Origem do Candomblé no Brasil

O Candomblé no Brasil surgiu através da raça negra, que eram vendidos aos europeus pelos reis africanos como se fossem mercadorias, e dessa forma os revendiam. Os compradores (geralmente fazendeiros e senhores de engenho), utilizavam a sua mão de obra como escravos, a trabalharem sem remuneração. O tráfico de escravos negros eram oriundos de diversas cidades Africanas. O comercio de escravos enriqueceu muita gente

O culto aos orixás teve origem na África e foi trazida para o Brasil pelos negros iorubas. Seus deuses são os Orixás, apenas alguns são cultuados no nosso país. Orixá é a divindade, deus do panteão iorubá.  Com a perseguição ao Candomblé pela polícia, que o encarava como contravenção penal, os seguidores passaram a cultuar os santos da igreja católica em sincretismo com os orixás. O Candomblé é comandado pela mãe-de-santo (ialorixá) ou pai-de-santo (babalorixá) e tem como auxiliares administrativos ogãs, equédes e obás.

ORIGEM DO CANDOMBLÉ

E foi inventado o candomblé. . .

No começo não havia separação entre o Orum, o Céu dos orixás, e o Aiê, a Terra dos humanos.

Homens e divindades iam e vinham, coabitando e dividindo vidas e aventuras.

Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas.

O céu imaculado do Orixá fora conspurcado. O branco imaculado de Obatalá se perdera.

Oxalá foi reclamar a Olorum.

Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o Céu da Terra.

Assim, o Orum separou-se do mundo dos homens e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida.

E os orixás também não poderiam vir à Terra com seus corpos.

Agora havia o mundo dos homens e o dos orixás, separados.

Isoladas dos humanos habitantes do Aiê, as divindades entristeceram.

Os orixás tinham saudade de suas peripécias entre os humanos e andavam tristes e amuados.

Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindo que os orixás pudessem vez por outra retornar à Terra.

Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos.

Foi a condição imposta por Olodumare.

Oxum, que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres, dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto, recebeu de Olorum um novo encargo: preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.

Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada missão.

De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.

Veio ao Aiê e juntou as mulheres à sua volta, banhou seus corpos com ervas preciosas, cortou seus cabelos, raspou suas cabeças, pintou seus corpos.

Pintou suas cabeças com pintinhas brancas, como as penas da galinha-d’angola.

Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços, enfeitou-as com joias e coroas.

O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé, pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa.

Nas mãos as fez levar abebés, espadas, cetros, e nos pulsos, dúzias de dourados indés.

O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas e múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.

Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori, finas ervas e obi mascado, com todo condimento de que gostam os orixás.

Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada e o orixá não tinha como se enganar em seu retorno ao Aiê.

Finalmente as pequenas esposas estavam feitas, estavam prontas, e estavam odara.

As iaôs eram as noivas mais bonitas que a vaidade de Oxum conseguia imaginar.

Estavam prontas para os deuses.

Os orixás agora tinham seus cavalos, podiam retornar com segurança ao Aiê, podiam cavalgar o corpo das devotas.

Os humanos faziam oferendas aos orixás, convidando-os à Terra, aos corpos das iaôs.

Então os orixás vinham e tomavam seus cavalos.

E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando os batás e agogôs, soando os xequerês e adjás, enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para a roda do xirê, os orixás dançavam e dançavam e dançavam.

Os orixás podiam de novo conviver com os mortais.

Os orixás estavam felizes.

Na roda das feitas, no corpo das iaôs, eles dançavam e dançavam e dançavam.

Estava inventado o candomblé.

Texto copiado do livro Mitologia do Orixás, de Reginaldo Prandi, edição de 2001.

 

SIGNIFICADOS DE  PALAVRAS AFRICANAS NESSE ARTIGO:

Agogô – Instrumento musical formado por duas campânulas ocas metálica;

Axé – Saudação; força vital e espiritual;

Obatalá – no candomblé, o maior dos orixás, cuja cor é branca, sincretizado com o Senhor do Bonfim;

 Aiê – a terra dos humanos;

Adjá – instrumento musical afro-brasileiro, espécie de campainha de metal, simples ou dupla.

