Monitor de Secas registra piora nas condições de seca no Nordeste em março

Severidade do fenômeno aumentou em Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. No Ceará e na Paraíba houve uma leve piora nas condições do fenômeno. Apenas no Maranhão aconteceu uma leve melhora, enquanto em Sergipe a situação de manteve estável e a mais severa do Nordeste

 

Por Ascom/ ANA

 

A última atualização do Monitor de Secas aponta que no Nordeste houve uma piora na condição de seca em março, devido às chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses, marcada pelo aumento das áreas com seca moderada e/ou grave em parte de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Por outro lado, devido às precipitações acima da média no último mês, houve uma redução das áreas com seca fraca e moderada no Maranhão – único estado nordestino que registrou melhora nas condições do fenômeno.

Na comparação entre fevereiro e março, Alagoas teve um aumento significativo da severidade do fenômeno com a ampliação das áreas com seca grave (de 9% para 33% do estado) no oeste em função das chuvas abaixo da média no último semestre. Por outro lado, no último mês 15% do território alagoano passaram a estar livres do fenômeno, o que não acontecia desde setembro de 2020, quando 22% do estado não registraram seca. Esse recuo no leste se deu por conta das chuvas acima da média na região.

A Bahia registrou um aumento da área com seca de 83,2% para 100% de seu território entre fevereiro e março. Desde março de 2019 o estado não passava pelo fenômeno em 100% de seu território. Além disso, a seca se agravou com o aumento da porção com a severidade moderada, que saltou de 13% para 54% nos últimos dois meses. Outro indicativo da piora das condições na Bahia foi o ressurgimento de área com seca grave em 1% de seu território. A área total com seca no estado foi a maior do Brasil em março (567.295km²) entre as 20 unidades da Federação acompanhadas.

Segundo o Monitor de Secas, em março o Ceará seguiu com o fenômeno em 100% de seu território. Em termos de severidade, aconteceu um leve aumento da área com seca moderada, em direção ao litoral leste, que passou de 34% para 36% do território cearense em comparação a fevereiro por conta da piora dos indicadores do fenômeno. Esta é a maior extensão de seca moderada no estado desde fevereiro de 2020, quando 57,7% do território cearense enfrentou esse grau de severidade. Os impactos de curto e longo praz na porção central do estado e de curto prazo nas demais áreas permanecem.

Entre fevereiro e março, o Maranhão foi o único estado nordestino que teve uma leve redução da área total com seca de 61% para 58% do território maranhense. Com isso, o Maranhão teve a maior área livre de seca no Nordeste em fevereiro: cerca de 42%. Esta é a melhor condição do fenômeno no estado desde setembro de 2020 e a melhor situação do Nordeste no último mês.

No caso da Paraíba, a área com seca moderada subiu de 58% para 62% entre fevereiro e março no leste, devido às chuvas abaixo da média nos últimos meses, sendo que o restante do território apresentou seca fraca. Com isso, o estado tem a maior severidade do fenômeno desde março de 2020, quando 65,6% do território paraibano registrou seca moderada e o restante teve seca fraca. Os impactos do fenômeno permanecem de curto e longo prazo na porção central e de curto prazo no restante do estado.

Em Pernambuco, entre fevereiro e março, a área com seca moderada subiu de 54% para 67% nas regiões central e oeste por conta das chuvas abaixo da média nos últimos meses. Além disso, o estado voltou a registrar seca grave em 3% do seu território no sul. Esta é a pior condição do fenômeno desde fevereiro de 2020, quando 36% do estado teve seca grave e cerca de 64% de seca moderada. Os impactos são de curto e longo prazo no sudoeste pernambucano e no nordeste do estado, enquanto nas demais áreas os impactos são de curto prazo.

No Piauí a área livre de seca subiu de 8% para 17% entre fevereiro e março, especialmente no norte piauiense, devido às chuvas acima da média nos últimos meses. No entanto, o fenômeno se agravou no período com o forte aumento da área com seca moderada no estado, que saltou de 22% para 53% no centro-sul em função das chuvas abaixo da média na região. Os impactos continuam de curto e longo prazo (CL) no centro-sul, e de curto prazo (C) nas demais áreas.

Entre fevereiro e março, o Rio Grande do Norte teve um agravamento da seca com o ressurgimento da área com seca grave no sul potiguar, que foi registrada em 14% do estado, devido às chuvas abaixo da média no último trimestre. Esta é a condição mais severa do fenômeno no Rio Grande do Norte desde janeiro de 2020, quando 24% do estado passou por seca grave. Pela mesma razão, aconteceu a expansão da seca moderada no nordeste potiguar. Os impactos permanecem de curto e longo prazo em parte do Seridó e da Borborema e de curto prazo nas demais áreas.

