O jornal improvisado ‘o descobridor’

O editor do texto – morador da Vila de João Amaro/Iaçu, aposentado da Rede Férrea Federal Sociedade Anônima (RFFSA) era uma pessoa, muito inteligente, inventiva, diligente e de inéditas iniciativas. De atitude irrequieta, estava sempre à procura de algo para inventar ou fazer. Aquietou-se na senectude quando aderiu à seita Adventista do 7º Dia.  Professou o catolicismo, mas morreu evangélico, adepto da seita de sua escolha.

            Possuía uma caligrafia invejável e traçava as letras com perfeição. Era um calígrafo e um bom desenhista e o fazia muito bem à mão livre. Apesar de nunca ter estudado a representação das formas e os traçados geométricos, retratava inspirado na realidade ou na imaginação. Era, também, um humorista sagaz, uma expressão artística do seu talento vocacional, adquirido sem mestre.

             Incentivado, por amigos, lançou um “jornal” intitulado ‘O Descobridor’, de edição esporádica, circulava uma vez por mês, escrito em folhas de papel pardo para embrulho, com caneta esferográfica.

 Fazia críticas às vezes difamatórias, cujo teor representava mais um pasquim que propriamente um informativo.  O escrito tinha o objetivo de difundir as notícias boas e más dos acontecimentos e da política local.

 Exigia que os “repórteres interessados” lhe levassem não só o papel, como canetas, além de informações e as novidades locais, incluindo as fofocas e notícias picantes que envolviam as pessoas. O jornal era entregue num local muito frequentado e a leitura era disputada, pois só havia um número por edição.

            Os políticos locais, eram nominados por apelido, que era do conhecimento da população.      Criticava as suas ações administrativas ou sociais. Avaliava os desregramentos morais e éticos de pessoas da comunidade envolvidas, atitudes que lhe trouxeram grandes dissabores e revoltas dos que se sentiam injustiçados pelas críticas e diziam ser “inverdades” essas publicações.    Atribuía as notícias aos “repórteres” que lhe informavam o fato noticiado, isentando-se da responsabilidade pelo divulgado.

Entre outras histórias, a de um sujeito que se tornara “amante” de uma jumenta e, às escondidas, tocava a, dita cuja, pela várzea à beira do rio, a procura de um local ideal para satisfazer o seu desejo sexual. Por ter baixa estatura, serviu-se do auxílio de pedras ou tijolos, para ficar em posição adequada e alcançar a anca do quadrupede.  Nesse episódio, o protagonista foi retratado, através de desenho, praticando zoofilia, dando a entender quem era a pessoa.

 Por conta desse noticiário, foi censurado por parentes e amigos da família do indigitado, visto que, alguns não aceitaram a divulgação do ocorrido, alegando ser uma manifestação maledicente, inventada, embora muita gente confirme a veracidade do caso.

Assim surgiu o primeiro “jornal” improvisado, “O DESCOBRIDOR”, do distrito de João Amaro/Iaçu. O nome descobridor fora colocado pelo responsável por motivos óbvios.

O reproduzo textualmente como me foi contado, qualquer exagero é responsabilidade de quem forneceu as informações. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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