Búzios – Conchas marinhas usadas antigamente na África como moedas e, em nossos dias, em cerimônias religiosas e em jogos de previsão;

Candomblé – Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá – onde são praticados os rituais trazidos da África. Esses cultos são dirigidos por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois, em Salvador, na Bahia. No passado, o candomblé foi muito perseguido. Candomblé – Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá – onde são praticados os rituais trazidos da África. Esses cultos são dirigidos por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois, em Salvador, na Bahia. No passado, o candomblé foi muito perseguido;

Candomblé – Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá – onde são praticados os rituais trazidos da África. Esses cultos são dirigidos por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois, em Salvador, na Bahia. No passado, o candomblé foi muito perseguido;

 Exu – orixá mensageiro, dono das encruzilhadas e guardião da porta de entrada da casa, sempre o primeiro a ser homenageado;

Orum – o Céu dos Orixás;

Olorum – – literalmente, Dono do Céu, nome pelo qual é denominado preferencialmente no Brasil o Deus Supremo.

Olodumare – Deus Supremo. Criou os orixás e deu a eles as atribuições de criar o controlar o mundo.

Oxum – Oxum é considerada dona das águas doces tanto no Candomblé quanto na Umbanda (religião na qual é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, santa católica);

Oxo – nome do cone feito de obi mascado, ori e outros elementos que é fixado no alto da cabeça raspada do iniciado, indicando que está pronto para receber o orixá no transe.

Ori – no candomblé, a cabeça, a mente, a inteligência; a alma orgânica, perecível;

Ecodidé – penacho vermelho na parte posterior do corpo de certo papagaio africano; icodidé;

Abebé é um leque em forma circular, usado por Oxum quando feito em latão ou dourado, alguns podem trazer um espelho no centro, e usado por Iemanjá quando prateado, normalmente trazem desenhos simbólicos;

Iaô –  esposa jovem, filha ou filho de santo, grau inferior da carreira inicial dos que entram em transe de orixá

Xirê – brincar, no candomblé, ritual em que os filhos e filhas de santo cantam e dançam numa roda para todos orixás.

Xequerê – Espécie de chocalho, usado nas práticas do candomblé. Um instrumento musical de percussão criado na África, e consiste de uma cabaça seca cortada em uma das extremidades e envolta por uma rede de contas.

Em 1946, foi decretada no Brasil a liberdade de culto religioso. Ainda assim, os praticantes do Candomblé tinham que solicitar autorização à polícia e pagar uma taxa para poderem realizar o culto.

Em 15 de janeiro de 1976 um decreto do então governador da Bahia Roberto Santos acabou com a exigência feita aos terreiros de Candomblé de solicitar autorização prévia da Delegacia de Jogos, Costumes e Diversões Públicas para praticarem os cultos e realizarem as festas religiosas.

Milagres do Povo

Caetano Veloso, Maria Gadú

Quem é ateu e viu milagres como eu

Sabe que os deuses sem Deus

Não cessam de brotar, nem cansam de esperar

E o coração que é soberano e que é senhor

Não cabe na escravidão, não cabe no seu não

Não cabe em si de tanto sim

É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história

Ojuobá ia lá e via

Ojuobahia

Xangô manda chamar Obatalá guia

Mamãe Oxum chora lagrimalegria

Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia

Ojuobá ia lá e via

Ojuobahia

Obá

É no xaréu que brilha a prata luz do céu

E o povo negro entendeu que o grande vencedor

Se ergue além da dor

Tudo chegou sobrevivente num navio

Quem descobriu o Brasil?

Foi o negro que viu a crueldade bem de frente

E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente

Ojuobá ia lá…).

Caetano Veloso e gadu em Milagre do Povo;

Fonte: Mitologia dos Orixás de Reginaldo Prandi (Companhia das letras, 2001;

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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