Membro da Academia de Literatura de Cordel

“O SUJO NÃO FALA DO MAL LAVADO”
A ÉTICA EM DISCUSSÃO

 

Um famoso jogador
Da seleção brasileira,
Vulgo “Canhotinha de ouro”,
Fez um dia uma besteira,
Ao propagar um cigarro,
Em um momento bizarro
Da ciranda financeira.
.
Mas não foi sua intenção
Motivar a polêmica
De caráter social
Fruto da cultura endêmica,
Que se espalha no Brasil,
Retratando o seu perfil
De natureza epidêmica.
.
Dessa forma, o nosso atleta
Emprestou a sua imagem,
Numa bela baforada
Que traduzia a mensagem,
Revelando que gostava
Daquilo que anunciava
De em “tudo levar vantagem”.
.
O que era para ser
Somente um comercial,
Foi, mais tarde, associado
Como um ato desleal,
De “Lei de Gerson”, chamado,
Sendo, assim, interpretado
No meio empresarial.
.
Também foi por outras áreas,
Discutido e repensado
Em novo prisma moral
Pra poder ser aplicado
No mundo contemporâneo
De modo mais consentâneo,
Diverso do praticado.
.

Diante desse vexame

Que viveu o cidadão,
Respeitado e consciente,
Consagrado campeão,
Ficou mui constrangido
Declarando-se arrependido
Ao cair na tentação.
.
Desse fato corriqueiro,
Aproveito o ensinamento,
Trazendo à baila um assunto,
Com o meu discernimento
Desde a Grécia, sendo tema,
Que representa um dilema
Ao seu real cumprimento.
.
Por aí, há muito “sujo”
A falar do “mal lavado”,
Sabedoria do povo
Repetida no ditado:
Gente com cara de santo
Mas por detrás desse manto
Satanás esconde o rabo.
.
Assim, não cala a pergunta
Que agora vou fazer,
Indagando: — Quem é ético?
Quem sabe, é só responder!
Diante desta questão
Provo a reflexão
Para poder aprender.
.
Sendo famoso o “jeiinho”
Natural do brasileiro,
Em todo lugar um “Gerson”
Em cada esquina um treiteiro
No Congresso, nem se fale
Um “pedido” sempre vale
Um emprego alvissareiro.
.
Atire a primeira pedra,
Quem não segurou escada
Pra também tirar proveito,
Quando alguém, nessa escalada,
Faz fortuna galopante
Mas em face de um flagrante,
Diz que não sabe de nada.
.
Aquele que diz: — sou honesto,

Sem demonstrar a atitude
Deixa seu rabo de fora
Com as práticas de amiúde.
Honestidade é dever
Para poder conviver,
Não falácia de virtude.
.
A moral é de foro íntimo,
Portanto, individual,
Relativa aos bons costumes,
Aos valores, em geral;
Porem, se me refiro à Ética
O seu foro é social.
.
A ÉTICA quer dizer conduta
Do bom profissional,
No caso, não se mistura
Ao conceito de MORAL.
A honra da profissão
É dever do cidadão,
De cumprimento toal.
.
Se a moral é dever ser,
Filosofando o conceito,
A Ética, no entanto, é se,
Consagrada no Direito,
Como a pura teoria ,
Conforme Kelsen dizia,
Desse solene preceito.
.
Melhor prestar atenção,
No que faz a cada dia,
Dizendo que você é
Ético — e até se vangloria
Da pureza dos seus atos
Porém diante dos fatos
Não prospera a fantasia.
.
Não deve haver exceção,
Ao se pregar igualdade;
Ninguém deve escravizar
Quando prega a liberdade.
Não é ética, mas cinismo,
Esconder seu egoísmo ,
Falando em fraternidade.
.
“Levar vantagem em tudo”,

Em qualquer situação,
É a faceta do mal,
Chamada corrupção,
Onde o correto é defeito
De quem quer andar direito
Dentro da nossa Nação.
.
Vivo, então, me consumindo
Diante desses receios,
Vendo os valores mudando,
Numa rapidez sem freios.
Neste dilema profundo,
Em que se debate o mundo,
Trocando os fins pelos meios.
.
Finalizando, repito
O que antes perguntei:
Será que você é “sujo”
Ou ”mal lavado” — não sei!
Mas se for do mesmo jeito
Vamos mudar o preceito:
DESIGUAIS PERANTE A LEI.
Fim!

José Walter Pires

Categorias

Deixe seu comentário