Nenhuma agressão será capaz de calar a imprensa livre

Desde a campanha eleitoral, incomodado pela mediocridade da sua biografia, Jair Messias Bolsonaro tem se esforçado para se superar no despreparo emocional – o moral, seus superiores no Exército e os que com ele conviveram no Parlamento repetem sempre que instigados – principalmente quando tem de prestar contas à sociedade de seus atos tresloucados, que afrontam não apenas a civilidade que se espera de qualquer cidadão de bem, principalmente de um presidente da República, despreza a dignidade, a honra e o decoro que se espera de um agente público, por meio da imprensa. Talvez por desconhecer que a prestação de contas, sempre que exigida, é uma obrigação de qualquer cidadão honrado que esteja investido de um cargo público.

Jornalistas, exceto evidentemente os “blogueiros de plantão”, que se autoproclamam e se julgam “jornalistas”, por má-fé intelectual ou razões inconfessáveis, devotam “fidelidade canina” ao presidente, tem sido invariavelmente atacado por Jair Bolsonaro, sempre que, no exercício de suas missões, fazem os questionamentos que a sociedade gostaria de ver esclarecidos.

O alvo da vez, nesta segunda-feira (26), foi a jornalista Driele Veiga, repórter da TV Aratu, que cobria a visita do presidente para inaugurar a duplicação de 22 quilômetros da BR-116, em Conceição do Jacuípe, chamada de idiota ao questionar Bolsonaro em relação à repercussão negativa de uma imagem em que aparece ao lado do apresentador de TV Sikêra Júnior, com uma placa “CPF Cancelado”, que sugere aprovação à ações policiais ou confronto entre facções criminosas que resultam na morte de um suposto delinquente, por mais nocivo para a sociedade que possa ser o bandido. “A senhora não tem o que perguntar não? Deixa de ser idiota”, vociferou o presidente.

Certamente, Jair Messias Bolsonaro sabia que a repórter da TV Aratu teria muito a perguntar, mas preferiu aguardar os resultados da CPI da Pandemia que será instalada na terça-feira (27); ou os fortes indícios de que estaria aparelhando órgãos de investigação e controle para se resguardar e proteger os filhos enrolados em apurações de supostas ilicitudes; ou ainda os possíveis desdobramentos da escuta telefônica de milicianos cariocas, em que há fortes indícios de que teriam feito contato com o presidente da República após a morte do líder de uma facção, o ex-Capitão do Bope da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega, ocorrido em fevereiro de 2020, na Bahia. Ou, ainda, a pergunta que não quer calar, sobre qual teria sido a motivação para que o investigado Fabrício Queiroz e sua esposa, suspeito de ser operador do esquema de “rachadinhas” do filho Flávio, hoje senador da República, no período em que ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, tenham depositado 89 mil reais na conta da primeira-dama, entre outras tantas.

O que o presidente Jair Bolsonaro desconhece, por conveniência ou má-fé, é que suas bravatas e seus ataques inconsequentes contra jornalistas, na maioria das vezes mulheres, não vão calar a imprensa livre, mesmo que haja cumplicidade de suas milícias digitais. E, mais ainda, que serão os que ele chama de “idiotas” que não vão permitir que suas ações como parlamentar de ontem e inquilino temporário do Palácio do Planalto caiam no esquecimento. Seus fantasmas e cadáveres insepultos haverão de estar sempre, através do trabalho da imprensa que não se curva a bravatas e ao poder econômico dos canalhas de plantão, em evidência.

Nenhuma agressão, por mais covarde que seja, vai calar a imprensa. E a história haverá de revelar, para as gerações futuras, quem na verdade era o néscio.

Antônio Luiz da Silva

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