Em março a severidade da seca se manteve estável em Sergipe nos patamares de 13% de seca fraca, 53% de seca moderada e 34% de seca grave, sendo que pequenas variações são desconsideradas no Monitor. Assim como em fevereiro, no último mês o estado seguiu com a maior área com seca grave e a condição mais severa do fenômeno no Nordeste. Os impactos permanecem de curto e longo prazo no centro-oeste sergipano e de curto prazo nas demais áreas do estado.

 

 

Em março deste ano, em comparação a fevereiro, as áreas com seca tiveram redução em seis das 20 unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor de Secas: Alagoas, Maranhão, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Tocantins. O território capixaba, por sua vez, deixou de registrar seca, o que não acontecia desde abril de 2020. No sentido oposto, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram aumento de sua área com seca, enquanto São Paulo registrou a categoria mais intensa para o fenômeno no país: seca excepcional, que não era registrada pelo Monitor no Brasil desde março de 2019.

Em sete estados, 100% de seus territórios continuaram com seca no último mês em comparação a fevereiro: Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. A Bahia passou a ter seca em 100% do estado, o que não acontecia desde março e 2019. Outros três estados registraram entre 96 e 98% de área com seca: Paraná, São Paulo e Goiás. O Distrito Federal e o Espírito Santo são as únicas unidades da Federação sem o fenômeno, conforme o gráfico a seguir.

 

As cores do gráfico indicam as regiões CENTRO-OESTE, SUDESTE, NORDESTE, SUL e NORTE.

Em termos de severidade do fenômeno, os três estados do Sul tiveram o abrandamento da seca entre fevereiro e março: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Por outro lado, seis unidades da Federação tiveram agravamento da situação de seca, marcado pelo avanço da seca grave (Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte), pela expansão das áreas com seca moderada (Bahia e Piauí) e pela acentuação da seca no noroeste de São Paulo – único estado a registrar seca excepcional no país, categoria mais intensa na escala do Monitor. Já no DF a situação se manteve sem seca. Veja a seguir a seca por grau de severidade em todos as unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor.

Com base no território de cada unidade da Federação acompanhada, a Bahia lidera a área com seca, seguida por Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, como ilustra o gráfico a seguir.

 

 

As cores do gráfico indicam as regiões CENTRO-OESTE, SUDESTE, NORDESTE, SUL e NORTE.

 

O Monitor realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil com base em indicadores do fenômeno e nos impactos causados em curto e/ou longo prazo. Os impactos de curto prazo são para déficits de precipitações recentes até seis meses. Acima desse período, os impactos são de longo prazo. Essa ferramenta vem sendo utilizada para auxiliar a execução de políticas públicas de combate à seca e pode ser acessada tanto pelo site monitordesecas.ana.gov.br quanto pelo aplicativo Monitor de Secas, disponível gratuitamente para dispositivos móveis com os sistemas Android e iOS.

Com uma presença cada vez mais nacional, o Monitor agora abrange as cinco regiões do Brasil, o que inclui os nove estados do Nordeste, os três do Sul, os quatro do Sudeste, Tocantins, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. O processo de expansão continuará até alcançar todas as 27 unidades da Federação.

O Monitor de Secas é coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), e desenvolvido conjuntamente com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos, que atuam na autoria e validação dos mapas. As instituições que atuam no Monitor de Secas em seus respectivos estados são as seguintes:

  • ALAGOAS: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH)
  • BAHIA: Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA)
  • CEARÁ: FUNCEME, Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (EMATERCE)
  • MARANHÃO: Laboratório de Meteorologia do Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão (LABMET-UEMA)
  • PARAÍBA: Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA)
  • PERNAMBUCO: Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)
  • PIAUÍ: Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR)
  • RIO GRANDE DO NORTE: Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) e Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH)
  • SERGIPE: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEDURBS)

A metodologia do Monitor de Secas, em operação desde 2014, foi baseada no modelo de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México. O cronograma de atividades inclui as fases de coleta de dados, cálculo dos indicadores de seca, traçado dos rascunhos do Mapa pela equipe de autoria, validação dos estados envolvidos e divulgação da versão final do Mapa do Monitor, que indica a ausência do fenômeno  ou uma seca relativa, significando que as categorias de seca em uma determinada área são estabelecidas em relação ao próprio histórico da região.

Jornal do Sudoeste

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