Não será o ano do abraço?

O ano de 2020 foi avassalador, com o mundo parando por causa de uma pandemia de covid 19. Não sabíamos nada sobre o novo flagelo que estava matando pessoas por todo o planeta, e cada vez mais. No final do ano começaram a ser aplicadas as primeiras vacinas dessa pandemia e isso foi aceno de esperança de que o próximo ano, 2021, fosse mais promissor com o declínio da covid, já que todos deveriam ser vacinados. O fim da pandemia já era cogitado e o ano novo poderia ser bom. Mas não foi assim que aconteceu. As vacinas foram sendo aplicadas, aprovadas que foram em tempo muito curto, algumas com maior índice de eficácia, outras menos.

No Brasil, a vacinação andou devagar por culpa de um governo negacionista que não comprou as vacinas em tempo hábil, por não reconhecê-las, criminosamente. Novas ondas da covid19, com novas variantes se espalharam pelo mundo e passamos o ano de sobressalto em sobressalto, com muito medo. Quando em parte do planeta havia países com 70, 80 por cento da população vacinada, no final de 2021, a terceira dose já estava sendo aplicada nos adultos e a primeira dose começava a ser aplicada em crianças de cinco anos em diante. Porque com a observação dos efeitos das vacinas e o aparecimento de novas cepas foi-se verificando a necessidade de uma maior proteção. E então apareceu mais uma variante extremamente contagiosa, a Ômicron. E já se fala em quarta dose.

Muita especulação, mas sem sabermos quase nada sobre a nova cepa, a esperança de um fim de ano quase “normal”, quando poderíamos abraçar e beijar nossa família e nossos amigos, foi por água abaixo novamente. Não deveríamos aglomerar-nos, ainda, não deveríamos abandonar os cuidados mais elementares, como usar máscaras, manter o distanciamento físico e fazer a higiene das mãos com álcool com frequência. E de novo muitos países tiveram que tomar medidas para atenuar o contágio nas festas de fim de ano: sem festas, sem fogos, os eventos de Natal e Ano novo foram quase todos cancelados.

Estávamos torcendo para que o ano e 2022 fosse, finalmente,  o ano do abraço, das reuniões de famílias e amigos, dos eventos de grande porte, mas muitos braços ainda ficarão vazios, muitos beijos ficarão presos nos lábios cobertos por máscaras, muita gente deixará de se rever. Uma pena. Ainda não se tem estudos definitivos e completos sobre o Ômicron, então começaremos o novo ano com a incerteza, ainda, sobre  a pandemia que já dura dois anos.

Mas teremos que perseverar a tentarmos fazer de 2022 um bom ano. Vamos ter que nos cuidar – se nos cuidarmos estaremos cuidando também dos outros – e fazer tudo para evitar que haja mais variantes. Pois só assim poderemos fazer um ano melhor, só conseguiremos isso tomando as vacinas e tomando os cuidados necessários. Talvez tenhamos que aprender a conviver com a covid, como convivemos com a gripe, tomando vacina todo ano, mas que seja uma forma mais branda. O novo “normal” continuará a exigir de nós todos os cuidados com os quais já nos acostumamos. Depende também de nós, dos cuidados que tomaremos ou não. Que ano novo ano seja feliz, com covid e tudo, mesmo que tenhamos que conviver com ela tomando vacinas todos os anos.

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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