No Dia Mundial do Câncer, Instituto Ronald McDonald alerta sobre sintomas que podem ser confundidos com outras doenças

Organização possui programa que capacita profissionais e estudantes da área da saúde e sensibiliza profissionais da educação básica

Por: Paula Fiuza

Nos próximos três anos, a expectativa é de que no Brasil tenha 704 mil novos casos de câncer por ano. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) e são alarmantes quando falamos de casos relativos ao público infantojuvenil, que podem chegar a atingir 7.930 ocorrências por ano. A importância de refletir sobre o assunto será intensificada em todo o mundo no próximo dia 04 de fevereiro, no Dia Mundial do Câncer.

O câncer é a doença que mais acomete crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, conforme estimativa do Inca, com desigualdade das chances de cura associada as regiões do país. Com sintomas silenciosos e que, na maioria das vezes, se confundem com sinais de diversas doenças comuns na infância, como febre, manchas roxas pelo corpo, e tantas outras, o diagnóstico precoce acaba sendo um grande desafio.

Com um olhar atento e sempre pensando além, o Instituto Ronald McDonald oferece, há quase 15 anos, o programa Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil, que visa capacitar profissionais e estudantes da saúde e sensibilizar profissionais da educação básica sobre o tema. A necessidade e importância de estar alerta aos sinais, pode ser decisiva para aumentar as chances de resultados positivos durante o tratamento. O programa auxilia os profissionais de saúde e da área de educação a terem conhecimento sobre os sinais sugestivos do câncer infantojuvenil, e orienta sobre o encaminhamento adequado para as crianças ou adolescentes que apresentam possíveis sintomas.

Há quase 24 anos, o Instituto atua no país de forma consistente e determinante na luta contra o câncer infantojuvenil. Ao lançar o programa, o Instituto Ronald McDonald amplia a identificação precoce da doença. O Programa já capacitou mais de 28 mil profissionais e estudantes de saúde, impactando milhares de crianças e adolescentes. Desde 2020, o Programa também conta com uma metodologia em um formato totalmente digital.

De acordo com a Diretora Executiva do Instituto Ronald McDonald, Bianca Provedel, a data comemorativa da campanha é um forte aliado como recurso para manter vivo o alerta e conscientizar a população de forma geral. “Por isso a importância de campanhas como o Dia Mundial do Câncer. A data serve como um lembrete e conscientização da população sobre os cuidados de prevenção. Essas datas comemorativas do calendário são revestidas de valor por representarem o esforço de se manter um alerta ou tema.”, destaca Bianca.

 

Fundador transformou sua dor em propósito e hoje se dedica a auxiliar famílias

 

“Nossa ideia é trabalhar para que mais crianças cheguem ao hospital no estágio inicial da doença, diminuindo os custos para o tratamento e aumentando as chances de cura. Por isso, investimos no programa Diagnóstico Precoce”, destaca Francisco Neves, superintendente institucional e fundador do Instituto no Brasil, ressaltando que a missão do Instituto é aumentar as chances de cura do câncer infantojuvenil aos mesmos patamares dos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que podem chegar a 80% de chances de cura. Hoje, no Brasil, a média de sobrevivência da doença é de 64%.

Chico, como é conhecido, sabe exatamente do que está falando, pois sentiu a dor que nenhum pai quer sentir, de ver seu filho partir. Marquinhos, faleceu aos 8 anos, em janeiro de 1990. Apesar da grande perda, Chico transformou sua dor em propósito e hoje se dedica a auxiliar famílias a não precisarem se despedir de seus filhos, principalmente por ele saber as dificuldades que os menos favorecidos e os que moram longe dos grandes centros enfrentam:

“Você sabia que há ainda desigualdade das chances de cura associada às regiões do país? Conforme um levantamento feito pelo Inca, enquanto as chances médias de sobrevivência nas regiões Sul são 75% e na região Sudeste são 70%, nas Região Centro-Oeste, Nordeste e Norte elas são 65%, 60% e 50% respectivamente. Isso é inadmissível!”, desabafa Chico, reforçando a importância de um diagnóstico assertivo e na fase inicial.

No Brasil, o tempo entre a percepção de sintomas e a confirmação diagnóstica do câncer infantojuvenil é longo e por isso muitos pacientes chegam ao tratamento em fase avançada da doença. Ainda de acordo com a pesquisa, cerca de 80,8% dos pacientes que iniciaram o tratamento da doença chegaram ao hospital sem diagnóstico.

