aumenta consideravelmente em mulheres na pós-menopausa que apresentam ganho de gordura corporal, especialmente na região abdominal. “Diante disso, a recomendação é para a adoção de alimentação saudável com pouca ingestão de gordura e álcool, assim como a prática de atividades físicas”, ressalta a médica.

A mastologista reforça ainda que a mamografia e o autoexame também são essenciais, já que podem acusar um diagnóstico de doenças mamárias. “A origem do câncer de mama é multifatorial e, por isso, não sabemos quem terá a doença durante a sua vida, portanto todas as mulheres devem fazer exames periódicos para possibilitar a detecção precoce do câncer de mama ou, melhor ainda, detectar lesões pré-cancerosas”, completa. “O ideal é a realização da mamografia uma vez por ano a partir dos 40 anos”, reforça a médica, acrescentando que o diagnóstico precoce é importante para o tratamento da doença, isto porque quanto menor o tamanho da doença menos agressivo será o tratamento e com mais chances de cura, podendo alcançar até 95%.

Confira os principais trechos da entrevista:

JORNAL DO SUDOESTE: Inicialmente gostaríamos de agradecer a senhora por abrir espaço na agenda e nos receber. Drª Marina, o que é câncer de mama?

DRª MARINA CAMBUY – O câncer, de maneira geral, se caracteriza por uma célula do corpo que sofre multiplicação anormal, ou seja, se multiplica e se divide mais do que as outras células normais do corpo. Essa multiplicação anormal pode ser provocada por agentes tóxicos, ou seja, resultante de uma alimentação inadequada, da ingestão de alimentos tóxicos; por agentes poluentes do ar que podem produzir substancias toxicas no corpo ou por uma mutação genética, nesse caso há o fator hereditário ou por radiação. Então essa célula se multiplica mais do que as outras e tem capacidade de invadir os tecidos vizinhos ou outros órgãos e tecidos à distância, o que chamamos de metástases.

JS – Dados divulgados por entidades médicas e de apoio a pacientes apontam que a incidência do câncer tem aumentado em proporção ano após ano. De acordo como Inca a incidência do câncer de mama em 2016 foi de 57 mil novos casos. A senhora diria que houve um aumento do câncer de mama ou os diagnósticos estão ocorrendo mais precocemente? 

DRª MARINA CAMBUY – Está havendo na realidade um aumento da incidência do câncer de mama, ano após ano. Se observarmos os dados estatísticos, no próprio site do Inca [Instituto Nacional do Câncer], vamos perceber que a incidência da doença vem se acentuando muito no decorrer do tempo. É comum pacientes que vem ao consultório relatarem certa perplexidade com o avanço da doença afirmando que nunca imaginaram ver tantos casos de doenças malignas como têm ocorrido atualmente, e isso mostra que o câncer – de mama especificamente – não tem registrado crescimento apenas nos dados estatísticos, mas na realidade do dia a dia da população. Temos percebido esse aumento da neoplasia maligna no nosso dia a dia e constatamos que vários fatores contribuem para as chances de aumento da doença. Hábitos de vida, alimentação inadequada, o sedentarismo, o alcoolismo, tudo isso que são características da sociedade moderna, que aumentam o risco de doenças, não só o câncer de mama, mas a neoplasia maligna de modo geral.

JS – Quais os sintomas para os quais as mulheres devem ficar alerta? 

DRª MARINA CAMBUY –  Toda mulher ela deve fazer o autoexame para conhecer o seu próprio corpo. Mas é preciso deixar claro que o autoexame não é o melhor método de diagnóstico para o câncer de mama. É importante que a mulher faça o autoexame, é recomendável que a mulher conheça seu próprio corpo, suas mamas e ao reconhecer alterações possa alertar seu médico. A mulher deve ficar atenta a abaulamentos em uma parte da mama, retração, nódulos palpáveis, nódulos em baixo das axilas, dor, ardência, alteração na pele e descamação e alterações na pele da aréola e do mamilo e na descarga papilar que é a saída de secreção pelo mamilo e a aréola. Nem todas as mulheres que tem essas alterações tem o câncer de mama, mas se a mulher descobrir um nódulo ou se está saindo algum liquido ou secreção pelo mamilo, não quer dizer que ela está com diagnóstico de câncer de mama, mas que são sinais de alerta que devem ser levados em conta para que um mastologista de confiança seja procurado para fazer um exame clínico para uma avalição que poderá apontar a existência ou não de uma anomalia.

JS – Existe uma idade em que a doença se manifesta com mais frequência? 

DRª MARINA CAMBUY – Sim, existe. O câncer de mama tem um tempo de maior incidência na quinta e na sexta década de vida, ou seja entre 50 e 60 anos. Isso não significa que não existem mulheres maiores de 60 ou menores de 50 anos com diagnóstico da doença.

JS – Qual é a maneira de se fazer um diagnóstico mais eficiente? Qual a importância da mamografia? 

DRª MARINA CAMBUY – Com relação ao autoexame, a mulher precisa conhecer o seu próprio corpo e, se identificar alguma alteração – qualquer que seja –  procurar assistência médica. Mas o único exame que comprovadamente reduziu a mortalidade em mulheres com câncer de mama do câncer de mama é a mamografia. A importância [da mamografia] é que através do exame se consegue detectar inclusive a formação inicial do câncer, formas menores de um centímetro, nódulos muito pequenos que têm uma chance maior de cura.

JS – Existem fatores de risco para o câncer de mama? 

DRª MARINA CAMBUY – Sim. Os fatores de risco indicam que há mulheres com uma chance de desenvolver a doença na população em geral. Esses fatores de risco são divididos em hormonais, ambientais e genéticos. Os hormonais são mais comuns nas mulheres com a primeira menstruação muito cedo ou a menopausa tardia. Essa mulher fica um tempo maior exposto aos hormônios femininos, um quadro que não era comum no passado, quando as mulheres menstruavam pela primeira vez aos 14, 15, às vezes, 16 anos, e a menopausa era mais precoce, geralmente com 42, 43 e até 45 anos. Hoje a gente observa mulheres com a primeira menstruação precoce e a menopausa tardia. Outros fatores de risco são a terapia de reposição hormonal por mais de 5 anos consecutivos, terapias hormonais para engravidar, mulheres que nunca tiveram filhos e que nunca amamentaram. Os ambientais são a obesidade, alimentação inadequada, alimentações com produtos embutidos, enlatados e/ou defumados e também sedentarismos e alcoolismo. E os fatores genéticos, são aquelas mulheres que tem histórico familiar de parentes de primeiro grau com a doença, que tem uma maior chance de desenvolvê-la.

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Redacão Jornal do Sudoeste

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