O aniversário do poeta bissexto

Já imaginou como seria ter que comemorar o aniversário de quatro em quatro anos? Para os nascidos no dia 29 de fevereiro, como o ituaçuense de nascimento, brumadense por adoção e “do mundo” pelas rimas poéticas cordelistas, José Walter Pires, ou simplesmente ‘Zéwalter’, que comemorou no último sábado seus “exatos 19 anos”, que naturalmente, como afirmou emocionado, podem ser multiplicados por quatro, celebrar a data do nascimento é um momento muito especial, que graças ao Calendário Gregoriano, só acontece nos anos bissextos, como 2020. Nos outros três, fica a critério dos mais chegados, pode ser 28 de fevereiro ou 1º de março,

Mas, com a lucidez dos poetas populares, o sociólogo, educador, advogado e um dos mais consagrados cordelistas do país Zéwalter sabe que pouco importam os números. Ele sabe que não é possível ter dezenove anos para sempre e que os setenta e seis a soma dos anos (bem) vividos, são os que, somados na tábua do tempo, o transformaram no que é hoje.

Desde que fez sua estreia neste mundão de meu Deus, na pequena e bela Ituaçu, em meio às belezas naturais da Chapada Diamantina, numa terça-feira, 60º dia do ano não tão longínquo quanto parece de 1944, Zéwalter nunca mais saiu de cena.

E, centro da atenções, no sábado, 29 de fevereiro, Zéwalter, ao lado da esposa Ivone, dos filhos Ticiano, Pablo e Éric, dos irmãos Clímaco e Eduardo – Maria Helena e Morais Moreira certamente estavam presentes, embora não fisicamente – noras, cunhadas, sobrinhos, primos, reuniu um grupo de amigos para comemorar, em grande estilo, seu 19º/76º aniversário. Tudo aconteceu no Espaço de Eventos Celebrare, muito bem decorado e com um serviço de bufê impecável.

Joilson Lopes, Bruno Caires e o filho do aniversariante, Pablo Moraes – cujo nome já desponta no cenário musical baiano – além da participação especialíssima do também filho, Eric Pires, deram a nota (DEZ) musical, interpretando clássicos da música popular brasileira e algumas canções que marcaram época da música internacional.

Não faltou, como de praxe, cantado em uníssono pelos presentes, o tradicional parabéns pra você. Antes, bastante emocionado, Zéwalter, evidentemente sem abandonar a veia poética do cordelista, fez uma viagem ao passado e relembrou sua chegada a Brumado, depois de estudar em Barra da Estiva e graduar-se em Sociologia em Salvador, apontando as razões pelas quais, embora à época faltasse quase tudo – luz, água e estrada – “apaixonou-se” e adotou e foi adotado por Brumado, onde o destino quis juntar dois jovens sonhadores e, dessa união, nasceram os três, ainda hoje crianças – Ticiano, Pablo e Eric.

No sábado, 29 de fevereiro, restou a certeza de que Zéwalter não apenas soprou velinhas e comemorou mais um aniversário, antes, demonstrou com a nobreza própria dos poetas populares, ter conquistado a sabedoria e ter entendido que o tempo não passa, ele está sempre ao nosso lado. Aos 19 ou 76 anos, Zéwalter deixou claro, no improvisado discurso, entre as teimosas lágrimas da emoção, que o novo não ficou para trás, que ele está adiante, na vida ainda a ser vivida. Beatus natalis! Poeta vivat!

Confira as fotos e as imagens do evento.

(Fotos/Imagem: Lara Silva)

 

Jornal do Sudoeste