Acolhimento, amor e enfrentamento

“O câncer não é uma doença fácil de encarar. Estamos felizes por encontrar um lugar onde somos tão bem acolhidos. Aqui é a nossa segunda casa”. O depoimento, emocionado, é da Camila, mãe da pequena Camilly, de 9 anos, hóspedes de uma das sete unidades do Programa Casa Ronald McDonald, um programa coordenado pelo Instituto Ronald McDonald no Brasil.

Com o Programa Casa Ronald McDonald, como no exemplo de Camilly, foram oferecidas mais de 70 mil hospedagens, 316 mil refeições e 11,6 mil viagens aos hospitais apenas em 2022. Nos Espaços da Família Ronald McDonald, a ONG acolheu mais de 10 mil pessoas e serviu cerca de 3 mil lanches.

“Para manter nossos programas em operação e conseguirmos chegar mais próximo da nossa missão, dependemos 100% de doação de pessoas físicas e empresas. Cada moedinha conta e nos ajuda a transformar a vida de muitas famílias que precisam”, garante Chico. Para ajudar o Instituto, acesse: doe | Instituto Ronald McDonalds de Apoio à Criança. (colabore.org).

 

Sinais e sintomas 

De acordo com Dr. Renato Melaragno, oncologista pediátrico do hospital Santa Marcelina de São Paulo e membro da comissão médica do Instituto Ronald McDonald, pais e responsáveis devem estar atentos aos principais sinais e sintomas do câncer em crianças e adolescentes como:

  • Palidez inexplicada;
  • Perda de peso;
  • Febre prolongada sem causa aparente;
  • Hematomas ou sangramento;
  • Dores nos ossos e nas juntas, com ou sem inchaços;
  • Caroços ou inchaços – especialmente se indolores e sem febre ou outros sinais de infecção
  • Vômitos acompanhados da alteração de visão e equilíbrio;
  • Tosse persistente ou falta de ar;
  • Sudorese noturna
  • Reflexo branco no olho quando incide uma luz;
  • Olho aumentado de tamanho com mancha roxa;
  • Inchaço abdominal
  • Dores de cabeça incomum, persistente ou grave
  • Fadiga, letargia, ou mudanças no comportamento, como isolamento

Atenção: os sinais descritos acima são comuns a inúmeras doenças da infância menos graves e não significa que a criança ou o adolescente tem câncer. Cabe ao profissional de saúde saber a diferenciação e nunca medicar a criança sem um diagnóstico correto, acarretando um tratamento inadequado. “Em nosso meio, cerca de 30% das crianças com leucemia recebem tratamento prévio com corticoide para sintomas respiratórios antes do diagnóstico da leucemia, reduzindo as chances de cura.”, afirma o oncologista.

Sobre o Instituto Ronald McDonald

Organização sem fins lucrativos, o Instituto Ronald McDonald (IRM) há mais de 23 anos atua para propiciar saúde e bem-estar de crianças, jovens e suas famílias e contribui para aumentar as chances de cura do câncer infantojuvenil no Brasil. Para atingir esse objetivo, o Instituto Ronald McDonald trabalha promovendo a estruturação de hospitais especializados, a hospedagem para famílias que residem longe dos hospitais, a capacitação de estudantes e profissionais de saúde para realizarem o diagnóstico precoce, incentiva a adesão a protocolos clínicos e promove disseminação de conhecimento sobre a causa. A ONG faz parte do sistema beneficente global Ronald McDonald House Charities (RMHC), presente em mais de 60 países, coordenando os programas globais: Casa Ronald McDonald, voltado para a hospedagem, transporte e alimentação dos pacientes; e o Programa Espaço da Família Ronald McDonald, que torna menos desgastante o dia a dia das famílias durante o tratamento. No Brasil, há ainda outros dois programas locais: Atenção Integral e Diagnóstico Precoce, com ações específicas de combate ao câncer infantojuvenil. O Instituto conta com o apoio de diversas empresas e pessoas físicas para desenvolver e manter seus programas. Saiba mais sobre os programas e as instituições beneficiadas em www.institutoronald.org.br.

 

 

 

 

Foto de Capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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