O COMPORTAMENTO HOMOFÓBICO DE DETERMINADO SETOR DA IMPRENSA DE VITÓRIA DA CONQUISTA CONTRA OS NEGROS DO BRASIL

Eis a pergunta que precisa ser respondida: O que leva determinado setor que se acha parte da imprensa em Vitória da Conquista fazer comentários depreciativos contra os negros e negras do país, sabendo que estes são parte integrantes e fundamentais dessa nação que se chama Brasil? Será que não sabem que determinado setor dessa imprensa só funciona porque existem mecanismos de contrôle social e que normatiza essas mesma empresas que comumente avilta, invisibiliza, destrói ou melhor, tenta destruir o imenso legado brasileiro a partir d'áfrica?. Será que se esquece que Estado da Bahia, é o mais preto do país depois da Nigéria, África? É triste e aviltante ver reproduzida aqui em Vitória da Conquista toda a coleção de preconceitos velhos e arraigados do sociedade brasileira. Se faz necessário se libertar dessas pessoas desumanas e desumanizantes, jogar no lixo sem reciclagem: urbanos têm preconceitos contra trabalhadores rurais, classe média despolitizada do centro sul tem preconceitos em relação aos migrantes nordestinos; brancos racistas contra os negros, elitistas contra a classe trabalhadora, héteros homofóbicos contra a orientação sexual dos homossexuais, sexistas contras as mulheres, não portadores de necessidades especiais contra os portadores de necessidades especiais. E mais, esse comportamento dessa imprensa revela de forma clara  e cristalina de como um setor dessa sociedade negam a todos aqueles considerados pelos preconceituosos como ‘o outro’, ‘o diferente’ o direito de usufruir com liberdade a vida. E a radicalização deles podem levar à morte, não raro a imprensa noticia atos de violência contra gays, travestis, transexuais, contra negros… A homofobia ocupa o segundo lugar em relação a crimes virtuais. Estejamos atentos, não é suportável presenciarmos tais atos. Chamo à  atenção sim que é  preciso um trabalho intenso nas escolas, é preciso que os maus humoristas, os que se dizem jornalistas sem nunca terem pisado o pé na academia, que aprendizes de comunicação em rádio entendam que as piadas, falas e comentários sem graça e de cunho sexista, racista, homofóbico não apenas são ruins como contribuem para tornar a sociedade ainda mais conservadora e perversa, é a revelação de intolerância social e racial nos levando à discriminação e, por tabela, à negação dos direitos humanos e isso não é natural nem tão pouco normal. Todo preconceito tem história. No nosso caso, a ideologia patrimonialista, patriarcal, autoritária e violenta, construída por uma minoria que ocupou o poder ao longo de mais 500 anos, elegeu como padrão/modelo de normalidade: o sexo masculino; a orientação heterossexual, a cor branca; a cultura ocidental-cristã. Esse pensamento nega o exercício efetivo da democracia e da vivência de uma cidadania plena. Aliás, a título de informação a esses pseudo-jornalistas indico a leitura de textos e livros da Professora e cidadã Maria Victória Benevides, principalmente esse texto que reproduzo aqui –  “Infelizmente, terminada a parte mais repressora do regime militar, a idéia de que todos, independentemente da posição social, são merecedores da preocupação com a garantia dos direitos fundamentais – e não mais apenas aqueles chamados de presos políticos, que não mais existiam – não prosperou como era de se esperar. (…) Somos uma sociedade profundamente marcada pelas desigualdades sociais de toda sorte e, além disso, somos a sociedade que tem a maior distância entre os extremos, a base e o topo da pirâmide sócio-econômica. Nosso país é campeão na desigualdade e distribuição de renda. As classes populares são geralmente vistas como “classes perigosas”. São ameaçadoras pela feiúra da miséria, são ameaçadoras pelo grande número, pelo medo atávico das “massas”. Assim, de certa maneira, parece necessário às classes dominantes criminalizar as classes populares associando-as ao banditismo, à violência e à criminalidade; porque esta é uma maneira de circunscrever a violência, que existe em toda a sociedade, apenas aos “desclassificados”, que, portanto, mereceriam todo o rigor da polícia, da suspeita permanente, da indiferença diante de seus legítimos anseios” ( Benevides, 2009). Já um dos maiores políticos da época do Império que este país já produziu até hoje, me refiro exatamente à Joaquim Nabuco, dizia ele, que a escravidão no Brasil era "a causa de todos os vícios políticos e fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilização para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo". E hoje, ainda convivemos com isso em nosso meio, materializado a partir de comentários irresponsáveis em certa imprensa! É um chamamento: Diga não hoje e todos os dias ao Homofobismo, a Intolerância, ao Racismo, ao Sexismo, Xenofobia! Faço um chamamento aos diversos movimentos sociais de Vitória da Conquista e que dizem representar os negros e não negros em suas diversas modalidades, Governo do Estado, Câmara de Vereadores, MNU, APN's, Cursos de pré-vestibulares, OAB, grupos de Hip Hop, Capoeira, Prefeitura Municipal a partir de suas diversas Secretarias, Blogs, Sindicatos, Clubes de Serviços, Universidades, Grêmios de Colégios públicos e particulares, CDL, Bancos, Deputados e Vereadores, Jornais impressos, TV's a se posicionarem de fato a partir de denúncias no Ministério Público contra essa prática jornalista perversa de aviltar e demonizar  negros e negras do Brasil, cobrando inclusive providências a quem de direito. Concluo enfim dizendo  aos desavisados (?) de certa imprensa que a prática de qualquer racismo independente de qualquer que seja ele, é crime no Brasil desde que foi sancionada a Lei – 7.716, federal, de 5 de Janeiro de 1989, conhecida como Lei Caó. Chega de Racismo, principalmente em Horário Nobre, se é que ainda exista isso.

JOILSON BERGHER, PROFESSOR DE HISTÓRIA, ESPECIALISTA EM METODOLOGIA DO CONHECIMENTO SUPERIOR/UESB, PESQUISADOR INDEPENDENTE DO NEGRO NO BRASIL, ESTUDANTE DE FILOSOFIA/UESB.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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