Os fins não justificam os meios

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A invasão da Venezuela e o sequestro do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada deste sábado, não podem ser tratados como motivo de celebração. Ainda que alguns, por convicção ou oportunismo, tentem justificar o ato, muitos desses que se dizem democratas agem como um verme silencioso dentro da própria democracia, corroendo-a por dentro até torná-la podre. Ao fazê-lo, atraem desinformados e também falsos intelectuais, alguns chegando a invocar o nome de um “deus” que supostamente legitima os mesmos propósitos de seus “ídolos”.

É inegável que ditaduras, como a de Nicolás Maduro, não devem prosperar. Mas é igualmente inegável que os métodos empregados pelo presidente Donald Trump – um líder que frequentemente testa os limites da democracia – não se sustentam sob o argumento de que os fins justificam os meios.

A história mostra que aplaudir ações autoritárias, mesmo quando dirigidas contra regimes ditatoriais, abre precedentes perigosos. O Brasil conhece bem esse risco, tendo escapado recentemente de uma tentativa de golpe institucional conduzida por figuras que condenam em Nicolás Maduro aquilo que praticam em sua própria política.

Ditaduras devem ser combatidas dentro dos marcos da legalidade internacional e do respeito aos direitos humanos. Democracias não se fortalecem com aventuras militares nem com projetos pessoais de poder. Ao contrário, tornam-se frágeis quando aceitam a violência e a arbitrariedade como instrumentos legítimos de transformação política.

O Brasil, ainda marcado pelas cicatrizes profundas deixadas por regimes autoritários – em especial o último, que se prolongou por intermináveis 21 anos e cujas feridas seguem abertas – precisa reafirmar, de forma inegociável, seu compromisso com a democracia. Preocupa que figuras políticas, como fantasmas que rondam o cenário institucional, insistam em apagar da memória coletiva os horrores vividos naquele período. Por isso, é indispensável manter vigilância permanente contra qualquer manifestação de autoritarismo ou tentativa de ressuscitar práticas fascistas.

Essa ameaça pode surgir tanto na figura de um ditador tropical que exalta torturadores, despreza direitos humanos e transforma racismo, misoginia, homofobia, transfobia e o desprezo pelos pobres em traço de sua conduta, quanto na de um suposto salvador estrangeiro que se apresenta como guardião da liberdade.

A questão não é de direita, centro ou esquerda, mas de lembrar sempre o alerta de Bertolt Brecht: “a cadela do fascismo está sempre no cio”.

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Jornal Digital Jornal Digital – Edição 756